Saudades


Fotografia de João Henriques in olhares.com

Saudades...
do que vivi...
do que não vivi...
tempo que corre veloz...
e demora tanto a passar!
o sonho?
Esse vai baloiçando... tonto
nas ondas ora da realidade ora da imaginação!
Enebriante...
confusão de sentidos,
que dá ritmo ao bater do mesmo coração...
Saudades... sempre... em mim

Plumeria alba



A subtileza da natureza revela-se nas coisas mais simples, que são em si plenas de beleza... beleza ao olhar, beleza ao sentir, beleza ao conhecer!
Simples e Belo deve ser também o nosso caminho, não só na chegada mas especialmente ao longo do seu percorrer... não nos deixe-mos cegar com pormenores insignificantes que nos tapam a visão do destino para o qual caminhamos...

morada incerta



Fotografia de Geoffroy Demarquet in olhares.com

"Muitos dos que têm morada certa passam pela existência sem nunca percorrer as avenidas do seu próprio ser. São forasteiros para si mesmos. Por isso são incapazes de corrigir as suas rotas e superar as suas loucuras."

Augusto Cury

Casca

Continuamos a tratar da casca

Continuamos a moldar a casca

Continuamos a remar de costas

E a provar águas quase mortas

E a viver ruas já pisadas

E a levar pedras já usadas

Num saco meio roto

Num saco meio morto

Tentamos não manchar a casca

Para fazer brilhar a casca

Tentamos não parar de costas

Tentamos não falhar respostas

Que nunca nos vejam de fora!!

É para nós que o mundo adora

Passos de dança no chão

É para nós que os olhos olham.

Fingimos não pensar na casca

Tentamos perdoar a casca

Separamos bem e mal

Quando se inspira o real

E se queima o que é vida

Mais uma hora despida

Onde águas não escorrem

E mágoas não morrem

Para quê tirar retratos?

Para quê limpar os fatos?

Para caber na moldura

Não ligar a ruptura

Mandar calar o pó

Deixar ficar o nó

Partir mais uma corda

Expulsar mais uma nódoa

Tentamos disfarçar demónios

Por medo desviamos olhos

Por fuga apagamos fogos

Por escudos renascemos novos

Sem rasto esquecemos lábios

Altivos, rastejamos, sábios

Cada vez mais fundo

No buraco do mundo

Com força agarra-se a casca

Que é só o que nos resta

Que o mastro derreteu

Mais tudo encolheu

Quisemos testar barreiras

E construímos teias

Difíceis de romper

E aqui ficamos presos...na casca.

Casca é tempo que dói

É janela fechada que estilhaça

quando se olha para tras..

Vento é o que bate na cara

É só largar a casca!!

Não se olha para trás!



By Toranja

Cada palavra é uma semente...

Fotografia de Tiago Estima in olhares.com

“Como é que poderemos definir o nosso tempo? Qual é o factor que o unifica e o distingue? Claro que é uma época de grandes contradições. Na verdade, atingimos um desenvolvimento tecnológico que era impensável há vinte anos atrás e um subdesenvolvimento - ou melhor, uma degradação ética - igualmente insuspeitável.
Vivemos na época das antinomias. Do máximo bem estar e da maior insatisfação, da extrema segurança e dos medos incontroláveis, das sofisticadíssimas comunicações planetárias e da incapacidade total de comunicar entre as pessoas.
O nosso tempo é um tempo ditatorialmente democrático, é o tempo do domínio absoluto do ruído, do alarido, dos gritos, da desarmonia sonora que já atinge e envolve os seres humanos de todos os povos e de todas as condições sociais.
Sim, se tenho de pensar num factor unificador da nossa época, é justamente o alarido.
O silêncio morreu e, ao desaparecer, arrastou consigo tudo o que constitui a base do ser humano. Não há silêncio no ar à nossa volta, não há silêncio nos espíritos, nos corações. A ausência de silêncio é o triunfo daquilo a que todas as tradições orientais chamam «o macaco» - o nosso espírito - que gera ruídos, grita por causa de uma sombra,s e agita, salta, faz alarido para abafar o alarido dos outros.
O macaco gera um turbilhão constante de impressões, opiniões, alarmes, um rio a transbordar que faz gorar qualquer tentativa de criar, no espírito e no coração, uma estabilidade e uma ordem verdadeiras.
O alarido incomoda-nos. Consultando o dicionário, descobrimos que «incomodar» significa: estorvar, impedir, obstar, desviar, distrair.
Sim, há sempre alguém ou alguma coisa que quer desviar-se do silêncio, evitar que contemplemos a nossa realidade mais profunda, impedir que dessa realidade nasça e cresça a nossa evolução como pessoas.
«O que a irrigação é para as plantas, é o silêncio para o aumento do conhecimento» escrevia Isaac de Ninive no século VI d.e. De facto, sem silêncio, não posso conhecer-me, não posso conhecer o outro. Sem silêncio, não posso abeirar-me da fonte do saber.
Mas de onde vem o alarido? Porque é que não há força que consiga contê-lo?
Se quero plantar uma árvore no fim do Inverno, costumo preparar o terreno no início do Outono. Há sempre um factor determinante que contribui para o nascimento e a evolução de um acontecimento novo. Por isso o século xx, com o seu rasto trágico de ideologias, niilismo, guerras e extermínios, semeou no novo milénio a bomba-relógio do relativismo ético.
O bem e o mal já não são valores reconhecíveis colectivamente, são derivas do sentimentalismo individual. Se o bem não existe em si, passa a ser bem o que me agrada, o que me satisfaz, e, por conseguinte, mal é aquilo de que não gosto, o que me inquieta, me faz sentir mal.
Graças ao relativismo ético, a nossa sociedadl; renunciou à sua função educativa. A família não educa, a escola não educa, o contexto civil não educa.
De facto, educar significa conduzir, apontar um caminho, mas, para isso, haveria que saber o rumo a seguir. Como se pode apontar um caminho, se a vida é um vaguear sem destino, se não há limites a respeitar, horizontes a atingir? Portanto, mais vale confiar no acaso, a bondade natural do ser humano fará o seu papel e do resto tratarão os acontecimentos com que iremos deparar que nunca serão bons, nem maus e de que, além do mais, não seremos minimamcnte responsáveis.
A tarefa principal dos pais modernos parece; ser apenas a de não criarem obstáculos (que poderiam provocar traumas incuráveis), não estabelecerem limites (para não correrem o risco de cortar as assas à natural criatividade infantil). Pensa-se que será a sabedoria inata da criança a fazê-la escolher o caminho que a levará a realizar-se da melhor forma.
Há um belíssimo provérbio africano que diz: «Para se educar uma criança, é preciso uma aldeia inteira.»
E é mesmo assim, precisa-se da variedade e da diversidade das relações e, ao mesmo tempo, da coesão de uma comunidade que respeita e faz respeitar as suas leis.
Talvez seja por isso que a acanhada família mononuclear, apesar de todos os seus cuidados e subtilezas pedagógicas, gera, na maior parte dos casos, crianças eternas, capazes de conjugar até ao infinito um único e importuno verbo: «Eu quero». E ninguém reparou - ou melhor, ninguém quis reparar - que, entretanto, o provérbio africano foi assumido a nível planetário. Só que já não é o conjunto dos parentes - ou seja, o contexto social feito de pessoas, rostos, histórias humanamente compreensíveis - que educa, mas a anónima e poderosíssima e subtilmente perversa aldeia global.
Perante a abulia educativa dos pais, perante a apatia da escola e a ausência de um grupo formativo, a comunidade educadora passa automaticamente a ser a que é constituída pelo rosto opaco dos mass media, da grande antena que domina e envolve os nossos dias com o seu constante grasnar.
É ela que nos diz no que devemos acreditar e o que devemos desprezar, o que escandaliza e o que, pelo contrário, deve merecer o nosso aplauso. É ela que nos impõe a certeza de que, sem a posse de alguns objectos determinados, resvalaremos para o grande mar dos zés-ninguéns. Como é natural, tudo acontece de uma forma democrática, desprovida de obrigações. Na verdade, para evitar rebeliões, temos de estar convencidos de que somos sempre nós - e só nós - que escolhemos. Mas será mesmo assim?”



in Cada palavra é uma semente de Susanna Tamaro

A Vida não Pára!


Mesmo quando o tudo pede um pouco mais de calma
Até quando o corpo pede um pouco mais de alma
A vida não pára

Enquanto o tempo acelera e pede pressa
Eu me recuso faço hora vou na valsa
A vida é tão rara

Enquanto todo mundo espera a cura do mal
E a loucura finge que isso tudo é normal
Eu finjo ter paciência

O mundo vai girando cada vez mais veloz
A gente espera do mundo e o mundo espera de nós
Um pouco mais de paciência

Será que é o tempo que lhe falta pra perceber
Será que temos esse tempo pra perder
E quem quer saber
A vida é tão rara (tão rara)

Mesmo quando tudo pede um pouco mais de calma
Mesmo quando o corpo pede um pouco mais de alma
Eu sei, a vida não para

Paciência By Lenine

... mas podemos aprender a saboreá-la... mas sobretudo valorizá-la:D

para curiosos: http://www.youtube.com/watch?v=HZnvUNVkKfY

Memories



Memories Mayor Mente

In this world you tried
Not leaving me alone behind
There's no other way
I'll pray to the gods let him stay
The memories ease the pain inside,
Now I know why

All of my memories keep you near
In silent moments
Imagine you be'd here.
All of my memories keep you near,
Your silent whispers, silent tears

Made me promise I'd try
To find my way back in this life
I hope there is a way
To give me a sign you're okay
Reminds me again it's worth it all
So I can go home

All of my memories keep you near
In silent moments
Imagine you be'd here
All of my memories keep you near
Your silent whispers, silent tears

Together in all these memories
I see your smile
All the memories I hold dear
Darling, you know I'll love you
till the end of time

All of my memories keep you near
In silent moments,
Imagine you be'd here
All of my memories keep you near,
Your silent whispers, silent tears

All of my memories...

By Within Temptation

Try

When you down...you can singing with me!
When you cry...why don't you give it a try?
When you down...try any song...
Nothing's rigth...noting's wrong!

O valor das coisas

in BaLeaL
O valor das coisas não está no tempo que elas duram,
mas na intensidade com que acontecem.
Por isso existem momentos inesquecíveis,
coisas inexplicáveis
e pessoas incomparáveis.

Fernando Pessoa

de alma plena...

um pequeno paraíso chamado Baleal... um cantinho do nosso portugal de uma beleza indiscritível... o imenso mar a perder de vista que nos faz sentir leves e transmite paz à alma dos que nele deixam o olhar repousar e divagar... devagar, muito devagar e com tempo para poder deixar-nos levar apenas pelos sentidos e nos entregar-mos por inteiro.
...a ti o meu amor!

Lugares

Fotografia de Joaquim Santos in olhares.com
Existem Lugares onde tudo é possível, onde longe do nosso pequeno mundo nos damos à liberdade de novas sensações, onde as mesmas coisas que vemos todos os dias ganham outra cor, onde os dias ganham outra luz e uma música entoa dentro do nosso ser sem cessar, e nos contagia, a mim, a ti e também aos outros, que nos dá ânimo, que nos dá vida...

Existem Lugares onde nos transportamos ao passado e ao futuro... onde nos questionamos... onde nos damos conta do que somos e do que queremos ser... onde aprendemos a saborear o presente aqui e agora... onde cuidamos das nossas feridas... onde sonhamos o amanhã... onde eu te encontro... onde eu me encontro... e onde eu deixo que tu me encontres...

Esse Lugar existe... dentro de nós mesmos, sem ser preciso ir muito longe... mas muitas vezes é lá bem longe onde o encontramos... mesmo sem o procurar...

Penso em ti, penso em nós
segue-se um tempo de paragem...

Q u e r o - t e

Fotografia de Negateven in olhares.com
Fotografia de Sónia in olhares.com

Ensina pelo exemplo
Vive com simplicidade
Pensa com rapidez
Trabalha com afinco
Luta com honestidade
Dá com generosidade
Ri com alegria
Ama profundamente

Tão perto e tão longe...

Fotografia de Ricardo Tavares in olhares.com
Tão perto mas ao mesmo tempo tão longe... tanto que queremos alcançar mas que por vezes nos parece de tal modo inacessível que a nossa força e fé parecem fraquejar contra a nossa vontade... mesmo assim acredito que é nesses momentos que descobrimos os nossos verdadeiros limites, uma força maior que as nossas forças e descobrimos que se lutarmos temos tudo para conseguir ser e alcançar o que desejamos e que nos faz feliz. Só é preciso não nos deixarmos vencer pelas derrotas que possam aparecer no caminho...

O que vêem nesta mão?

Fotografia de Luís M. Gomes in olhares.com

Dedos de uma mão, de uma mão estendida, estendida para cima...
O que vêem nesta mão?
Mão que dá? Mão que recebe? Mão que quer? Mão que espera? Mão que se estende a quem a vier buscar? Mão que pede? Mão vazia? Mão cheia? Cheia de vontade? Cheia de pedidos? Cheia de Medos? Cheia de Dúvidas? Cheia de esperança? Cheia de defesas? Cheia de amor? Cheia de incertezas? Cheia de humildade? Cheia de querer? Cheia de coragem? Uma mão que se estende a todos nós todos os dias.... Mão nossa, Mão alheia, Mão humana que muda a sua história todos os dias... umas vezes é Mão que dá, mão cheia... outras vezes é Mão vazia que recebe...
Que todos nós tenhamos a humildade de saber ser todas estas mãos quando for tempo de as ser!

Coração Polar


Fotografia de L Du Lac in olhares.com

Não sei de que cor são os navios
quando naufragam no meio dos teus braços
sei que há um corpo nunca encontrado algures no mar
e que esse corpo vivo é o teu corpo imaterial
a tua promessa nos mastros de todos os veleiros
a ilha perfumada das tuas pernas
o teu ventre de conchas e corais
a gruta onde me esperas
com teus lábios de espuma e de salsugem
os teus naufrágios
e a grande equação do vento e da viagem
onde o acaso floresce com seus espelhos
seus indícios de rosa e descoberta.

Não sei de que cor é essa linha
onde se cruza a lua e a mastreação,
mas sei que em cada rua há uma esquina
uma abertura entre a rotina e a maravilha.

Há uma hora de fogo para o azul
a hora em que te encontro e não te encontro
há um ângulo ao contrário
uma geometria mágica onde tudo pode ser possível
há um mar imaginário aberto em cada página
não me venham dizer que nunca mais
as rotas nascem do desejo
e eu quero o cruzeiro do sul das tuas mãos
quero o teu nome escrito nas marés
nesta cidade onde no sítio mais absurdo
num sentido proibido ou num semáforo
todos os poentes me dizem quem tu és.

Manuel Alegre (1936) in Poemas de Amor

Piano (Michael Nyman)

Para quem viu, fica aqui uma pequena lembrança de um Filme perturbador mas muito belo...
para quem não viu... pode ser esta uma pontinha que desperte alguma curiosidade...
A música é... perfeita... capaz de conter tantos sentimentos quantos os que o filme pretende mostrar... e não é preciso muito mais do que isso... quando o silêncio da voz dá lugar a uma melodia do coração...
Conseguem ouvir sem parar?

Si Conocieras el Don de Dios

Fotografia de Alba Luna in olhares.com

Si conocieras como te amo, si conocieras como te amo
dejarias de vivir sin amor,
si conocieras como te amo, si conocieras como te amo
dejarias de mendigar cualquier amor,
si conocieras como te amo, como te amo
Serias mas feliz.

Si conocieras como te busco, si conocieras como te busco
Dejarias que te alcanzara mi voz ,
si conocieras como te busco, si conocieras como te busco
dejarias que te hablara al corazon,
si conocieras como te busco, como te busco
escucharias mas mi voz.

Si conocieras como te sueño, si conocieras como te sueño
Me preguntarias lo que espero de ti,
si conocieras como te sueño, si conocieras como te sueño
buscarias lo que he pensado para ti,
si conocieras como te sueño, como te sueño
Pensarias mas en mi.

(Si Conocieras el Don de Dios) Música de Hermana Glenda

...

Fotografia de Geoffroy Demarquet in olhares.com

Há dias em que nos sentimos pequeninos, muito pequeninos... em que nos sentimos extremamente vulneráveis e mesmo não querendo tornamo-nos susceptíveis a qualquer "ameaça" exterior... sem forças para encontrar a Força dentro de nós... mesmo sabendo que ela existe algures...

Um Lugar sem tempo marcado

Fotografia de Paulo César in olhares.com

Sou...

Fotografia de Ricardo Carioca in olhares.com
Contornos de Sombra e de Luz, que modelam um Corpo... por vezes Frio... por vezes... Quente.. mas que sente sempre, tem Vida... não se contenta... não se sacia... é exigente e reclama cumprir os seus Desejos mais verdadeiros!

Nova imagem!

Imagem de Armando F. Sousa in olhares.com

Para marcar uma nova imagem deste espaço,
onde as palavras caem, por vezes, soltas como folhas de uma árvore,
podendo ser levadas ao sabor das vontades de cada um...
Até breve... :)

mistério!

Fotografia de Le Borgne in www.olhares.com

simples?

Desenho de Rimfrost
... Encantamento...
D e c l a r a ç ã o ?
P r o p o s t a ?
S u g e s t ã o ?
L o u c u r a ?
V o n t a d e?
D e s e j o ?
C o n v i te ?
D e s a f i o?

o l h o s d o s e n t i r

Fotografia de Maria João Miguel in www.olhares.com
É preciso tacto para saber ler nas entrelinhas da vida...
Só assim se pode ver com verdadeiros olhos de ver,
E muito mais do que apenas olhar, é preciso aprender a ver...
E ver significa ver com os olhos do sentir, da alma e do coração!
Para todos nós que desperdiçam cada momento em que em vez de ver as coisas com verdadeiros olhos, apenas deixam pousar o olhar nessas tantas coisas...

Amanhã é sempre um novo dia!

Fotografia de David Felix in www.olhares.com

O amanhã está perto, tão perto!... e com ele vem a oportunidade de mais um dia inteirinho para fazer tudo o que podemos fazer, e ainda o que podemos duvidar sermos capazes de fazer...
Confuso? Pode até ser! Mas muito depende só de nós...
Claro que é mais fácil acreditar nisto naqueles dias em que tudo faz sentido, em que os problemas e as dificuldades parecem não existir... mas é mesmo nos outros dias, nesses em que a vontade é escassa e só queremos que o dia passe o mais rápido possível, de preferência sem nos dar-mos conta dele, que é fundamental acreditar no dom de cada dia!
Dias de sol, dias cinzentos, dias de chuva , dias de calor e dias de frio, todos os dias são bons dias, são novos dias! Dias banais, dias de festa, dias decisivos, dias surreais, todos os dias são dias para recomeçar, para continuar com planos antigos, há muito deixados na gaveta das nossas memórias passadas... nessas gavetas devemos apenas deixar os nossos receios, medos e fantasmas... e tudo aquilo que nos impede de avançar para o caminho que sonhamos para nós!
Amanhã começa um novo dia... que parecia não querer chegar... mas que sempre chega... enquanto acreditarmos que chegará... agora só resta abandonar-me e entregar-me a esse dia... e a todos os que com ele virão...
As palavras de ordem são muitas... mas mais do que tudo é preciso nunca deixar de acreditar!

salto... ou... não salto?

Fotografia de Justino de Oliveira e Silva in www.olhares.com

"Toda a gente há-de ter notado o gosto que têm os gatos de parar e andar a passear entre os dois batentes de uma porta entreaberta. Quem há aí que não tenha dito a algum gato: «Vamos! Entras ou não entras?» Do mesmo modo, há homens que num incidente entreaberto diante deles, têm tendência para ficar indecisos entre duas resoluções, com o risco de serem esmagados, se o destino fecha repentinamente a aventura. Os prudentes em demasia, apesar de gatos ou porque são gatos, correm algumas vezes maior perigo do que os audaciosos."
Victor Hugo, in 'Os Miseráveis'

May it Be

Fotografia de Luís Miguel Carneiro Valente in www.olhares.com

May it be an evening star
Shines down upon you
May it be when darkness falls
Your heart will be true
You walk a lonely road
Oh! How far you are from home

Mornie utúlië (darkness has come)
Believe and you will find your way
Mornie alantië (darkness has fallen)
A promise lives within you now

May it be the shadows call
Will fly away
May it be you journey on
To light the day
When the night is overcome
You may rise to find the sun


ENYA

Loucura

Fotografia de Vitor Hugo Sacadura in www.olhares.com

"Há sempre alguma loucura no amor. Mas há sempre um pouco de razão na loucura" Nietzsche

novo ano à vista

Fotografia de EA in www.olhares.com

Chega ao fim mais um ciclo de 365 dias que preenchem o calendário de mais um ano. Este ano, como todos os outros, está replecto de memórias, de crescimento, de progressos, de inovações, de descobertas, mas também de alguns enganos, de erros, de crueldades, de injustiças. No entanto quero acreditar que há um sentido maior que prevalece, que nos diz que vale a pena continuar a sonhar, e ainda mais, que vale a pena arriscar os nossos sonhos, que eles têm uma razão de ser, que é isso que faz o mundo continuar a girar, mesmo que às vezes seja mais devagar do que desejariamos. Claro que todos nós temos um papel importante neste girar do nosso mundo, todos nós temos a responsabilidade em mãos e é este compromisso que devemos respeitar e cumprir para que o próximo ano possa ser um pouco melhor do que o anterior... Nesta época do ano torna-se quase inevitável repensar as nossas atitudes, comportamentos e pensamentos, chega a nostalgia do que passou, do que foi e do que poderia ter sido. Esboçam-se novas estratégias e afinam-se as prioridades... afinal já passou mais um ano e no final já somos um bocadinho diferentes daquilo que éramos no início do ano, muita coisa aconteceu, novas pessoas surgem na nossa vida enquanto que outras saem sorrateiramente, descobrimos novos interesses, novas qualidades e habilidades, percebemos um pouco melhor do que se passa à nossa volta e percebemos qual o nossso contributo para o mundo, para a sociedade, para os que estão mais próximos de nós e para aqueles que não conhecemos... Claro que surgem novas dúvidas, novos desafios que irão continuar a moldarnos ao longo do ano que se aproxima! Assim resta-me desejar a todos um excelente ANO NOVO, que consigam realizar os vossos sonhos e se se realizem pessoalmente!

Cinderela

Eles dão duas crianças
a viver esperanças, a saber sorrir.
Ela tem cabelos louros,
ele tem tesouros para repartir.
Numa outra brincadeira
passam mesmo à beira sempre sem falar.
Uns olhares envergonhados
e são namorados sem ninguém pensar.

Foram juntos outro dia,
como por magia, no autocarro, em pé.
Ele lá lhe disse, a medo:
'O meu nome é Pedro e o teu qual é?'
Ela corou um pouquinho
e respondeu baixinho: 'Sou a cinderela'.
Quando a noite o envolveu
ele adormeceu e sonhou com ela...

Então
Bate, bate coração
Louco, louco de ilusão
A idade assim não tem valor.
Crescer
vai dar tempo p'ra aprender,
Vai dar jeito p'ra viver
O teu primeiro amor.
Cinderela das histórias
a avivar memórias, a deixar mistério
Já o fez andar na lua,
no meio da rua e a chover a sério.
Ela, quando lá o viu,
encharcado e frio, quase o abraçou.
Com a cara assim molhada
ninguém deu por nada, ele até chorou...
Então ...
E agora, nos recreios,
dão os seus passeios, fazem muitos planos.
E dividem a merenda,
tal como uma prenda que se dá nos anos.
E, num desses momentos,
houve sentimentos a falar por si.
Ele pegou na mão dela:
'Sabes Cinderela, eu gosto de ti...'
Letra e Música de Carlos Paião
fotografia de Dragonfly in www.olhares.com

Como seria a comunicação sem falar?

Fotografia de Graça in www.olhares.com

"Como seria a comunicação sem falar?
Primeiro o olhar, o encontro sedutor e misterioso dos olhos, depois o sorriso, mas não muito aberto, apenas o suficiente para dizer sim.
De seguida o passo em frente, aquele que provoca ansiedade, que nos corta a respiração, o que faz parar o tempo, o que apaga o resto do mundo.
De novo o sorriso, agora largo e franco deixando tudo o que seja dele entrar em mim e, então timidamente, o primeiro toque, o primeiro abraço, o mergulho no conforto, na segurança.
E só aí aparece, pela priveira vez, a sensação de dois num só!"

Teresa Sampaio

Espírito de Natal


É quando a noite se torna canção
e todos cantam num só coração.
É quando os olhos se lavam em fervor
que o amor é a razao de viver.
E pela paz, somos iguais.
E todos somos crianças outra vez.
Hora de dar e receber
e de abraçar toda gente que apadecer.
É quando a noite se enche de luz
e o amor pro natal nos conduz.
Os homens ficam crianças e então
Todos dividem a mesma emoção
de viver num carrossel
E a estrela guia à brilhar lá no céu
Noite feliz, noite de paz
feche os seus olhos, teus sonhos serão reais.

Música Popular
Saboreia e vive o verdadeiro espírito deste Natal.
Que o Natal seja a descoberta de uma Presença de Alegria e Paz em cada dia do Novo Ano.
Que Jesus nasça no coração de todos nós.
É o meu desejo sincero para todos, e em especial àqueles que em algum momento passaram pela minha vida.
Alegria, sorrisos e muitos Beijinhos Natalescos

Afinal o que é o Natal?

"O Natal é a festa mais influente, importante e motivadora do mundo. Todo o mundo, de uma maneira ou de outra, a celebra. O Natal é a única festa cristã que toda a gente celebra. Podemos mesmo dizer que uma das poucas coisas de que o nosso tempo gosta na Igreja é o Natal, a maior festa do mundo.
Mas, ao mesmo tempo, o Natal é a festa em que os cristãos mais resmungam. Grande parte dos cristãos passa o Natal a criticar o mundo pela forma como ele celebra o Natal. O mundo passa o Natal a comprar presentes, a comer fritos e a enfeitar árvores. Os cristãos passam o Natal a fazer exactamente o mesmo. Mas a achar que os outros, ao fazerem isso, não têm espírito de Natal.
Além disso, muitos cristãos bem intencionados desvalorizam o Natal. Eles acham que "o Natal devia ser sempre", que "Natal é quando um homem quiser" ou que "o Natal não interessa porque está destruído pelas compras e pelos banquetes". Assim, para muitos cristãos, o Natal não é a festa única que realmente é, porque deveria ser outra coisa. Tudo isto mostra que existe, sem dúvida, um mistério no Natal. Por que razão tanta gente gosta do Natal? Por que razão tantos se zangam pela forma como os outros gostam do Natal? Visto por fora, o Natal é composto pelas compras, pelos fritos, presentes e pela festa da família.
(...)
A grande maioria das pessoas que fala sobre as compras de Natal quer criticá-las. O tempo e dinheiro que se gasta nisto poderiam ser gastos de forma muito mais útil. Os presentes de Natal são uma hipocrisia sem sentido, nada significam para quem dá nem para quem recebe. Os enfeites da árvore são uma tolice que não quer dizer nada. Os fritos, esses, só fazem mal ao estômago. No fundo, estas coisas não passam de um truque capitalista para nos vir ao bolso. É difícil encontrar outra coisa tão vasta e tão influente e que, ao mesmo tempo, tantos critiquem tanto.
Mas, afinal, qual é o mal das compras, dos enfeites e dos fritos? No fundo, os presentes de Natal significam que, durante uma época do ano, nós andamos a procurar dar coisas a quem gostamos e a mostrar-lhes que gostamos deles. As festas, os jantares e os enfeites servem para nos sentirmos felizes com os outros. Tudo isso são coisas boas.
Além disso, por causa do Natal, anda tudo bem disposto, com "espírito natalício". Junta-se a família que não se vê há tempos. Somos simpáticos para os estranhos. Até damos esmo­las e presentes a desconhccidos. As empresas celebram o Natal connosco. Enfeita-se as ruas e pensa-se nos pobres. Tudo isto porque é Natal.
É claro que há muita hipocrisia, que há muito consumismo, que há muito oportunismo. Não há dúvida de que se dá brinque­dos a mais e a digestão é mais difícil. Têm razão quando dizem que frequentemente falta o verdadeiro espírito e que, além disso, deveria ser todo o ano. Mas esse mal não vem do Natal. O mal já lá estava nas pessoas. E no Natal é disfarçado, diminuído, por vezes vencido. Nós somos maus. O Natal, esse, é muito bom e até nos faz um bocadinho menos maus.
O que se passa connosco quando criticamos o Natal é que nós somos idealistas, e não realistas. Dizer que é pouco e deveria ser mais não é uma atitude cristã. O cristão sabe que sofre da mancha do pecado original e da manha da natureza humana. Se percebermos que a nossa natureza é pecadora, em vez de lamen­tarmos que só haja Natal um dia por ano, deveríamos era estar agradecidos por haver Natal.
Que no Natal, dia do nascimento de Cristo, toda a gente ande a tentar ser feliz e a ajudar os outros é uma coisa excelente. Nem sempre corre bem, mas todos fazem um esforço, por pequeno que seja. Só porque o Senhor nasceu.
Será que o Natal é mesmo a festa da família? Para perce­ber isso temos de perceber o que é a família. Não a descrição externa, que diz que a família é a célula básica da sociedade ou outras banalidades equivalentes, mas o sentido profundo e ver­dadeiro da família.
A maior força do universo é aquela que liga Deus ao Seu Verbo. Não há força mais poderosa e sublime do que aquela que une Deus a Si mesmo. Ora, quando o Verbo no-la quis ex­plicar a nós, humanos limitados, só o conseguiu dizer falando na relação entre um Pai e um Filho. O amor que une Deus a Si mesmo é um mistério insondável, indescritível, por estar muito acima da capacidade humana de entender. Mas quando Deus tentou explicar-nos isso a nós, pobres seres, só o conseguiu com referência a uma realidade bem humana: a relação filial.
(...)
Esta força que une o Pai e o Filho é uma pessoa divina. Cha­ma-se Espírito Santo.
(...)
Então, o que é ser família, hoje ou em qualquer altura? A resposta é esta: o ser humano, feito à imagem e semelhança de Deus, vive no seio da sua família uma das maiores semelhanças com o Deus Trindade. O segredo da família é o Espírito Santo. Essa Pessoa foi bem visível no Natal. Mas a manifestação do Espírito Santo no mundo é a Igreja.
(...)
O significa­do do Natal é o facto que nos revelou que Deus é, na Sua essên­cia, uma família. Os judeus conheciam bem Deus, sabiam muitas coisas sobre Ele, reveladas pelos profetas. Aquilo que Cristo nos trouxe de novidade, há 2000 anos, é algo que ninguém no mundo sabia, nem os profetas, nem os judeus: que Deus é Pai, Filho e Espírito Santo, que Deus é uma família. E, além disso, que Cris­to, para o revelar, queria constituir a Igreja. Que Deus queria fazer com os homens uma família. O que Cristo nos veio dizer, nascendo no Natal, tinha tudo a ver com a família. Assim o Natal, se o entendermos bem, é mesmo a festa da família. Porque foi com o Natal, e só com o Natal, que nós ficá­mos a saber que Deus é uma família. Foi no Natal que nasceu a Igreja, a família de Deus com os homens."
João César das Neves in Parábolas sobre Jesus

Os momentos Partilhados

Aquilo que me tocou... e ainda toca...
uma oração desajeitada...
os momentos de silêncio...
uma lareira acessa...
um rio a correr...
uma casa de memórias...
o som do vento forte...
as casas de portas e braços abertos...
um céu estrelado...
aquela guitarra e aquelas vozes...
a simplicidade dos pequenos gestos...
o medo do escuro repentino...
uma espera necessária...
um sol escancarado...
a serra vestida de branco...
o frio a entrar no corpo...
a neve solta...
aqueles cedros exuberantes...
as luzinhas ao fundo do vale...
uma surpresa a cada curva...
os olhares cumplices...
o cançaso acumulado...
os jogos mistério...
as cantorias mais ou menos afinadas...
desembrulhar dos pacotinhos...
as partidas fora de horas...
o arrepio de um toque...
a saudade de todos os momentos!

momentos eternizados...

Ainda à procura de palavras, na tentativa vã de as encontrar... sinto uma vontade imensa de deixar marca deste "pacotinho de dias", como eu lhe chamo, tanto que foi vivido e tudo com uma intensidade tal que acredito que nenhum de nós o vá conseguir esquecer algum dia!
Pequenos grandes momentos que foram partilhados e espelhados nos nossos rostos de profunda contemplação e tanta felicidade...
Mais uma vez vivi uma experiência de harmonia e verdadeira paz interior... e tudo isto porque há tanto que nos Une e que esse tanto é muito superior ao pouco que nos pode separar! Tu és aquele que nos uniu e nos continuará a unir sempre mais e mais, mesmo sem fazermos ideia do que ainda virá...
Cada lembrança, cada memória traz tanta saudade, mas também tanta alegria e deixa um sorisso sincero à nossa Alma... A verdade é que somos felizes mesmo sem nos apercebermos disso... faltam as palavras mas sobra em emoção tanta tanta que pertence talvez a uma outra dimensão que não esta em que vivemos nas correrias de todos os dias!

O peso da vida...

Fotografia de Ornella Erminio in www.olhares.com
Em cada dia, em cada momento, em cada segundo é feita uma escolha, é tomada uma decisão, é assumida uma opção... por mais ou menos inconsciente que seja, isto é o q acontece constantemente, sucessivamente... daí resultam consequências mais ou menos imediatas, mais ou menos perceptíceis, mais ou menos definitivas... é disso q se trata... de responsabilidades... de atitudes... de reflexos... de impulsos... que nos definem e desenham o nosso viver diário...
E tantas vezes nos passam ao lado... sem nos apercebermos estamos a optar, a decidir quem somos e quem queremos ser... até que um dia podemos despertar e descobrir o que o tempo decidiu por nós sem mais nem menos. Falta-nos a liberdade? De que serve tê-la se não a usarmos?

Banco do Tempo?

Fotografia de Futile in www.olhares.com

Quem é que não se queixa de falta de tempo para resolver todos os problemas do dia-a-dia? Quem é que não gostaria de poder ajudar mais os outros e de poder participar activamente na vida da sua comunidade?
Toda a gente, claro. Mas voltamos sempre à mesma questão: não há tempo. Ou melhor, não havia. Porque agora há uma forma de rentabilizar a sua boa vontade e o seu espírito solidário. Basta abrir uma conta no Banco de Tempo. Uma conta pessoal com ganhos essencialmente colectivos.
Esta ideia tem como Princípios:
1. Todos temos algo a dar e a receber: obrigatoriedade de intercâmbio. O Banco de Tempo não é uma estrutura em que se dá sem receber em troca, nem em que se recebe sem dar nada em troca.
2. Não há troca directa de serviços: o tempo prestado por um membro é-lhe retribuído por qualquer outro membro.
3. Troca-se tempo por tempo: a unidade de valor e de troca é a hora.
4. Todas as horas têm o mesmo valor: não há serviços mais valiosos do que outros, nem escalas de valor de serviços. O serviço prestado não tem de ser igual ao recebido.
5. A circulação de dinheiro só é possível para reembolso, previamente acordado, de despesas específicas e documentadas.
6. Os serviços prestados correspondem a actividades não profissionais que se realizem com gosto: a troca assenta na boa vontade, na lógica das relações de “boa vizinhança”.
E os Objectivos deste conceito são:
1. Apoiar a família e a conciliação entre a vida profissional e a vida familiar através da oferta de soluções práticas da organização da vida quotidiana.
2. Construir uma cultura de solidariedade e promover o sentido de comunidade, o encontro de pessoas que convivem nos mesmos espaços, a colaboração entre gerações e a construção de relações sociais mais humanas.
3. Valorizar o tempo e o cuidado dos outros, estimular os talentos e promover o reconhecimento das capacidades de cada um.
4. Promover a cooperação entre várias entidades públicas ou privadas.
O Banco de Tempo funciona da seguinte forma: qualquer investidor que esteja disposto a dar uma hora do seu tempo para prestar um conjunto de serviços, recebe em retribuição uma hora para utilizar em benefício próprio.
O Banco de Tempo é um banco em tudo igual aos outros. Tem agências, horário, cheques, depósitos e a particularidade de utilizar o tempo como moeda de troca.
Uma Ideia no mínimo original.... que podem aprofundar melhor em:

É Urgente!

Fotografia de Lena Queiroz in www.olhares.com
"É urgente o amor.
É urgente um barco no mar.
É urgente destruir certas palavras,
ódio, solidão e crueldade,
alguns lamentos, muitas espadas.

É urgente inventar alegria,
multiplicar os beijos, as searas,
é urgente descobrir rosas
e rios e manhãs claras.

Cai o silêncio nos ombros
e a luz impura, até doer.

É urgente o amor,
é urgente permanecer."

Eugénio de Andrade

Nostalgia

Fotografia de Pedro Moreira in www.olhares.com

Ser Realista Sem Perder o Ideal

Fotografia de Gwenaël Bollinger in www.olhares.com
"É preciso viver com os pés na terra e a cabeça no céu.
Isto é, ser realista sem perder o ideal.
Aliás, um ideal (e não um idealismo) é uma meta concreta, possível, onde se pretende chegar.
Por isso, a primeira coisa que a pessoa de ideais tem a fazer é conhecer muito bem a sua realidade.
Só conhecendo e amando essa realidade, saberá fazê-la crescer e purificá-la do que não é ideal."

Pe Vasco Pinto de Magalhães, in 'Não Há Soluções, Há Caminhos'

Dança da Alma

Fotografia de Cybelle Christina Silveira da Silva in www.olhares.com
Apetetece-me dançar... ser bailarina!
dar a mão ao vento e deixar-me levar...
assim... como uma pena leve...
que não luta contra a corrente...
mas que se deleita no seu suave deambular!
Quero! É isso que quero... porque sabe bem e me faz bem!
Respirar com a minha pele esta sensação de leveza da alma...
Apetece-me dançar... para libertar a alma e assim me entregar!

Prado florido...

Fotografia de Catía da Rocha in www.olhares.com

Coisas pequenas

Coisas pequenas são
Coisas pequenas
São tudo o que eu te quero dar
e estas palavras são, coisas pequenas
que dizem que eu te quero amar
Amar, amar, amar
só vale a pena
se tu quiseres confirmar
que um grande amor não é, coisa pequena,
que nada é maior que amar
E a hora, que te espreita, é só tua
decerto não será só a que resta,
a hora que esperei a vida toda
é esta
é esta
E a hora, que te espreita, é derradeira
decerto já bateu à tua porta
a hora que esperaste a vida inteira
é agora
é agora

Letra de Pedro Ayres Magalhães (Madredeus)

Livre caminhar

Fotografia de Rosalina Afonso in www.olhares.com

Vamos espremer este Limão?

fotografia de João Azevedo
in www.olhares.com

PIERROT - Gostava de ser como tu, pois fazes quanto queres e eu, que não quero senão a uma, essa mesma não a tenho!
ARLEQUIM - Pois quem me dera querer tanto só a uma como tu para então servi-la como a nenhuma!
PIERROT - Palavras e mais palavras! Se quisesses só a uma, como eu, deixavas logo de ser Arlequim e já não podias nada por Ela!
ARLEQUIM - Isso é o que havemos de ver! Deixa-me cá encontrar A que eu procuro. e então saberás quem é o Arlequim!
PIERROT - Procurar é fácil; pior é depois de encontrar o que se procura: torna-se impossível realizá-lo!
ARLEQUIM - Queres dizer com as tuas palavras que já encontraste o que procuravas?
PIERROT - Encontrei e não procurei: apareceu-me!
ARLEQUIM - Isso é que foi sorte, hem? Vir ter às mãos sem trabalho nenhum!
PIERROT - Foi a sorte que o quis assim.
ARLEQUIM - Mas, pelo que vejo, a sorte não te serviu de nada!
PIERROT - Ninguém te diz que a minha sorte é boa.
ARLEQUIM - Nem era necessário dizê-lo,
PIERROT - Nem boa nem má: é a sorte!
ARLEQUIM - Não digas asneiras! A sorte não existe; o que existe é a coragem!
PIERROT - Eu tenho a coragem da minha sorte!
ARLEQUIM - Tu deves ter aprendido muitas coisas aí nesse canto onde estás sempre metido.
PIERROT - Eu sei o que sei e nada mais.
ARLEQUIM - Não há dúvida; mas o que não sabes é viver! Anda daí um dia comigo e verás como sou conhecido em toda a parte por causa da minha alegria!
PIERROT - Se eles te vissem quando voltas para casa depois de teres estado por toda a parte!
ARLEQUIM- O que acontecia?
PIERROT - Veriam que tinhas deixado a alegria por toda a parte, pois que voltas para casa sem nenhuma.
ARLEQUIM - Ora, ora! Durante a noite vem sempre mais alegria para o dia seguinte.
PIERROT - E no dia seguinte voltas outra vez para casa, sem nenhuma!
ARLEQUIM - Porque a gastei! mas nessa noite torna a vir mais alegria pró dia seguinte, Vê-se mesmo que não percebes nada de alegria: se a não gastasse toda, no dia seguinte não havia alegria nova, era ainda a atrasada.
PIERROT - E é sempre assim de dia e de noite?
ARLEQUIM - Isto até fazia perder a graça toda se soubesse o dia certo em que hei-de encontrar o que procuro! E ainda te digo mais: às vezes até chego a ter pena de vir a encontrar o que procuro, tão agradável é andar a procurar! Mas diz-me lá: o que é que tu percebes de alegria?
PIERROT - Alegria é não sentir necessidade de a procurar.
ARLEQUIM - Como tu, não é verdade? Que linda alegria que tu arranjaste, não haja dúvida!
PIERROT - Eu necessito da minha tristeza para saber onde estou, e se ando triste porque a não tenho, contudo sou feliz porque a encontrei e só a Ela quero!
ARLEQUIM - Pois a alegria, cá para mim, é andar, a procurá-la! E nada de tristezas, que fazem a gente velha. A chorar ou a rir o tempo passa da mesma maneira; portanto mais vale a rir. Olha! faze como eu: vai dizendo a verdade a rir, porque ela não fica melhor se for a chorar; portanto, mais vale a rir.
PIERROT - A rir.
ARLEQUIM – A rir!... #&%@”§
ARLEQUIM - Pois se eu agarro as coisas com estas minhas mãos, e sirvo-me delas, e uso-as, e gozo-as, e gasto-as até ao fim, sem deixar perder um único pedaço, e depois não fica nada, as mãos ficam-me vazias! Vazias! Exactamente como se nunca tivessem pegado em nada deste mundo, como se não tivessem nunca feito nada, como se eu nunca tivesse tido nada nestas minhas mãos!... Quanto mais tu, que não pegas em nada, que nem sequer mãos tens, que nada experimentas, que nunca te arriscaste a entrar na realidade, que não és capaz de dar um passo para nada deste mundo!... Farto de fantasias ando eu até aos olhos! e até a minha cara se enchia de vergonha se houvesse alguma coisa que eu tivesse de aprender contigo, espantalho de trapo que não espantas nada, nem as moscas, e bem pelo contrário!
PIERROT - «Não posso compreender que Ela não seja minha se só a Ela amo e com tamanha perfeição!» Werther, de Goethe.
ARLEQUIM - Ouve lá: Ela sabe ao menos que tu existes?
PIERROT - Ouviste o que eu pensei?
ARLEQUIM - Pudera que ouvi! Parece-me que não sou surdo.
PIERROT - Só Ela não ouvirá nunca!
ARLEQUIM - Dissesses-lho tu alguma vez que Ela o ouviria!
PIERROT - Não, não o ouviria.
ARLEQUIM - Então é surda!
PIERROT - Não, não é surda.
ARLEQUIM - Então é estúpida!
PIERROT - Não, não é estúpida.
ARLEQUIM - Então é... E não querem ver esta agora? Então eu não estava a dar-te trela?! Olha: sabes o que mais? Em vez de andares a sonhar aí pelos cantos e sem fazeres nada, era bem melhor que visses a vida como ela é e te sujeitasses como toda a gente a um ofício que te desse de comer e de vestir e onde ficasses durante a noite à tua custa!
PIERROT - Sujeitar-me a um ofício, dizes tu? Eu não posso sujeitar-me senão a Ela! E que outro ofício posso ter senão amá-La?
ARLEQUIM - Nesse caso queres um conselho ? Aparece diante d'Ela nessa linda figura e então ouvirás a verdade da sua própria boca: Então já viram? Olha o lindo presente que me davam para marido!
PIERROT - Não, não irei vê-La.
ARLEQUIM - Também acho melhor .
PIERROT - Eu vou fugir para muito longe.
ARLEQUIM - Não é necessário, descansa: fica aí mesmo a sonhar. E eu vou aproveitando o melhor possível os bocados desta vida, que é só uma - ouviste bem? Que é só uma, infelizmente, mas eu hei-de espremê-la muito bem espremidinha até ao fim, e espero que não há-de ter ficado nada por fazer! Tu nunca ouviste dizer:
Quem é lobo faz como lobo, e isso conhece-se logo?
Fotografia de Alice Costa in www.olhares.com
"Um jovem foi visitar um sábio questionando-o sobre os sentimentos que tinha pela sua esposa. O sábio escutou-o e disse-lhe apenas uma coisa:
-Ame-a!
- Mas … - questionou o jovem.
- Ame-a - disse-lhe novamente o sábio.
Perante a surpresa do jovem, o sábio continuou:
- Amar é uma decisão e não um sentimento. Amar é dedicação, é verbo. O fruto dessa acção é o amor. Amor é jardinagem. Arranque as ervas daninhas, prepare o terreno, semeie, regue e seja paciente. Haverá pragas, secas e enxurradas, mas não abandone o seu jardim. Nunca! Valorize, respeite, dê afecto, ternura, admire e compreenda. Simplesmente: Ame!
A inteligência sem amor torna-te perverso.
A justiça sem amor torna-te implacável.
A diplomacia sem amor torna-te hipócrita.
O êxito sem amor torna-te arrogante.
A riqueza sem amor torna-te avarento.
A docilidade sem amor torna-te servil.
A pobreza sem amor torna-te orgulhoso.
A beleza sem amor torna-te ridículo.
A autoridade sem amor torna-te tirano.
O trabalho sem amor torna-te escravo.
A simplicidade sem amor deprecia-te.
A lei sem amor escraviza-te.
A política sem amor deixa-te egoísta.
A vida sem AMOR não tem sentido."
Anônimo

Esperando

Fotografia de Paulo Madeira in www.olhares.com

Tu que esperas?
Diz-me que esperas tu?
Estarás só à espera?
Ou pensas que sou eu que espero?
Por mais que não queira pensar... é inevitável...
Esse pensamento invade constantemente a minha mente...
E o que hei-de fazer?
Trata-se de alguma escolha?
Sabes que te escolho a ti...
Eu sei que terei de esperar... mas E eu terei o direito de te fazer esperar?
Eu acredito q é possível, apesar da espera...
Mas será que este acreditar é suficiente, só por si?
Espero que sim... espero em ti.... só por ti...

Procura-se um Amigo

Fotografia de Tiago Estima in www.olhares.com
"Não precisa ser homem, basta ser humano, basta ter sentimentos, basta ter coração.
Precisa saber falar e calar, sobretudo saber ouvir.
Tem que gostar de poesia, de madrugada, de pássaro, de sol, da lua, do canto, dos ventos e das canções da brisa.
Deve ter amor, um grande amor por alguém, ou então sentir falta de não ter esse amor.
Deve amar o próximo e respeitar a dor que os passantes levam consigo.
Deve guardar segredo sem se sacrificar.
Não é preciso que seja de primeira mão, nem é imprescindível que seja de segunda mão.
Pode já ter sido enganado, pois todos os amigos são enganados.
Não é preciso que seja puro, nem que seja todo impuro, mas não deve ser vulgar.
Deve ter um ideal e medo de perdê-lo e, no caso de assim não ser, deve sentir o grande vácuo que isso deixa. Tem que ter ressonâncias humanas, seu principal objectivo deve ser o de amigo.
Deve sentir pena das pessoa tristes e compreender o imenso vazio dos solitários.
Deve gostar de crianças e lastimar as que não puderam nascer.
Procura-se um amigo para gostar dos mesmos gostos, que se comova, quando chamado de amigo.
Que saiba conversar de coisas simples, de orvalhos, de grandes chuvas e das recordações de infância.
Precisa-se de um amigo para não se enlouquecer, para contar o que se viu de belo e triste durante o dia, dos anseios e das realizações, dos sonhos e da realidade.
Deve gostar de ruas desertas, de poças de água e de caminhos molhados, de beira de estrada, de mato depois da chuva, de se deitar no capim.
Precisa-se de um amigo que diga que vale a pena viver, não porque a vida é bela, mas porque já se tem um amigo.
Precisa-se de um amigo para se parar de chorar.
Para não se viver debruçado no passado em busca de memórias perdidas.
Que nos bata nos ombros sorrindo ou chorando, mas que nos chame de amigo, para ter-se a consciência de que ainda se vive."
Vinícius de Moraes. ('Procura-se um Amigo')

Sonha com as estrelas



“Sonha com as estrelas, apenas sonha, elas só podem brilhar no céu.
Não tentes deter o vento, ele precisa correr por toda a parte, ele tem pressa de chegar sabe-se lá onde.
As lágrimas? Não as seques, elas precisam correr na minha, na tua, em todas as faces.
O sorriso! Esse deves segurar, não o deixes ir embora, agarra-o!
Persegue um sonho, mas não o deixes viver sozinho.
Alimenta a tua alma com amor, cura as tuas feridas com carinho.
Descobre-te todos os dias, deixa-te levar pelas vontades, mas não enlouqueças por elas.
Abasteçe o teu coração de fé, não a percas nunca.
Alaga o teu coração de esperanças, mas não deixes que ele se afogue nelas.
Se achares que precisas voltar, volta! Se perceberes que precisas seguir, segue!
Se estiver tudo errado começa novamente. Se sentires saudades mata-as.
Se perderes um amor, não te percas! Se o achares, segura-o!
Circunda-te de rosas, ama, bebe e cala. O mais é nada.”

Fernando Pessoa

Pessoas Simples

Fotografia de Ana Luisa Morreira in www.olhares.com

"Ser simples é difícil. A tentação universal para complicar as coisas, aliás, tem-se revelado desastrosa ao longo dos séculos e muito daquilo que poderia ter sido sempre tão simples vai tomando proporções caóticas.
Falo da maneira como as pessoas comunicam, por exemplo. Como dizem umas às outras aquilo que pensam e sentem. Ou melhor, como dizem uma coisa e tantas vezes sentem outra. E como tudo isso pode ser tão perverso e enganador.
Ser simples é muito mais do que não ser complicado. É ser verdadeiro, é prestar atenção, é ouvir com o coração e é falar sem pretender ter sempre razão. Só uma pessoa simples é capaz de estar na vida para os outros e pelos outros e consegue fazê-lo sem se perder no essencial."
Laurinda Alves in Prefácio de 'O Príncipe e a Lavadeira'
Pessoalmente concordo plenamente com estas palavras, e ouso acrescentar que nós como pessoas complexas ou complicadas que somos temos tudo o que precisamos para sermos pessoas simples, pois já tendo esta consciência é fácil compreender que caminhar para esta simplicidade é também ele um processo por si só complexo e nunca fácil... sendo por isso mesmo um desafio ainda mais aliciante!

A ti!

Neste dia de Outono... quero te homenagiar, agradecer, dar os Parabéns!
A ti... que fizeste parte da minha vida, e continuas a fazer... hoje e para sempre!
Obrigada pelo teu exemplo...
Obrigada pelo teu Amor demonstrado cada dia da tua vida...
que mesmo sofrida, conseguiste amar, um amor sincero, verdadeiro, autêntico...
mesmo quando rejeitado, negligenciado, ingrato...
mesmo assim estiveste para dar o teu apoio, o teu auxílo, o teu sorriso, a tua força e determinação...

estejas ondes estiveres, continuas viva no meu coração!

Guardado ou prometido?

Fotografia de António Guerra in www.olhares.com


Lembro-me em criança de ficar a imaginar como seria um dia quando fosse “crescida”, e por vezes ainda me transporto para essas lembranças... e dou-me conta de que nesses tempos a imaginação era mais livre, mais saborosa, mais verdadeira... tudo era tão simples... comentava para mim e para as minhas amigas: “quando for adulta não quero ser como os adultos que eu vejo, quero continuar a pensar como criança!”
E hoje, olho para mim e vejo que ainda penso como criança, mas num mundo que não me quer deixar pensar nem ser assim... será que vou ceder só porque sim? Não quero... porque a realidade é o que nós fizermos dela...
Para a minha realidade não quero regras, não quero comentários, não quero preconceitos que só nos paralizam a alma, quero viver o que nos é dado a viver e amar com todas as minhas células, ser feliz e levar alegria e amor aos outros!
Será que não vale o desafio? Que tal partir nesta viagem?
Já tenho o bilhete nas mãos! E tu, vens neste comboio? Ou ainda estás a contar os trocos?
Mas... não precisas!... eu tenho um bilhete para ti... especialmente para ti... com o teu nome... desenhado por mim!

os olhos da alma...

Fotografia de Miguel Andrade in www.olhares.com


"O olhar é algo que caracteriza uma pessoa, como se de uma impressão digital se tratasse... algo inconfundivel... uma marca de nós próprios que quem nos conhece jamais confunde!
Cada olhar nosso exprime um sentimento, uma emoção vivida ou, por vezes, perdida para sempre!
Num olhar encontramos conforto, um abrigo... num olhar revemos uma vida que outros olhos tiveram o prazer de ver... num olhar procuramos cumplicidade, algo que nos diga que naquele exacto momento, estamos onde deveriamos estar, qualquer que tenha sido o caminho que nos levou a esse momento..."
Miguel Andrade

Assim é

Fotografia de Mariani Malinowski in www.olhares.com


Há silhuetas assim... belas... que nos apaixonam!
Há momentos assim... que falam... só por si... sem pedir explicação!
Há caminhos assim... que se fazem... que têm de se fazer...
mesmo que não saibamos onde nos irão levar!
Contigo é assim... e por ti me deixo ir!
é assim desde que te conheci...
e é assim cada vez que te encontro ...!