21 Fevereiro 2008

Pára e admira calmamente aquilo que te rodeia. Sem contemplação a vida é uma mera existência.


















16 Fevereiro 2008

PARA ATRAVESSAR CONTIGO O DESERTO DO MUNDO

Foto de Bruno Almeida in olhares.com



Para atravessar contigo o deserto do mundo
Para enfrentarmos juntos o terror da morte
Para ver a verdade para perder o medo
Ao lado dos teus passos caminhei

Por ti meu reino meu segredo
Minha rápida noite meu silêncio
Minha pérola redonda e seu oriente
Meu espelho minha vida minha imagem
E abandonei os jardins do paraíso

Cá fora à luz sem véu do dia duro
Sem os espelhos vi que estava nua
E ao descampado se chamava tempo

Por isso com teus gestos me vestiste
E aprendi a viver em pleno vento

SOPHIA DE MELLO BREYNER (1919 - 2004)

09 Fevereiro 2008

A felicidade exige valentia.


Foto de Bigmac in olhares.com

"Posso ter defeitos, viver ansioso e ficar irritado algumas vezes mas, não
esqueço de que minha vida é a maior empresa do mundo, e posso evitar que ela vá à falência.
Ser feliz é reconhecer que vale a pena viver apesar de todos os desafios, incompreensões e períodos de crise. Ser feliz é deixar de ser vítima dos problemas e se tornar um autor da própria história.
É atravessar desertos fora de si, mas ser capaz de encontrar um oásis no recôndito da sua alma.
É agradecer a Deus a cada manhã pelo milagre da vida. Ser feliz é não ter medo dos próprios sentimentos. É saber falar de si mesmo. É ter coragem para ouvir um "não". É ter segurança para receber uma crítica, mesmo que injusta.
Pedras no caminho?
Guardo todas, um dia vou construir um castelo..."

Fernando Pessoa - 70º aniversário da sua morte

07 Fevereiro 2008


Foto de Zélia Paulo Silva in olhares.com

Quando os mundos se cruzam e a subtil fronteira entre eles nos perturba os sentidos... pensando estarmos a seguir o que os olhos nos dizem... descobrimos, e o corpo apercebe-se que a realidade é um pouco diferente... como reagimos a essa Surpresa inesperada? Lutamos com o choque que se depara à nossa presença? Abraçamos o inesperado como uma nova oportunidade de aprendizagem contínua?


O quanto as nossas expectativas nos podem trair...

26 Julho 2007

Saudades


Fotografia de João Henriques in olhares.com

Saudades...
do que vivi...
do que não vivi...
tempo que corre veloz...
e demora tanto a passar!
o sonho?
Esse vai baloiçando... tonto
nas ondas ora da realidade ora da imaginação!
Enebriante...
confusão de sentidos,
que dá ritmo ao bater do mesmo coração...
Saudades... sempre... em mim

16 Julho 2007

Plumeria alba



A subtileza da natureza revela-se nas coisas mais simples, que são em si plenas de beleza... beleza ao olhar, beleza ao sentir, beleza ao conhecer!
Simples e Belo deve ser também o nosso caminho, não só na chegada mas especialmente ao longo do seu percorrer... não nos deixe-mos cegar com pormenores insignificantes que nos tapam a visão do destino para o qual caminhamos...

03 Julho 2007

morada incerta



Fotografia de Geoffroy Demarquet in olhares.com

"Muitos dos que têm morada certa passam pela existência sem nunca percorrer as avenidas do seu próprio ser. São forasteiros para si mesmos. Por isso são incapazes de corrigir as suas rotas e superar as suas loucuras."

Augusto Cury

21 Junho 2007

Casca

Continuamos a tratar da casca

Continuamos a moldar a casca

Continuamos a remar de costas

E a provar águas quase mortas

E a viver ruas já pisadas

E a levar pedras já usadas

Num saco meio roto

Num saco meio morto

Tentamos não manchar a casca

Para fazer brilhar a casca

Tentamos não parar de costas

Tentamos não falhar respostas

Que nunca nos vejam de fora!!

É para nós que o mundo adora

Passos de dança no chão

É para nós que os olhos olham.

Fingimos não pensar na casca

Tentamos perdoar a casca

Separamos bem e mal

Quando se inspira o real

E se queima o que é vida

Mais uma hora despida

Onde águas não escorrem

E mágoas não morrem

Para quê tirar retratos?

Para quê limpar os fatos?

Para caber na moldura

Não ligar a ruptura

Mandar calar o pó

Deixar ficar o nó

Partir mais uma corda

Expulsar mais uma nódoa

Tentamos disfarçar demónios

Por medo desviamos olhos

Por fuga apagamos fogos

Por escudos renascemos novos

Sem rasto esquecemos lábios

Altivos, rastejamos, sábios

Cada vez mais fundo

No buraco do mundo

Com força agarra-se a casca

Que é só o que nos resta

Que o mastro derreteu

Mais tudo encolheu

Quisemos testar barreiras

E construímos teias

Difíceis de romper

E aqui ficamos presos...na casca.

Casca é tempo que dói

É janela fechada que estilhaça

quando se olha para tras..

Vento é o que bate na cara

É só largar a casca!!

Não se olha para trás!



By Toranja

07 Junho 2007

Cada palavra é uma semente...

Fotografia de Tiago Estima in olhares.com

“Como é que poderemos definir o nosso tempo? Qual é o factor que o unifica e o distingue? Claro que é uma época de grandes contradições. Na verdade, atingimos um desenvolvimento tecnológico que era impensável há vinte anos atrás e um subdesenvolvimento - ou melhor, uma degradação ética - igualmente insuspeitável.
Vivemos na época das antinomias. Do máximo bem estar e da maior insatisfação, da extrema segurança e dos medos incontroláveis, das sofisticadíssimas comunicações planetárias e da incapacidade total de comunicar entre as pessoas.
O nosso tempo é um tempo ditatorialmente democrático, é o tempo do domínio absoluto do ruído, do alarido, dos gritos, da desarmonia sonora que já atinge e envolve os seres humanos de todos os povos e de todas as condições sociais.
Sim, se tenho de pensar num factor unificador da nossa época, é justamente o alarido.
O silêncio morreu e, ao desaparecer, arrastou consigo tudo o que constitui a base do ser humano. Não há silêncio no ar à nossa volta, não há silêncio nos espíritos, nos corações. A ausência de silêncio é o triunfo daquilo a que todas as tradições orientais chamam «o macaco» - o nosso espírito - que gera ruídos, grita por causa de uma sombra,s e agita, salta, faz alarido para abafar o alarido dos outros.
O macaco gera um turbilhão constante de impressões, opiniões, alarmes, um rio a transbordar que faz gorar qualquer tentativa de criar, no espírito e no coração, uma estabilidade e uma ordem verdadeiras.
O alarido incomoda-nos. Consultando o dicionário, descobrimos que «incomodar» significa: estorvar, impedir, obstar, desviar, distrair.
Sim, há sempre alguém ou alguma coisa que quer desviar-se do silêncio, evitar que contemplemos a nossa realidade mais profunda, impedir que dessa realidade nasça e cresça a nossa evolução como pessoas.
«O que a irrigação é para as plantas, é o silêncio para o aumento do conhecimento» escrevia Isaac de Ninive no século VI d.e. De facto, sem silêncio, não posso conhecer-me, não posso conhecer o outro. Sem silêncio, não posso abeirar-me da fonte do saber.
Mas de onde vem o alarido? Porque é que não há força que consiga contê-lo?
Se quero plantar uma árvore no fim do Inverno, costumo preparar o terreno no início do Outono. Há sempre um factor determinante que contribui para o nascimento e a evolução de um acontecimento novo. Por isso o século xx, com o seu rasto trágico de ideologias, niilismo, guerras e extermínios, semeou no novo milénio a bomba-relógio do relativismo ético.
O bem e o mal já não são valores reconhecíveis colectivamente, são derivas do sentimentalismo individual. Se o bem não existe em si, passa a ser bem o que me agrada, o que me satisfaz, e, por conseguinte, mal é aquilo de que não gosto, o que me inquieta, me faz sentir mal.
Graças ao relativismo ético, a nossa sociedadl; renunciou à sua função educativa. A família não educa, a escola não educa, o contexto civil não educa.
De facto, educar significa conduzir, apontar um caminho, mas, para isso, haveria que saber o rumo a seguir. Como se pode apontar um caminho, se a vida é um vaguear sem destino, se não há limites a respeitar, horizontes a atingir? Portanto, mais vale confiar no acaso, a bondade natural do ser humano fará o seu papel e do resto tratarão os acontecimentos com que iremos deparar que nunca serão bons, nem maus e de que, além do mais, não seremos minimamcnte responsáveis.
A tarefa principal dos pais modernos parece; ser apenas a de não criarem obstáculos (que poderiam provocar traumas incuráveis), não estabelecerem limites (para não correrem o risco de cortar as assas à natural criatividade infantil). Pensa-se que será a sabedoria inata da criança a fazê-la escolher o caminho que a levará a realizar-se da melhor forma.
Há um belíssimo provérbio africano que diz: «Para se educar uma criança, é preciso uma aldeia inteira.»
E é mesmo assim, precisa-se da variedade e da diversidade das relações e, ao mesmo tempo, da coesão de uma comunidade que respeita e faz respeitar as suas leis.
Talvez seja por isso que a acanhada família mononuclear, apesar de todos os seus cuidados e subtilezas pedagógicas, gera, na maior parte dos casos, crianças eternas, capazes de conjugar até ao infinito um único e importuno verbo: «Eu quero». E ninguém reparou - ou melhor, ninguém quis reparar - que, entretanto, o provérbio africano foi assumido a nível planetário. Só que já não é o conjunto dos parentes - ou seja, o contexto social feito de pessoas, rostos, histórias humanamente compreensíveis - que educa, mas a anónima e poderosíssima e subtilmente perversa aldeia global.
Perante a abulia educativa dos pais, perante a apatia da escola e a ausência de um grupo formativo, a comunidade educadora passa automaticamente a ser a que é constituída pelo rosto opaco dos mass media, da grande antena que domina e envolve os nossos dias com o seu constante grasnar.
É ela que nos diz no que devemos acreditar e o que devemos desprezar, o que escandaliza e o que, pelo contrário, deve merecer o nosso aplauso. É ela que nos impõe a certeza de que, sem a posse de alguns objectos determinados, resvalaremos para o grande mar dos zés-ninguéns. Como é natural, tudo acontece de uma forma democrática, desprovida de obrigações. Na verdade, para evitar rebeliões, temos de estar convencidos de que somos sempre nós - e só nós - que escolhemos. Mas será mesmo assim?”



in Cada palavra é uma semente de Susanna Tamaro

28 Maio 2007

A Vida não Pára!


Mesmo quando o tudo pede um pouco mais de calma
Até quando o corpo pede um pouco mais de alma
A vida não pára

Enquanto o tempo acelera e pede pressa
Eu me recuso faço hora vou na valsa
A vida é tão rara

Enquanto todo mundo espera a cura do mal
E a loucura finge que isso tudo é normal
Eu finjo ter paciência

O mundo vai girando cada vez mais veloz
A gente espera do mundo e o mundo espera de nós
Um pouco mais de paciência

Será que é o tempo que lhe falta pra perceber
Será que temos esse tempo pra perder
E quem quer saber
A vida é tão rara (tão rara)

Mesmo quando tudo pede um pouco mais de calma
Mesmo quando o corpo pede um pouco mais de alma
Eu sei, a vida não para

Paciência By Lenine

... mas podemos aprender a saboreá-la... mas sobretudo valorizá-la:D

para curiosos: http://www.youtube.com/watch?v=HZnvUNVkKfY

27 Maio 2007

Memories



Memories Mayor Mente

In this world you tried
Not leaving me alone behind
There's no other way
I'll pray to the gods let him stay
The memories ease the pain inside,
Now I know why

All of my memories keep you near
In silent moments
Imagine you be'd here.
All of my memories keep you near,
Your silent whispers, silent tears

Made me promise I'd try
To find my way back in this life
I hope there is a way
To give me a sign you're okay
Reminds me again it's worth it all
So I can go home

All of my memories keep you near
In silent moments
Imagine you be'd here
All of my memories keep you near
Your silent whispers, silent tears

Together in all these memories
I see your smile
All the memories I hold dear
Darling, you know I'll love you
till the end of time

All of my memories keep you near
In silent moments,
Imagine you be'd here
All of my memories keep you near,
Your silent whispers, silent tears

All of my memories...

By Within Temptation

16 Maio 2007

Try

When you down...you can singing with me!
When you cry...why don't you give it a try?
When you down...try any song...
Nothing's rigth...noting's wrong!

25 Abril 2007

O valor das coisas

in BaLeaL
O valor das coisas não está no tempo que elas duram,
mas na intensidade com que acontecem.
Por isso existem momentos inesquecíveis,
coisas inexplicáveis
e pessoas incomparáveis.

Fernando Pessoa

23 Abril 2007

de alma plena...

um pequeno paraíso chamado Baleal... um cantinho do nosso portugal de uma beleza indiscritível... o imenso mar a perder de vista que nos faz sentir leves e transmite paz à alma dos que nele deixam o olhar repousar e divagar... devagar, muito devagar e com tempo para poder deixar-nos levar apenas pelos sentidos e nos entregar-mos por inteiro.
...a ti o meu amor!

17 Abril 2007

Lugares

Fotografia de Joaquim Santos in olhares.com
Existem Lugares onde tudo é possível, onde longe do nosso pequeno mundo nos damos à liberdade de novas sensações, onde as mesmas coisas que vemos todos os dias ganham outra cor, onde os dias ganham outra luz e uma música entoa dentro do nosso ser sem cessar, e nos contagia, a mim, a ti e também aos outros, que nos dá ânimo, que nos dá vida...

Existem Lugares onde nos transportamos ao passado e ao futuro... onde nos questionamos... onde nos damos conta do que somos e do que queremos ser... onde aprendemos a saborear o presente aqui e agora... onde cuidamos das nossas feridas... onde sonhamos o amanhã... onde eu te encontro... onde eu me encontro... e onde eu deixo que tu me encontres...

Esse Lugar existe... dentro de nós mesmos, sem ser preciso ir muito longe... mas muitas vezes é lá bem longe onde o encontramos... mesmo sem o procurar...

Penso em ti, penso em nós

30 Março 2007

segue-se um tempo de paragem...

22 Março 2007

Q u e r o - t e

Fotografia de Negateven in olhares.com

17 Março 2007

Fotografia de Sónia in olhares.com

Ensina pelo exemplo
Vive com simplicidade
Pensa com rapidez
Trabalha com afinco
Luta com honestidade
com generosidade
Ri com alegria
Ama profundamente

25 Fevereiro 2007

Tão perto e tão longe...

Fotografia de Ricardo Tavares in olhares.com
Tão perto mas ao mesmo tempo tão longe... tanto que queremos alcançar mas que por vezes nos parece de tal modo inacessível que a nossa força e fé parecem fraquejar contra a nossa vontade... mesmo assim acredito que é nesses momentos que descobrimos os nossos verdadeiros limites, uma força maior que as nossas forças e descobrimos que se lutarmos temos tudo para conseguir ser e alcançar o que desejamos e que nos faz feliz. Só é preciso não nos deixarmos vencer pelas derrotas que possam aparecer no caminho...

10 Fevereiro 2007

O que vêem nesta mão?

Fotografia de Luís M. Gomes in olhares.com

Dedos de uma mão, de uma mão estendida, estendida para cima...
O que vêem nesta mão?
Mão que dá? Mão que recebe? Mão que quer? Mão que espera? Mão que se estende a quem a vier buscar? Mão que pede? Mão vazia? Mão cheia? Cheia de vontade? Cheia de pedidos? Cheia de Medos? Cheia de Dúvidas? Cheia de esperança? Cheia de defesas? Cheia de amor? Cheia de incertezas? Cheia de humildade? Cheia de querer? Cheia de coragem? Uma mão que se estende a todos nós todos os dias.... Mão nossa, Mão alheia, Mão humana que muda a sua história todos os dias... umas vezes é Mão que dá, mão cheia... outras vezes é Mão vazia que recebe...
Que todos nós tenhamos a humildade de saber ser todas estas mãos quando for tempo de as ser!

08 Fevereiro 2007

Coração Polar


Fotografia de L Du Lac in olhares.com

Não sei de que cor são os navios
quando naufragam no meio dos teus braços
sei que há um corpo nunca encontrado algures no mar
e que esse corpo vivo é o teu corpo imaterial
a tua promessa nos mastros de todos os veleiros
a ilha perfumada das tuas pernas
o teu ventre de conchas e corais
a gruta onde me esperas
com teus lábios de espuma e de salsugem
os teus naufrágios
e a grande equação do vento e da viagem
onde o acaso floresce com seus espelhos
seus indícios de rosa e descoberta.

Não sei de que cor é essa linha
onde se cruza a lua e a mastreação,
mas sei que em cada rua há uma esquina
uma abertura entre a rotina e a maravilha.

Há uma hora de fogo para o azul
a hora em que te encontro e não te encontro
há um ângulo ao contrário
uma geometria mágica onde tudo pode ser possível
há um mar imaginário aberto em cada página
não me venham dizer que nunca mais
as rotas nascem do desejo
e eu quero o cruzeiro do sul das tuas mãos
quero o teu nome escrito nas marés
nesta cidade onde no sítio mais absurdo
num sentido proibido ou num semáforo
todos os poentes me dizem quem tu és.

Manuel Alegre (1936) in Poemas de Amor

07 Fevereiro 2007

Piano (Michael Nyman)

Para quem viu, fica aqui uma pequena lembrança de um Filme perturbador mas muito belo...
para quem não viu... pode ser esta uma pontinha que desperte alguma curiosidade...
A música é... perfeita... capaz de conter tantos sentimentos quantos os que o filme pretende mostrar... e não é preciso muito mais do que isso... quando o silêncio da voz dá lugar a uma melodia do coração...
Conseguem ouvir sem parar?

06 Fevereiro 2007

Si Conocieras el Don de Dios

Fotografia de Alba Luna in olhares.com

Si conocieras como te amo, si conocieras como te amo
dejarias de vivir sin amor,
si conocieras como te amo, si conocieras como te amo
dejarias de mendigar cualquier amor,
si conocieras como te amo, como te amo
Serias mas feliz.

Si conocieras como te busco, si conocieras como te busco
Dejarias que te alcanzara mi voz ,
si conocieras como te busco, si conocieras como te busco
dejarias que te hablara al corazon,
si conocieras como te busco, como te busco
escucharias mas mi voz.

Si conocieras como te sueño, si conocieras como te sueño
Me preguntarias lo que espero de ti,
si conocieras como te sueño, si conocieras como te sueño
buscarias lo que he pensado para ti,
si conocieras como te sueño, como te sueño
Pensarias mas en mi.

(Si Conocieras el Don de Dios) Música de Hermana Glenda

05 Fevereiro 2007

...

Fotografia de Geoffroy Demarquet in olhares.com

Há dias em que nos sentimos pequeninos, muito pequeninos... em que nos sentimos extremamente vulneráveis e mesmo não querendo tornamo-nos susceptíveis a qualquer "ameaça" exterior... sem forças para encontrar a Força dentro de nós... mesmo sabendo que ela existe algures...

02 Fevereiro 2007

Um Lugar sem tempo marcado

Fotografia de Paulo César in olhares.com

30 Janeiro 2007

Sou...

Fotografia de Ricardo Carioca in olhares.com
Contornos de Sombra e de Luz, que modelam um Corpo... por vezes Frio... por vezes... Quente.. mas que sente sempre, tem Vida... não se contenta... não se sacia... é exigente e reclama cumprir os seus Desejos mais verdadeiros!

29 Janeiro 2007

Nova imagem!

Imagem de Armando F. Sousa in olhares.com

Para marcar uma nova imagem deste espaço,
onde as palavras caem, por vezes, soltas como folhas de uma árvore,
podendo ser levadas ao sabor das vontades de cada um...
Até breve... :)

22 Janeiro 2007

mistério!

Fotografia de Le Borgne in www.olhares.com

19 Janeiro 2007

simples?

Desenho de Rimfrost
... Encantamento...
D e c l a r a ç ã o ?
P r o p o s t a ?
S u g e s t ã o ?
L o u c u r a ?
V o n t a d e?
D e s e j o ?
C o n v i te ?
D e s a f i o?

18 Janeiro 2007

o l h o s d o s e n t i r

Fotografia de Maria João Miguel in www.olhares.com
É preciso tacto para saber ler nas entrelinhas da vida...
Só assim se pode ver com verdadeiros olhos de ver,
E muito mais do que apenas olhar, é preciso aprender a ver...
E ver significa ver com os olhos do sentir, da alma e do coração!
Para todos nós que desperdiçam cada momento em que em vez de ver as coisas com verdadeiros olhos, apenas deixam pousar o olhar nessas tantas coisas...

14 Janeiro 2007

Amanhã é sempre um novo dia!

Fotografia de David Felix in www.olhares.com

O amanhã está perto, tão perto!... e com ele vem a oportunidade de mais um dia inteirinho para fazer tudo o que podemos fazer, e ainda o que podemos duvidar sermos capazes de fazer...
Confuso? Pode até ser! Mas muito depende só de nós...
Claro que é mais fácil acreditar nisto naqueles dias em que tudo faz sentido, em que os problemas e as dificuldades parecem não existir... mas é mesmo nos outros dias, nesses em que a vontade é escassa e só queremos que o dia passe o mais rápido possível, de preferência sem nos dar-mos conta dele, que é fundamental acreditar no dom de cada dia!
Dias de sol, dias cinzentos, dias de chuva , dias de calor e dias de frio, todos os dias são bons dias, são novos dias! Dias banais, dias de festa, dias decisivos, dias surreais, todos os dias são dias para recomeçar, para continuar com planos antigos, há muito deixados na gaveta das nossas memórias passadas... nessas gavetas devemos apenas deixar os nossos receios, medos e fantasmas... e tudo aquilo que nos impede de avançar para o caminho que sonhamos para nós!
Amanhã começa um novo dia... que parecia não querer chegar... mas que sempre chega... enquanto acreditarmos que chegará... agora só resta abandonar-me e entregar-me a esse dia... e a todos os que com ele virão...
As palavras de ordem são muitas... mas mais do que tudo é preciso nunca deixar de acreditar!

09 Janeiro 2007

salto... ou... não salto?

Fotografia de Justino de Oliveira e Silva in www.olhares.com

"Toda a gente há-de ter notado o gosto que têm os gatos de parar e andar a passear entre os dois batentes de uma porta entreaberta. Quem há aí que não tenha dito a algum gato: «Vamos! Entras ou não entras?» Do mesmo modo, há homens que num incidente entreaberto diante deles, têm tendência para ficar indecisos entre duas resoluções, com o risco de serem esmagados, se o destino fecha repentinamente a aventura. Os prudentes em demasia, apesar de gatos ou porque são gatos, correm algumas vezes maior perigo do que os audaciosos."
Victor Hugo, in 'Os Miseráveis'

02 Janeiro 2007

May it Be

Fotografia de Luís Miguel Carneiro Valente in www.olhares.com

May it be an evening star
Shines down upon you
May it be when darkness falls
Your heart will be true
You walk a lonely road
Oh! How far you are from home

Mornie utúlië (darkness has come)
Believe and you will find your way
Mornie alantië (darkness has fallen)
A promise lives within you now

May it be the shadows call
Will fly away
May it be you journey on
To light the day
When the night is overcome
You may rise to find the sun


ENYA

Loucura

Fotografia de Vitor Hugo Sacadura in www.olhares.com

"Há sempre alguma loucura no amor. Mas há sempre um pouco de razão na loucura" Nietzsche

31 Dezembro 2006

novo ano à vista

Fotografia de EA in www.olhares.com

Chega ao fim mais um ciclo de 365 dias que preenchem o calendário de mais um ano. Este ano, como todos os outros, está replecto de memórias, de crescimento, de progressos, de inovações, de descobertas, mas também de alguns enganos, de erros, de crueldades, de injustiças. No entanto quero acreditar que há um sentido maior que prevalece, que nos diz que vale a pena continuar a sonhar, e ainda mais, que vale a pena arriscar os nossos sonhos, que eles têm uma razão de ser, que é isso que faz o mundo continuar a girar, mesmo que às vezes seja mais devagar do que desejariamos. Claro que todos nós temos um papel importante neste girar do nosso mundo, todos nós temos a responsabilidade em mãos e é este compromisso que devemos respeitar e cumprir para que o próximo ano possa ser um pouco melhor do que o anterior... Nesta época do ano torna-se quase inevitável repensar as nossas atitudes, comportamentos e pensamentos, chega a nostalgia do que passou, do que foi e do que poderia ter sido. Esboçam-se novas estratégias e afinam-se as prioridades... afinal já passou mais um ano e no final já somos um bocadinho diferentes daquilo que éramos no início do ano, muita coisa aconteceu, novas pessoas surgem na nossa vida enquanto que outras saem sorrateiramente, descobrimos novos interesses, novas qualidades e habilidades, percebemos um pouco melhor do que se passa à nossa volta e percebemos qual o nossso contributo para o mundo, para a sociedade, para os que estão mais próximos de nós e para aqueles que não conhecemos... Claro que surgem novas dúvidas, novos desafios que irão continuar a moldarnos ao longo do ano que se aproxima! Assim resta-me desejar a todos um excelente ANO NOVO, que consigam realizar os vossos sonhos e se se realizem pessoalmente!

28 Dezembro 2006

Cinderela

Eles dão duas crianças
a viver esperanças, a saber sorrir.
Ela tem cabelos louros,
ele tem tesouros para repartir.
Numa outra brincadeira
passam mesmo à beira sempre sem falar.
Uns olhares envergonhados
e são namorados sem ninguém pensar.

Foram juntos outro dia,
como por magia, no autocarro, em pé.
Ele lá lhe disse, a medo:
'O meu nome é Pedro e o teu qual é?'
Ela corou um pouquinho
e respondeu baixinho: 'Sou a cinderela'.
Quando a noite o envolveu
ele adormeceu e sonhou com ela...

Então
Bate, bate coração
Louco, louco de ilusão
A idade assim não tem valor.
Crescer
vai dar tempo p'ra aprender,
Vai dar jeito p'ra viver
O teu primeiro amor.
Cinderela das histórias
a avivar memórias, a deixar mistério
Já o fez andar na lua,
no meio da rua e a chover a sério.
Ela, quando lá o viu,
encharcado e frio, quase o abraçou.
Com a cara assim molhada
ninguém deu por nada, ele até chorou...
Então ...
E agora, nos recreios,
dão os seus passeios, fazem muitos planos.
E dividem a merenda,
tal como uma prenda que se dá nos anos.
E, num desses momentos,
houve sentimentos a falar por si.
Ele pegou na mão dela:
'Sabes Cinderela, eu gosto de ti...'
Letra e Música de Carlos Paião
fotografia de Dragonfly in www.olhares.com

27 Dezembro 2006

Como seria a comunicação sem falar?

Fotografia de Graça in www.olhares.com

"Como seria a comunicação sem falar?
Primeiro o olhar, o encontro sedutor e misterioso dos olhos, depois o sorriso, mas não muito aberto, apenas o suficiente para dizer sim.
De seguida o passo em frente, aquele que provoca ansiedade, que nos corta a respiração, o que faz parar o tempo, o que apaga o resto do mundo.
De novo o sorriso, agora largo e franco deixando tudo o que seja dele entrar em mim e, então timidamente, o primeiro toque, o primeiro abraço, o mergulho no conforto, na segurança.
E só aí aparece, pela priveira vez, a sensação de dois num só!"

Teresa Sampaio

24 Dezembro 2006

Espírito de Natal


É quando a noite se torna canção
e todos cantam num só coração.
É quando os olhos se lavam em fervor
que o amor é a razao de viver.
E pela paz, somos iguais.
E todos somos crianças outra vez.
Hora de dar e receber
e de abraçar toda gente que apadecer.
É quando a noite se enche de luz
e o amor pro natal nos conduz.
Os homens ficam crianças e então
Todos dividem a mesma emoção
de viver num carrossel
E a estrela guia à brilhar lá no céu
Noite feliz, noite de paz
feche os seus olhos, teus sonhos serão reais.

Música Popular
Saboreia e vive o verdadeiro espírito deste Natal.
Que o Natal seja a descoberta de uma Presença de Alegria e Paz em cada dia do Novo Ano.
Que Jesus nasça no coração de todos nós.
É o meu desejo sincero para todos, e em especial àqueles que em algum momento passaram pela minha vida.
Alegria, sorrisos e muitos Beijinhos Natalescos

18 Dezembro 2006

Afinal o que é o Natal?

"O Natal é a festa mais influente, importante e motivadora do mundo. Todo o mundo, de uma maneira ou de outra, a celebra. O Natal é a única festa cristã que toda a gente celebra. Podemos mesmo dizer que uma das poucas coisas de que o nosso tempo gosta na Igreja é o Natal, a maior festa do mundo.
Mas, ao mesmo tempo, o Natal é a festa em que os cristãos mais resmungam. Grande parte dos cristãos passa o Natal a criticar o mundo pela forma como ele celebra o Natal. O mundo passa o Natal a comprar presentes, a comer fritos e a enfeitar árvores. Os cristãos passam o Natal a fazer exactamente o mesmo. Mas a achar que os outros, ao fazerem isso, não têm espírito de Natal.
Além disso, muitos cristãos bem intencionados desvalorizam o Natal. Eles acham que "o Natal devia ser sempre", que "Natal é quando um homem quiser" ou que "o Natal não interessa porque está destruído pelas compras e pelos banquetes". Assim, para muitos cristãos, o Natal não é a festa única que realmente é, porque deveria ser outra coisa. Tudo isto mostra que existe, sem dúvida, um mistério no Natal. Por que razão tanta gente gosta do Natal? Por que razão tantos se zangam pela forma como os outros gostam do Natal? Visto por fora, o Natal é composto pelas compras, pelos fritos, presentes e pela festa da família.
(...)
A grande maioria das pessoas que fala sobre as compras de Natal quer criticá-las. O tempo e dinheiro que se gasta nisto poderiam ser gastos de forma muito mais útil. Os presentes de Natal são uma hipocrisia sem sentido, nada significam para quem dá nem para quem recebe. Os enfeites da árvore são uma tolice que não quer dizer nada. Os fritos, esses, só fazem mal ao estômago. No fundo, estas coisas não passam de um truque capitalista para nos vir ao bolso. É difícil encontrar outra coisa tão vasta e tão influente e que, ao mesmo tempo, tantos critiquem tanto.
Mas, afinal, qual é o mal das compras, dos enfeites e dos fritos? No fundo, os presentes de Natal significam que, durante uma época do ano, nós andamos a procurar dar coisas a quem gostamos e a mostrar-lhes que gostamos deles. As festas, os jantares e os enfeites servem para nos sentirmos felizes com os outros. Tudo isso são coisas boas.
Além disso, por causa do Natal, anda tudo bem disposto, com "espírito natalício". Junta-se a família que não se vê há tempos. Somos simpáticos para os estranhos. Até damos esmo­las e presentes a desconhccidos. As empresas celebram o Natal connosco. Enfeita-se as ruas e pensa-se nos pobres. Tudo isto porque é Natal.
É claro que há muita hipocrisia, que há muito consumismo, que há muito oportunismo. Não há dúvida de que se dá brinque­dos a mais e a digestão é mais difícil. Têm razão quando dizem que frequentemente falta o verdadeiro espírito e que, além disso, deveria ser todo o ano. Mas esse mal não vem do Natal. O mal já lá estava nas pessoas. E no Natal é disfarçado, diminuído, por vezes vencido. Nós somos maus. O Natal, esse, é muito bom e até nos faz um bocadinho menos maus.
O que se passa connosco quando criticamos o Natal é que nós somos idealistas, e não realistas. Dizer que é pouco e deveria ser mais não é uma atitude cristã. O cristão sabe que sofre da mancha do pecado original e da manha da natureza humana. Se percebermos que a nossa natureza é pecadora, em vez de lamen­tarmos que só haja Natal um dia por ano, deveríamos era estar agradecidos por haver Natal.
Que no Natal, dia do nascimento de Cristo, toda a gente ande a tentar ser feliz e a ajudar os outros é uma coisa excelente. Nem sempre corre bem, mas todos fazem um esforço, por pequeno que seja. Só porque o Senhor nasceu.
Será que o Natal é mesmo a festa da família? Para perce­ber isso temos de perceber o que é a família. Não a descrição externa, que diz que a família é a célula básica da sociedade ou outras banalidades equivalentes, mas o sentido profundo e ver­dadeiro da família.
A maior força do universo é aquela que liga Deus ao Seu Verbo. Não há força mais poderosa e sublime do que aquela que une Deus a Si mesmo. Ora, quando o Verbo no-la quis ex­plicar a nós, humanos limitados, só o conseguiu dizer falando na relação entre um Pai e um Filho. O amor que une Deus a Si mesmo é um mistério insondável, indescritível, por estar muito acima da capacidade humana de entender. Mas quando Deus tentou explicar-nos isso a nós, pobres seres, só o conseguiu com referência a uma realidade bem humana: a relação filial.
(...)
Esta força que une o Pai e o Filho é uma pessoa divina. Cha­ma-se Espírito Santo.
(...)
Então, o que é ser família, hoje ou em qualquer altura? A resposta é esta: o ser humano, feito à imagem e semelhança de Deus, vive no seio da sua família uma das maiores semelhanças com o Deus Trindade. O segredo da família é o Espírito Santo. Essa Pessoa foi bem visível no Natal. Mas a manifestação do Espírito Santo no mundo é a Igreja.
(...)
O significa­do do Natal é o facto que nos revelou que Deus é, na Sua essên­cia, uma família. Os judeus conheciam bem Deus, sabiam muitas coisas sobre Ele, reveladas pelos profetas. Aquilo que Cristo nos trouxe de novidade, há 2000 anos, é algo que ninguém no mundo sabia, nem os profetas, nem os judeus: que Deus é Pai, Filho e Espírito Santo, que Deus é uma família. E, além disso, que Cris­to, para o revelar, queria constituir a Igreja. Que Deus queria fazer com os homens uma família. O que Cristo nos veio dizer, nascendo no Natal, tinha tudo a ver com a família. Assim o Natal, se o entendermos bem, é mesmo a festa da família. Porque foi com o Natal, e só com o Natal, que nós ficá­mos a saber que Deus é uma família. Foi no Natal que nasceu a Igreja, a família de Deus com os homens."
João César das Neves in Parábolas sobre Jesus

13 Dezembro 2006

Os momentos Partilhados

Aquilo que me tocou... e ainda toca...
uma oração desajeitada...
os momentos de silêncio...
uma lareira acessa...
um rio a correr...
uma casa de memórias...
o som do vento forte...
as casas de portas e braços abertos...
um céu estrelado...
aquela guitarra e aquelas vozes...
a simplicidade dos pequenos gestos...
o medo do escuro repentino...
uma espera necessária...
um sol escancarado...
a serra vestida de branco...
o frio a entrar no corpo...
a neve solta...
aqueles cedros exuberantes...
as luzinhas ao fundo do vale...
uma surpresa a cada curva...
os olhares cumplices...
o cançaso acumulado...
os jogos mistério...
as cantorias mais ou menos afinadas...
desembrulhar dos pacotinhos...
as partidas fora de horas...
o arrepio de um toque...
a saudade de todos os momentos!

12 Dezembro 2006

momentos eternizados...

Ainda à procura de palavras, na tentativa vã de as encontrar... sinto uma vontade imensa de deixar marca deste "pacotinho de dias", como eu lhe chamo, tanto que foi vivido e tudo com uma intensidade tal que acredito que nenhum de nós o vá conseguir esquecer algum dia!
Pequenos grandes momentos que foram partilhados e espelhados nos nossos rostos de profunda contemplação e tanta felicidade...
Mais uma vez vivi uma experiência de harmonia e verdadeira paz interior... e tudo isto porque há tanto que nos Une e que esse tanto é muito superior ao pouco que nos pode separar! Tu és aquele que nos uniu e nos continuará a unir sempre mais e mais, mesmo sem fazermos ideia do que ainda virá...
Cada lembrança, cada memória traz tanta saudade, mas também tanta alegria e deixa um sorisso sincero à nossa Alma... A verdade é que somos felizes mesmo sem nos apercebermos disso... faltam as palavras mas sobra em emoção tanta tanta que pertence talvez a uma outra dimensão que não esta em que vivemos nas correrias de todos os dias!

03 Dezembro 2006

O peso da vida...

Fotografia de Ornella Erminio in www.olhares.com
Em cada dia, em cada momento, em cada segundo é feita uma escolha, é tomada uma decisão, é assumida uma opção... por mais ou menos inconsciente que seja, isto é o q acontece constantemente, sucessivamente... daí resultam consequências mais ou menos imediatas, mais ou menos perceptíceis, mais ou menos definitivas... é disso q se trata... de responsabilidades... de atitudes... de reflexos... de impulsos... que nos definem e desenham o nosso viver diário...
E tantas vezes nos passam ao lado... sem nos apercebermos estamos a optar, a decidir quem somos e quem queremos ser... até que um dia podemos despertar e descobrir o que o tempo decidiu por nós sem mais nem menos. Falta-nos a liberdade? De que serve tê-la se não a usarmos?

29 Novembro 2006

Banco do Tempo?

Fotografia de Futile in www.olhares.com

Quem é que não se queixa de falta de tempo para resolver todos os problemas do dia-a-dia? Quem é que não gostaria de poder ajudar mais os outros e de poder participar activamente na vida da sua comunidade?
Toda a gente, claro. Mas voltamos sempre à mesma questão: não há tempo. Ou melhor, não havia. Porque agora há uma forma de rentabilizar a sua boa vontade e o seu espírito solidário. Basta abrir uma conta no Banco de Tempo. Uma conta pessoal com ganhos essencialmente colectivos.
Esta ideia tem como Princípios:
1. Todos temos algo a dar e a receber: obrigatoriedade de intercâmbio. O Banco de Tempo não é uma estrutura em que se dá sem receber em troca, nem em que se recebe sem dar nada em troca.
2. Não há troca directa de serviços: o tempo prestado por um membro é-lhe retribuído por qualquer outro membro.
3. Troca-se tempo por tempo: a unidade de valor e de troca é a hora.
4. Todas as horas têm o mesmo valor: não há serviços mais valiosos do que outros, nem escalas de valor de serviços. O serviço prestado não tem de ser igual ao recebido.
5. A circulação de dinheiro só é possível para reembolso, previamente acordado, de despesas específicas e documentadas.
6. Os serviços prestados correspondem a actividades não profissionais que se realizem com gosto: a troca assenta na boa vontade, na lógica das relações de “boa vizinhança”.
E os Objectivos deste conceito são:
1. Apoiar a família e a conciliação entre a vida profissional e a vida familiar através da oferta de soluções práticas da organização da vida quotidiana.
2. Construir uma cultura de solidariedade e promover o sentido de comunidade, o encontro de pessoas que convivem nos mesmos espaços, a colaboração entre gerações e a construção de relações sociais mais humanas.
3. Valorizar o tempo e o cuidado dos outros, estimular os talentos e promover o reconhecimento das capacidades de cada um.
4. Promover a cooperação entre várias entidades públicas ou privadas.
O Banco de Tempo funciona da seguinte forma: qualquer investidor que esteja disposto a dar uma hora do seu tempo para prestar um conjunto de serviços, recebe em retribuição uma hora para utilizar em benefício próprio.
O Banco de Tempo é um banco em tudo igual aos outros. Tem agências, horário, cheques, depósitos e a particularidade de utilizar o tempo como moeda de troca.
Uma Ideia no mínimo original.... que podem aprofundar melhor em:

24 Novembro 2006

É Urgente!

Fotografia de Lena Queiroz in www.olhares.com
urgente o amor.
É urgente um barco no mar.
É urgente destruir certas palavras,
ódio, solidão e crueldade,
alguns lamentos, muitas espadas.

É urgente inventar alegria,
multiplicar os beijos, as searas,
é urgente descobrir rosas
e rios e manhãs claras.

Cai o silêncio nos ombros
e a luz impura, até doer.

É urgente o amor,
é urgente permanecer."

Eugénio de Andrade

22 Novembro 2006

Nostalgia

Fotografia de Pedro Moreira in www.olhares.com

20 Novembro 2006

Ser Realista Sem Perder o Ideal

Fotografia de Gwenaël Bollinger in www.olhares.com
"É preciso viver com os pés na terra e a cabeça no céu.
Isto é, ser realista sem perder o ideal.
Aliás, um ideal (e não um idealismo) é uma meta concreta, possível, onde se pretende chegar.
Por isso, a primeira coisa que a pessoa de ideais tem a fazer é conhecer muito bem a sua realidade.
Só conhecendo e amando essa realidade, saberá fazê-la crescer e purificá-la do que não é ideal."

Pe Vasco Pinto de Magalhães, in 'Não Há Soluções, Há Caminhos'

13 Novembro 2006

Dança da Alma

Fotografia de Cybelle Christina Silveira da Silva in www.olhares.com
Apetetece-me dançar... ser bailarina!
dar a mão ao vento e deixar-me levar...
assim... como uma pena leve...
que não luta contra a corrente...
mas que se deleita no seu suave deambular!
Quero! É isso que quero... porque sabe bem e me faz bem!
Respirar com a minha pele esta sensação de leveza da alma...
Apetece-me dançar... para libertar a alma e assim me entregar!

12 Novembro 2006

Prado florido...

Fotografia de Catía da Rocha in www.olhares.com

Coisas pequenas

Coisas pequenas são
Coisas pequenas
São tudo o que eu te quero dar
e estas palavras são, coisas pequenas
que dizem que eu te quero amar
Amar, amar, amar
só vale a pena
se tu quiseres confirmar
que um grande amor não é, coisa pequena,
que nada é maior que amar
E a hora, que te espreita, é só tua
decerto não será só a que resta,
a hora que esperei a vida toda
é esta
é esta
E a hora, que te espreita, é derradeira
decerto já bateu à tua porta
a hora que esperaste a vida inteira
é agora
é agora

Letra de Pedro Ayres Magalhães (Madredeus)

11 Novembro 2006

Livre caminhar

Fotografia de Rosalina Afonso in www.olhares.com

05 Novembro 2006

Vamos espremer este Limão?

fotografia de João Azevedo
in www.olhares.com

PIERROT - Gostava de ser como tu, pois fazes quanto queres e eu, que não quero senão a uma, essa mesma não a tenho!
ARLEQUIM - Pois quem me dera querer tanto só a uma como tu para então servi-la como a nenhuma!
PIERROT - Palavras e mais palavras! Se quisesses só a uma, como eu, deixavas logo de ser Arlequim e já não podias nada por Ela!
ARLEQUIM - Isso é o que havemos de ver! Deixa-me cá encontrar A que eu procuro. e então saberás quem é o Arlequim!
PIERROT - Procurar é fácil; pior é depois de encontrar o que se procura: torna-se impossível realizá-lo!
ARLEQUIM - Queres dizer com as tuas palavras que já encontraste o que procuravas?
PIERROT - Encontrei e não procurei: apareceu-me!
ARLEQUIM - Isso é que foi sorte, hem? Vir ter às mãos sem trabalho nenhum!
PIERROT - Foi a sorte que o quis assim.
ARLEQUIM - Mas, pelo que vejo, a sorte não te serviu de nada!
PIERROT - Ninguém te diz que a minha sorte é boa.
ARLEQUIM - Nem era necessário dizê-lo,
PIERROT - Nem boa nem má: é a sorte!
ARLEQUIM - Não digas asneiras! A sorte não existe; o que existe é a coragem!
PIERROT - Eu tenho a coragem da minha sorte!
ARLEQUIM - Tu deves ter aprendido muitas coisas aí nesse canto onde estás sempre metido.
PIERROT - Eu sei o que sei e nada mais.
ARLEQUIM - Não há dúvida; mas o que não sabes é viver! Anda daí um dia comigo e verás como sou conhecido em toda a parte por causa da minha alegria!
PIERROT - Se eles te vissem quando voltas para casa depois de teres estado por toda a parte!
ARLEQUIM- O que acontecia?
PIERROT - Veriam que tinhas deixado a alegria por toda a parte, pois que voltas para casa sem nenhuma.
ARLEQUIM - Ora, ora! Durante a noite vem sempre mais alegria para o dia seguinte.
PIERROT - E no dia seguinte voltas outra vez para casa, sem nenhuma!
ARLEQUIM - Porque a gastei! mas nessa noite torna a vir mais alegria pró dia seguinte, Vê-se mesmo que não percebes nada de alegria: se a não gastasse toda, no dia seguinte não havia alegria nova, era ainda a atrasada.
PIERROT - E é sempre assim de dia e de noite?
ARLEQUIM - Isto até fazia perder a graça toda se soubesse o dia certo em que hei-de encontrar o que procuro! E ainda te digo mais: às vezes até chego a ter pena de vir a encontrar o que procuro, tão agradável é andar a procurar! Mas diz-me lá: o que é que tu percebes de alegria?
PIERROT - Alegria é não sentir necessidade de a procurar.
ARLEQUIM - Como tu, não é verdade? Que linda alegria que tu arranjaste, não haja dúvida!
PIERROT - Eu necessito da minha tristeza para saber onde estou, e se ando triste porque a não tenho, contudo sou feliz porque a encontrei e só a Ela quero!
ARLEQUIM - Pois a alegria, cá para mim, é andar, a procurá-la! E nada de tristezas, que fazem a gente velha. A chorar ou a rir o tempo passa da mesma maneira; portanto mais vale a rir. Olha! faze como eu: vai dizendo a verdade a rir, porque ela não fica melhor se for a chorar; portanto, mais vale a rir.
PIERROT - A rir.
ARLEQUIM – A rir!... #&%@”§
ARLEQUIM - Pois se eu agarro as coisas com estas minhas mãos, e sirvo-me delas, e uso-as, e gozo-as, e gasto-as até ao fim, sem deixar perder um único pedaço, e depois não fica nada, as mãos ficam-me vazias! Vazias! Exactamente como se nunca tivessem pegado em nada deste mundo, como se não tivessem nunca feito nada, como se eu nunca tivesse tido nada nestas minhas mãos!... Quanto mais tu, que não pegas em nada, que nem sequer mãos tens, que nada experimentas, que nunca te arriscaste a entrar na realidade, que não és capaz de dar um passo para nada deste mundo!... Farto de fantasias ando eu até aos olhos! e até a minha cara se enchia de vergonha se houvesse alguma coisa que eu tivesse de aprender contigo, espantalho de trapo que não espantas nada, nem as moscas, e bem pelo contrário!
PIERROT - «Não posso compreender que Ela não seja minha se só a Ela amo e com tamanha perfeição!» Werther, de Goethe.
ARLEQUIM - Ouve lá: Ela sabe ao menos que tu existes?
PIERROT - Ouviste o que eu pensei?
ARLEQUIM - Pudera que ouvi! Parece-me que não sou surdo.
PIERROT - Só Ela não ouvirá nunca!
ARLEQUIM - Dissesses-lho tu alguma vez que Ela o ouviria!
PIERROT - Não, não o ouviria.
ARLEQUIM - Então é surda!
PIERROT - Não, não é surda.
ARLEQUIM - Então é estúpida!
PIERROT - Não, não é estúpida.
ARLEQUIM - Então é... E não querem ver esta agora? Então eu não estava a dar-te trela?! Olha: sabes o que mais? Em vez de andares a sonhar aí pelos cantos e sem fazeres nada, era bem melhor que visses a vida como ela é e te sujeitasses como toda a gente a um ofício que te desse de comer e de vestir e onde ficasses durante a noite à tua custa!
PIERROT - Sujeitar-me a um ofício, dizes tu? Eu não posso sujeitar-me senão a Ela! E que outro ofício posso ter senão amá-La?
ARLEQUIM - Nesse caso queres um conselho ? Aparece diante d'Ela nessa linda figura e então ouvirás a verdade da sua própria boca: Então já viram? Olha o lindo presente que me davam para marido!
PIERROT - Não, não irei vê-La.
ARLEQUIM - Também acho melhor .
PIERROT - Eu vou fugir para muito longe.
ARLEQUIM - Não é necessário, descansa: fica aí mesmo a sonhar. E eu vou aproveitando o melhor possível os bocados desta vida, que é só uma - ouviste bem? Que é só uma, infelizmente, mas eu hei-de espremê-la muito bem espremidinha até ao fim, e espero que não há-de ter ficado nada por fazer! Tu nunca ouviste dizer:
Quem é lobo faz como lobo, e isso conhece-se logo?

01 Novembro 2006

Fotografia de Alice Costa in www.olhares.com
"Um jovem foi visitar um sábio questionando-o sobre os sentimentos que tinha pela sua esposa. O sábio escutou-o e disse-lhe apenas uma coisa:
-Ame-a!
- Mas … - questionou o jovem.
- Ame-a - disse-lhe novamente o sábio.
Perante a surpresa do jovem, o sábio continuou:
- Amar é uma decisão e não um sentimento. Amar é dedicação, é verbo. O fruto dessa acção é o amor. Amor é jardinagem. Arranque as ervas daninhas, prepare o terreno, semeie, regue e seja paciente. Haverá pragas, secas e enxurradas, mas não abandone o seu jardim. Nunca! Valorize, respeite, dê afecto, ternura, admire e compreenda. Simplesmente: Ame!
A inteligência sem amor torna-te perverso.
A justiça sem amor torna-te implacável.
A diplomacia sem amor torna-te hipócrita.
O êxito sem amor torna-te arrogante.
A riqueza sem amor torna-te avarento.
A docilidade sem amor torna-te servil.
A pobreza sem amor torna-te orgulhoso.
A beleza sem amor torna-te ridículo.
A autoridade sem amor torna-te tirano.
O trabalho sem amor torna-te escravo.
A simplicidade sem amor deprecia-te.
A lei sem amor escraviza-te.
A política sem amor deixa-te egoísta.
A vida sem AMOR não tem sentido."
Anônimo

31 Outubro 2006

Esperando

Fotografia de Paulo Madeira in www.olhares.com

Tu que esperas?
Diz-me que esperas tu?
Estarás só à espera?
Ou pensas que sou eu que espero?
Por mais que não queira pensar... é inevitável...
Esse pensamento invade constantemente a minha mente...
E o que hei-de fazer?
Trata-se de alguma escolha?
Sabes que te escolho a ti...
Eu sei que terei de esperar... mas E eu terei o direito de te fazer esperar?
Eu acredito q é possível, apesar da espera...
Mas será que este acreditar é suficiente, só por si?
Espero que sim... espero em ti.... só por ti...

30 Outubro 2006

Procura-se um Amigo

Fotografia de Tiago Estima in www.olhares.com
"Não precisa ser homem, basta ser humano, basta ter sentimentos, basta ter coração.
Precisa saber falar e calar, sobretudo saber ouvir.
Tem que gostar de poesia, de madrugada, de pássaro, de sol, da lua, do canto, dos ventos e das canções da brisa.
Deve ter amor, um grande amor por alguém, ou então sentir falta de não ter esse amor.
Deve amar o próximo e respeitar a dor que os passantes levam consigo.
Deve guardar segredo sem se sacrificar.
Não é preciso que seja de primeira mão, nem é imprescindível que seja de segunda mão.
Pode já ter sido enganado, pois todos os amigos são enganados.
Não é preciso que seja puro, nem que seja todo impuro, mas não deve ser vulgar.
Deve ter um ideal e medo de perdê-lo e, no caso de assim não ser, deve sentir o grande vácuo que isso deixa. Tem que ter ressonâncias humanas, seu principal objectivo deve ser o de amigo.
Deve sentir pena das pessoa tristes e compreender o imenso vazio dos solitários.
Deve gostar de crianças e lastimar as que não puderam nascer.
Procura-se um amigo para gostar dos mesmos gostos, que se comova, quando chamado de amigo.
Que saiba conversar de coisas simples, de orvalhos, de grandes chuvas e das recordações de infância.
Precisa-se de um amigo para não se enlouquecer, para contar o que se viu de belo e triste durante o dia, dos anseios e das realizações, dos sonhos e da realidade.
Deve gostar de ruas desertas, de poças de água e de caminhos molhados, de beira de estrada, de mato depois da chuva, de se deitar no capim.
Precisa-se de um amigo que diga que vale a pena viver, não porque a vida é bela, mas porque já se tem um amigo.
Precisa-se de um amigo para se parar de chorar.
Para não se viver debruçado no passado em busca de memórias perdidas.
Que nos bata nos ombros sorrindo ou chorando, mas que nos chame de amigo, para ter-se a consciência de que ainda se vive."
Vinícius de Moraes. ('Procura-se um Amigo')

25 Outubro 2006

Sonha com as estrelas



“Sonha com as estrelas, apenas sonha, elas só podem brilhar no céu.
Não tentes deter o vento, ele precisa correr por toda a parte, ele tem pressa de chegar sabe-se lá onde.
As lágrimas? Não as seques, elas precisam correr na minha, na tua, em todas as faces.
O sorriso! Esse deves segurar, não o deixes ir embora, agarra-o!
Persegue um sonho, mas não o deixes viver sozinho.
Alimenta a tua alma com amor, cura as tuas feridas com carinho.
Descobre-te todos os dias, deixa-te levar pelas vontades, mas não enlouqueças por elas.
Abasteçe o teu coração de fé, não a percas nunca.
Alaga o teu coração de esperanças, mas não deixes que ele se afogue nelas.
Se achares que precisas voltar, volta! Se perceberes que precisas seguir, segue!
Se estiver tudo errado começa novamente. Se sentires saudades mata-as.
Se perderes um amor, não te percas! Se o achares, segura-o!
Circunda-te de rosas, ama, bebe e cala. O mais é nada.”

Fernando Pessoa

23 Outubro 2006

Pessoas Simples

Fotografia de Ana Luisa Morreira in www.olhares.com

"Ser simples é difícil. A tentação universal para complicar as coisas, aliás, tem-se revelado desastrosa ao longo dos séculos e muito daquilo que poderia ter sido sempre tão simples vai tomando proporções caóticas.
Falo da maneira como as pessoas comunicam, por exemplo. Como dizem umas às outras aquilo que pensam e sentem. Ou melhor, como dizem uma coisa e tantas vezes sentem outra. E como tudo isso pode ser tão perverso e enganador.
Ser simples é muito mais do que não ser complicado. É ser verdadeiro, é prestar atenção, é ouvir com o coração e é falar sem pretender ter sempre razão. Só uma pessoa simples é capaz de estar na vida para os outros e pelos outros e consegue fazê-lo sem se perder no essencial."
Laurinda Alves in Prefácio de 'O Príncipe e a Lavadeira'
Pessoalmente concordo plenamente com estas palavras, e ouso acrescentar que nós como pessoas complexas ou complicadas que somos temos tudo o que precisamos para sermos pessoas simples, pois já tendo esta consciência é fácil compreender que caminhar para esta simplicidade é também ele um processo por si só complexo e nunca fácil... sendo por isso mesmo um desafio ainda mais aliciante!

20 Outubro 2006

A ti!

Neste dia de Outono... quero te homenagiar, agradecer, dar os Parabéns!
A ti... que fizeste parte da minha vida, e continuas a fazer... hoje e para sempre!
Obrigada pelo teu exemplo...
Obrigada pelo teu Amor demonstrado cada dia da tua vida...
que mesmo sofrida, conseguiste amar, um amor sincero, verdadeiro, autêntico...
mesmo quando rejeitado, negligenciado, ingrato...
mesmo assim estiveste para dar o teu apoio, o teu auxílo, o teu sorriso, a tua força e determinação...

estejas ondes estiveres, continuas viva no meu coração!

17 Outubro 2006

Guardado ou prometido?

Fotografia de António Guerra in www.olhares.com


Lembro-me em criança de ficar a imaginar como seria um dia quando fosse “crescida”, e por vezes ainda me transporto para essas lembranças... e dou-me conta de que nesses tempos a imaginação era mais livre, mais saborosa, mais verdadeira... tudo era tão simples... comentava para mim e para as minhas amigas: “quando for adulta não quero ser como os adultos que eu vejo, quero continuar a pensar como criança!
E hoje, olho para mim e vejo que ainda penso como criança, mas num mundo que não me quer deixar pensar nem ser assim... será que vou ceder só porque sim? Não quero... porque a realidade é o que nós fizermos dela...
Para a minha realidade não quero regras, não quero comentários, não quero preconceitos que só nos paralizam a alma, quero viver o que nos é dado a viver e amar com todas as minhas células, ser feliz e levar alegria e amor aos outros!
Será que não vale o desafio? Que tal partir nesta viagem?
Já tenho o bilhete nas mãos! E tu, vens neste comboio? Ou ainda estás a contar os trocos?
Mas... não precisas!... eu tenho um bilhete para ti... especialmente para ti... com o teu nome... desenhado por mim!

15 Outubro 2006

os olhos da alma...

Fotografia de Miguel Andrade in www.olhares.com


"O olhar é algo que caracteriza uma pessoa, como se de uma impressão digital se tratasse... algo inconfundivel... uma marca de nós próprios que quem nos conhece jamais confunde!
Cada olhar nosso exprime um sentimento, uma emoção vivida ou, por vezes, perdida para sempre!
Num olhar encontramos conforto, um abrigo... num olhar revemos uma vida que outros olhos tiveram o prazer de ver... num olhar procuramos cumplicidade, algo que nos diga que naquele exacto momento, estamos onde deveriamos estar, qualquer que tenha sido o caminho que nos levou a esse momento..."
Miguel Andrade

12 Outubro 2006

Assim é

Fotografia de Mariani Malinowski in www.olhares.com


Há silhuetas assim... belas... que nos apaixonam!
Há momentos assim... que falam... só por si... sem pedir explicação!
Há caminhos assim... que se fazem... que têm de se fazer...
mesmo que não saibamos onde nos irão levar!
Contigo é assim... e por ti me deixo ir!
é assim desde que te conheci...
e é assim cada vez que te encontro ...!

10 Outubro 2006

O anjo da guarda...

Fotografia de Rosalina Afonso in www.olhares.com

"É um anjo lindíssimo, mais lindo sem comparação nenhuma do que qualquer outro, e tal qual o sonho doirado de cada um. Tem umas grandes asas doiradas para acompanhar a voar o sonho doirado de cada um. E volta outra vez para o pé daquele a quem guarda por ordem de Nosso Senhor, para lhe contar até onde vai o seu sonho a voar. Mais ai daquele que desconheça a tal ponto o seu próprio sonho que não saiba sequer fazer as perguntas, pois o Anjo da Guarda só responde ao que for realmente bem perguntado.
E quando a nossa pergunta estiver bem feita, o Anjo da Guarda responde imediatamente: «Amigo! a tua pergunta está tão bem perguntada que se pensares mais um bocadinho tens já a resposta a seguir
Com efeito, pensa-se mais um bocadinho e pronto, é logo a resposta a seguir!
Quer o Anjo da Guarda dizer com as suas palavras que muito mais difícil do que responder é perguntar."

Almada Negreiros

09 Outubro 2006

Não tenhas medo

Há uma vida escondida em ti,
Ancorada no fundo do teu coração.
A esperança que é Cristo eleva o teu ser,
E na dor, e na dúvida, segue junto a ti.

Acolhe a vida, deixa Deus entrar:
Ele é o caminho, deixa-te guiar!
Não tenhas medo, a Vida só quer que tu sejas feliz!
Não tenhas medo, a Vida só quer que tu sejas feliz!

Há um caminho a percorrer,
E só Cristo pode pegar na mão.
Procura em ti a fonte do Amor,
Podes saciar a sede de alguém.


Mais uma bela música, aqui fica apenas o registo da letra...
mas se tiverem oportunidade... deixem-se levar pela sua melodia...
.... simplesmente lindo!

O Amor InPorta à Missão


Fotografia de Bart in www.olhares.com

"O verdadeiro Amor tem que ser gratuito, pois quem verdadeiramente ama dá sem reservas, sem nada esperar em troca.
Amar é servir os outros dentro do espírito de caridade e de partilha.
Disso é exemplo a vida de Jesus Cristo que veio ao mundo e deu a sua vida para nos salvar.
Tal como Jesus foi enviado a anunciar a Boa-Nova do reino de Deus, também nós somos convidados permanentemente a fazer missão, tanto dentro de “Portas” como fora delas.
É dentro desse espírito que o nosso grupo se enquadra, pois o nosso compromisso está em colocar o nosso Amor ao serviço da missão na construção de um mundo melhor, procurando alargar os nossos corações às dimensões do mundo.
Somos JSF porque acreditamos que ser cristão é saber dar, saber amar, saber ser para o outro e com o outro. Queremos ser sempre porta aberta para quem nos chama, dispostos a sair de nós e ir ao encontro.
Não (in)porta onde… não (in)porta quando… só (in)porta que estejamos dispostos a ser porta aberta para os que nos chamam."
Palavras dos Jovens Sem Fronteiras (JSF - STA)

08 Outubro 2006

olho lá fora...

olho lá fora, e perco-me nos pormenores,
deixo-me divagar por entre os elementos,
saborear os pequenos instantes que me são oferecidos,
dou por mim a sorrir, ou às vezes a deixar encher os olhos...
dou por mim a recordar um tempo que não é meu,
que não me pertençe e que não sei se algum dia o será...
tenho saudades dessa realidade que não vivi,
mas na qual me perco em pensamentos!
serei só eu que viajo assim? sem regras e sem limites?
Porque me entrego assim?
Porque ainda acredito que sim...
olho lá fora... e volto para dentro...
esqueço esse tempo... e volto ao meu...
talvez me cruze com ele... sem me dar conta!
talvez...


Fotografia de Hugo Amador in www.olhares.com

06 Outubro 2006

Aquarela



Numa folha qualquer eu desenho um sol amarelo
e com cinco ou seis rectas é facil fazer um castelo
com um lápis em torno da mão eu me dou uma luva
e se faço chover com dois riscos tenho um guarda-chuva
Se um pinguinho de tinta cai num pedacinho azul do papel
num instante imagino uma linda gaivota voar no céu

Vai voando contornando a imensa curva norte e sul
vou com ela viajando Havaí Pequim ou Istambul
pinto um barco a vela branco navegando é tanto céu e mar num beijo azul
entre as nuvens vem surgindo um lindo avião rosa e grená
tudo em volta colorindo com suas luzes a piscar
basta imaginar e ele está partindo sereno lindo e se a gente quiser
ele vai pousar...

Numa folha qualquer eu desenho um navio de partida
com alguns bons amigos bebendo de bem com a vida
de uma América a outra eu consigo passar num segundo
de uma América a outra eu consigo passar num segundo
um menino caminha e caminhando chega num muro
e ali logo em frente a esperar pela gente o futuro está

E o futuro é uma astronave que tentamos pilotar
não tem tempo, nem piedade nem tem hora de chegar
sem pedir licença muda nossa vida depois convida a rir ou chorar
nessa estrada não nos cabe conhecer ou ver o que virá
o fim dela ninguém sabe bem ao certo onde vai dar
vamos todos numa linda passarela de uma aquarela que um dia enfim
descolirirà

Numa folha qualquer eu desenho um sol amarelo que descolorirá
e com cinco ou seis retas é fácil fazer um castelo que descolorirá
de uma América a outra eu consigo passar num segundo que descolorirà
giro um simples compasso e num círculo eu faço o mundo

música de Toquinho e Vinícius

Clica aqui para ver o clip do "Aquarela": http://www.laboratoriodedesenhos.com.br/aquarela.htm

05 Outubro 2006

Haja o que houver!

"Haja o que houver
eu estou aqui
haja o que houver
espero por ti
Volta no vento
Ó meu amor
Volta depressa por favor
Há quanto tempo já esqueci
Porque fiquei
longe de ti
Cada momento é pior
Volta no vento
por favor

Eu sei, eu sei
Quem és para mim
Haja o que houver
volta para mim"

Letra e música: Pedro Ayres Magalhães
In Madredeus "O Paraíso", 1997

03 Outubro 2006

Luz e sombra...

Fotografia de David Caretas in www.olhares.com


Em contra-luz pode não ser visível a verdade...
mas a sua sombra projectada é a prova da própria existência...
que apenas é perceptível/compreensível à Luz da verdade!

02 Outubro 2006

Respirando...


Fotografia de Umbria in www.olhares.com

É assim tão subitamente que te aproximas de mim...
e da mesma forma a nossa despedida tão fugaz...
a sensação de estar próxima a ti tão pertubadora...
que cada toque teu me faz despertar...
e me transporta para um outro lugar...
difícil de descrever... impossível de explicar...
tanto que te quero dizer... e ao mesmo tempo simplesmente estar...
deixo o tempo actuar... apesar do desejo ser maior...
confias-me as tuas dúvidas e eu... saberei ajudar?
Às vezes ainda me pergunto, se estou acordada ou só a sonhar...
Sei que não quero fugir... nem me quero esconder...
quero ser quem sou... e a ti me entregar.........

30 Setembro 2006

"É necessário ter o caos na alma
para dar à luz uma estrela dançante",

disse Nietzsche.

Bebe as palavras.
Saboreia o significado.
Sente o seu poder.
Vamos fazê-lo!
Transformar-nos em estrelas!
Usar a nossa força interior oculta e superar todos os elementos temidos.
Tomar o mundo como um palco.
Um enorme palco onde representar o papel da nossa vida, onde perseguir a obrigação da existência, onde encontrar a felicidade.

in Le cool magazine Lisboa
Fotografia de Graça in http://www.olhares.com/

25 Setembro 2006

(in)definição!?!?!

Amor é um estranho sentimento...


Fotografia de Getulio Bessoni
in www.olhares.com

É... algo inevitável...
É... uma entrega total...
É... uma partilha da alma...
É... estar preso por magia...
É... uma força invisível...
É... um estado de graça...
É... uma felicidade inesgotável...
É... um auge de paixão...
É... uma loucura insaciável...
É... uma incerteza constante...
É... derramar lágrimas...
É... sofrer por alguém...
É... uma dor conformada...
É... uma triste melancolia...
É... um desespero de saudade...
É... uma confissão sincera...
É... um salto no infinito...
É... um acto expontâneo...
É... uma atração serena...
É... um arroma irresistível...
É... contemplar as estrelas...
É... fonte de vida...
É... a palavra exacta...

Amor...o Amor foge a dicionários...

24 Setembro 2006

Um prefácio para um livro...

“Pelas ruas de Cecília, cidade ilustre, encontrei uma vez um cabreiro que conduzia (...) um rebanho badalante.
– Homem (...) –deteve-se para me perguntar, – sabes dizer-me o nome da cidade onde nos encontramos?
–(...) Como podes não reconhecer a mui ilustre cidade de Cecília?
–(...) sou um pastor em transumância. Calha-me às vezes a mim e às cabras atravessar cidades, mas não conseguimos distingui-las. Pergunta-me o nome dos pastos: conheço-os todos (...). As cidades para mim não têm nome: são lugares sem folhas que separam um pasto do outro (...).
– Ao contrário de ti, eu só reconheço as cidades e não distingo o que está fora delas. (...)
Desde então passaram muitos anos, conheci muitas mais cidades e percorri continentes. Um dia caminhava por entre esquinas de casas todas iguais: tinha-me perdido.
Perguntei a um transeunte: – (...) sabes dizer-me onde nos encontramos?
– Em Cecília, não podia deixar de ser! Caminhamos há tanto tempo pelas suas ruas, eu e as cabras, e nunca mais se consegue sair ...
Reconheci-o (...): era o pastor da outra vez. Seguiam-no poucas cabras peladas (...).
– Não pode ser! Eu também, não sei há quanto tempo, entrei numa cidade e desde então continuei a penetrar cada vez mais pelas suas ruas. Mas como pude chegar aonde dizes tu, se me encontrava noutra cidade, afastadíssima de Cecília, e nunca mais saí dela?
– Os lugares misturam-se – disse o cabreiro, – Cecília está em toda a parte, aqui dantes devia ser o Prado da Salva Baixa. As minhas cabras reconhecem as ervas do separador das faixas da rua.”


Italo Calvino in As cidades Invisíveis

Estas cidades contínuas de que nos fala o pastor são, sem dúvida, cada vez mais, as cidades dos nossos tempos, cidades que se expandem indefinidamente até à periferia das cidades vizinhas, cidades capazes de surpreender até o citadino, tão habituado ao cenário artificial deste espaço, sentindo, no entanto, a necessidade de distinguir as cidades, de as isolar umas das outras, de as manter separadas através do dito campo, de as identificar e diferenciar de alguma forma, uma vez que o seu semblante se apresenta progressivamente cada vez mais uniformizado e homogéneo.

Além da importância dos conceitos de identidade e orientação, explícitos no texto, revela-se ser, cada vez mais necessário e urgente controlar esta expansão urbana sobre a paisagem rural, assegurando o adequado funcionamento dos ecossistemas naturais e áreas mais sensíveis do território, através de uma Estrutura Ecológica capaz de preservar, de manter e promover o carácter das cidades, que apesar da sua imposição sobre a paisagem, não podem desprezar as suas origens, dependências e limitações relativamente ao meio, devendo também elas assumir o seu papel num desenvolvimento sustentável.

22 Setembro 2006

o despertar dos sentidos...

sentidos... sentir... sentido...sentimento...
alguém já se pôs a pensar... o que será que significa "despertar os sentidos"?
estarão eles adormecidos?
alguém já sentiu com todos os seus sentidos?
que sentido isso terá?
será aí que se desperta um sentimento?
e não sentir nenhum dos sentidos?
será isso possível?
quais os sentidos possíveis de se sentir?
existem apenas cinco sentidos?
ou existe ainda mais um...
um sentido que não se sente...
mas que nos faz querer sentir...
que nos faz despertar os sentidos?
que nos faz perceber o verdadeiro sentido de todos os outros sentidos...
que acorda o sentimento adormecido entre os sentidos...
será que isto tudo faz algum sentido?
ou será este sentir...
que me invadiu...
de sentimentos...
em que tudo faz sentido?
existe algum sentido...
que faça sentido...
a não ser que seja...
simplesmente sentido por alguém?


Fotografia de Alexandre Costa
in www.olhares.com

só sinto que tudo faz sentido quando estás perto... e te sinto... mergulhada em ti

19 Setembro 2006

Secretamente...

Fotografia de Fabio Correia
in www.olhares.com



"... Secretamente, à espera de um gesto...de um sinal ..."

18 Setembro 2006

Reconhecimento à Loucura!

Fotografia de Maria Flores
in www.olhares.com



Já alguém sentiu a loucura vestir de repente o nosso corpo?
E tomar a forma dos objectos?
E acender relâmpagos no pensamento?
E às vezes parecer ser o fim?
Como o cavalo do soneto de Ângelo de Lima?
E depois mostrar-nos o que há-de vir
muito melhor do que está?
E dar-nos a cheirar uma cor
que nos faz seguir viagem
sem paragem
nem resignação?
E sentirmo-nos empurrados pelos rins
na aula de descer abismos
e fazer dos abismos descidas de recreio
e covas de encher novidade?
E de uns fazer gigantes
e de outros alienados?
E fazer frente ao impossível
atrevidamente
e ganhar-lhe, e ganhar-lhe
a ponto do impossível ficar possível?
E quando tudo parece perfeito
poder-se ir ainda mais além?
E isto de desencantar vidas
aos que julgam que a vida é só uma?
E isto de haver sempre ainda mais uma maneira pra tudo?

Tu só, loucura, és capaz de transformar
o mundo tantas vezes quantas sejam as necessárias para olhos individuais.
Só tu és capaz de fazer que tenham razão
tantas razões que hão-de viver juntas.
Tudo, excepto tu, é rotina peganhenta.
Só tu tens asas para dar
a quem tas vier buscar.

José de Almada Negreiros (Poemas)

17 Setembro 2006

Conhecem a "História de uma gotinha de água"? ...

Fotografia de Joel Calheiros
Era uma vez uma gotinha de água pequenina e transparente. Juntamente com outras Salpico formava a água de um lago.

Um dia, o Sol brilhante aqueceu a água do lago. As Salpico separaram-se, subiram e formaram o vapor de água. Já não se viam as Salpico.

No céu, a gotinha juntou-se a muitas outras e formaram as nuvens. O vento empurrou as nuvens e a Gotinha viajou por muitas terras.

Quando a nuvem ficou mais pesada e encontrou ar mais frio, algumas Salpico caíram em forma de chuva.

Ao passar pela montanha, o ar era muito, muito frio e a gotinha juntou-se a outras e formaram água sólida. Caíram na terra em forma de neve

O calor do sol derreteu a neve e as Salpico voltaram a ser água líquida.

Parte da água introduziu-se na terra e alimentou as plantas. Outra parte infiltrou-se no solo. Quando encontrou rochas impermeáveis formou um lençol de água

A gotinha, com outras companheiras, correu debaixo da terra e formou uma nascente

A gotinha de água foi ter ao rio onde conheceu os peixes.

O curso da água levou a gotinha até ao mar.

Agora a gotinha faz parte do mar. Vive numa onda à espera que o Sol a aqueça para de novo poder subir e começar uma nova viagem.

16 Setembro 2006

Palácio dos Sonhos...

Foto de Paulo A. L. Henrique in www.olhares.com
Hum... Sintra... quem já não se perdeu... pelos teus Caminhos?
Caminhos sinuosos que nos transportam no tempo,
e nos levam bem para lá onde moram os nossos Sonhos...
Caminhos íngremes que nos absorvem,
e puxam para o mais alto das nossas Ambições...
Caminhos teus... que só tu conheces...
e que não se desvendam por quem os percorre...
Caminhos meus... que não sei onde me levam...
mas que me fazem sonhar...
e desejar mais além...
contigo para me abraçar...

15 Setembro 2006

Em sonho lembrei-me...



Sonhei ter sonhado
Que havia sonhado.
Em sonho lembrei-me
De um sonho passado:
O de ter sonhado
Que estava sonhando.

Sonhei ter sonhado...
Ter sonhado o quê?
Que havia sonhado
Estar com você?
Estar? Ter estado,
Que é tempo passado

Um sonho presente
Um dia sonhei
Chorei de repente,
Pois vi, despertando,
Que tinha sonhado.

Anónimo

14 Setembro 2006

Em comunidade!

Foto de Mariana Topa in www.olhares.com


Sozinho não podes fazer muita coisa em favor do outro. Mas em comunidade, prepasado pelo sopro de amor de Cristo, abre-se aquela passagem que conduz da aridez até à criação em comum. E quando uma comunidade é fermento de reconciliação nesta comunhão que é a Igreja, o impossível torna-se possível.

Irmão Roger

12 Setembro 2006

139...



Se eu voar sem saber onde vou
Se eu andar sem conhecer quem sou
Se eu falar e a voz soar como a manhã

Eu sei
Se eu beber dessa Luz que apaga a noite em mim
E se um dia eu disser que já não quero estar aqui
Só Deus sabe o que virá
Só Deus sabe o que será
Não há outro que conhece tudo o que acontece em mim
Se a tristeza é mais profunda que a dor
Se este dia já não tem sabor
E no pensar que tudo isto já pensei

Se eu beber dessa Luz que apaga a noite em mim
E se um dia eu disser que já não quero estar aqui
Na incerteza de saber o que fazer o que querer
Mesmo sem nunca pensar
Que um dia vais passar
Não há outro que conhece tudo o que acontece em mim

Eu Sei (Sara Tavares)

11 Setembro 2006

TEMPO para dar e tempo para receber...

"Todas as coisas têm o seu tempo,
e tudo o que existe debaixo dos céus tem a sua hora.
Há tempo para nascer e tempo para morrer;
tempo para plantar e tempo para arrancar o que se plantou;
tempo para matar e tempo para dar a vida;
tempo para destruir e tempo para edificar;
tempo para chorar e tempo para rir;
tempo para afligir e tempo para dançar;
tempo para espalhar pedras e tempo para as ajuntar;
tempo para dar abraços e tempo para se afastar deles;
tempo para adquirir e tempo para perder;
tempo para guardar e tempo para atirar fora;
tempo para rasgar e tempo para coser;
tempo para calar e tempo para falar;
tempo para amar e tempo para odiar;
tempo para a guerra e tempo para a paz!"

Ecle 3, 1-8

Fotografia de Germano Schüür in www.olhares.com

08 Setembro 2006


Para ser grande, sê inteiro: nada

Teu exagera ou exclui.

Sê todo em cada coisa.

Põe quanto és no mínimo que fazes.

Assim em cada lago a lua toda

Brilha, porque alta vive


Ricardo Reis

07 Setembro 2006

ALMAS GÉMEAS ...

«(...)As almas gémeas quase nunca se encontram, mas, quando se encontram, abraçam-se. Naqueles momentos em que alguém diz uma coisa, que nunca ouvimos, mas reconhecemos não sei de onde. E em que mergulhamos sem querer, como se estivéssemos a visitar uma verdade que desconfiávamos existir, de onde desconfiamos ter vindo, mas aonde não tínhamos conseguido voltar. O coração sente-se. A alma pressente-se. O coração anda aos saltos dentro do peito, a soluçar como um doido, tão óbvio que chega a chatear. Mas a alma é uma rocha branca onde estão riscados os sinais indeléveis da nossa existência. (...) Gémea não é igual. É parecida. Não é um espelho. É uma janela. Não é um reflexo. É uma refracção. (...) O desejo de encontrar uma alma gémea não é o desejo de reafirmarmos a unicidade da nossa existência através de outro que é igual a nós. É precisamente o contrário. É pdoer descansar dessa demanda. No fundo, todos nós duvidamos que tenhamos uma alma. Senão não falávamos tanto dela. Uma alma gémea é a prova que não estamos sozinhos. (...) O estado normal de duas almas gémeas é o silêncio. Não é o "não ser preciso falar" - é outra foma de falar, que consiste numa alma descansar na outra. Não é a paz dos amantes nem a cumplicidade muda dos amigos. Não precisa de amor nem de amizade para se entender. As almas acharam-se. Não têm passado. Não se esforçaram. Estão. É essa a maior paz do mundo. Como é que um ninho pode ser ninho doutro ninho? Duas almas gémeas podem ser. Como é que se reconhece a alma gémea? No abraço. (...) Quando duas almas gémeas se abraçam, sente-se o alívio imenso de não ter de viver. Não há necessidade, nem desejo, nem pensamento. A sensação é de sermos uma alma no ar que reencontrou a sua casa, que voltou finalmente ao seu lugar, como se o outro corpo fosse o nosso que perdêramos desde a nascença. (...) As almas gémeas revelam-se uma à outra. Não são iguais. Mas revelam-se de forma igual. Como se tivesse surgido, de repente, uma língua que só os dois conseguissem falar. (...) Toda a angústia do ‘Eu’ se dissipa. É-se inteira e naturalmente aceite. Sem perguntas. Sem condições. Sem promessas. E mergulha-se no outro como se já não fosse preciso existirmos.»


Miguel Esteves Cardoso
Fotografia de Nanci Braz in www.olhares.com

05 Setembro 2006

Elogio ao Amor Puro

Fotografia de Tiago Araujo
"Há coisas que não são para se perceberem. Esta é uma delas. Tenho uma coisa para dizer e não sei como hei-de dizê-la. Muito do que se segue pode ser, por isso, incompreensível. A culpa é minha. O que for incompreensível não é mesmo para se perceber. Não é por falta de clareza. Serei muito claro. Eu próprio percebo pouco do que tenho para dizer. Mas tenho de dizê-lo.O que quero é fazer o elogio do amor puro. Parece-me que já ninguém se apaixona de verdade. Já ninguém quer viver um amor impossível. Já ninguém aceita amar sem uma razão. Hoje as pessoas apaixonam-se por uma questão de prática. Porque dá jeito. Porque são colegas e estão ali mesmo ao lado. Porque se dão bem e não se chateiam muito. Porque faz sentido. Porque é mais barato, por causa da casa. Por causa da cama. Por causa das cuecas e das calças e das contas da lavandaria.Hoje em dia as pessoas fazem contratos pré-nupciais, discutem tudo de antemão, fazem planos e à mínima merdinha entram logo em "diálogo". O amor passou a ser passível de ser combinado. Os amantes tornaram-se sócios. Reúnem-se, discutem problemas, tomam decisões. O amor transformou-se numa variante psico-sócio-bio-ecológica de camaradagem.A paixão, que devia ser desmedida, é na medida do possível. O amor tornou-se uma questão prática. O resultado é que as pessoas, em vez de se apaixonarem de verdade, ficam "praticamente" apaixonadas.Eu quero fazer o elogio do amor puro, do amor cego, do amor estúpido, do amor doente, do único amor verdadeiro que há, estou farto de conversas, farto de compreensões, farto de conveniências de serviço.Nunca vi namorados tão embrutecidos, tão cobardes e tão comodistas como os de hoje. Incapazes de um gesto largo, de correr um risco, de um rasgo de ousadia, são uma raça de telefoneiros e capangas de cantina, malta do "tá bem, tudo bem", tomadores de bicas, alcançadores de compromissos, bananóides, borra-botas, matadores do romance, romanticidas.Já ninguém se apaixona? Já ninguém aceita a paixão pura, a saudade sem fim, a tristeza, o desequilíbrio, o medo, o custo, o amor, a doença que é como um cancro a comer-nos o coração e que nos canta no peito ao mesmo tempo?O amor é uma coisa, a vida é outra. O amor não é para ser uma ajudinha. Não é para ser o alívio, o repouso, o intervalo, a pancadinha nas costas, a pausa que refresca, o pronto-socorro da tortuosa estrada da vida, o nosso "dá lá um jeitinho sentimental".Odeio esta mania contemporânea por sopas e descanso. Odeio os novos casalinhos. Para onde quer que se olhe, já não se vê romance, gritaria, maluquice, facada, abraços, flores. O amor fechou a loja. Foi trespassada ao pessoal da pantufa e da serenidade.Amor é amor. É essa beleza. É esse perigo. O nosso amor não é para nos compreender, não é para nos ajudar, não é para nos fazer felizes. Tanto pode como não pode. Tanto faz. É uma questão de azar. O nosso amor não é para nos amar, para nos levar de repente ao céu, a tempo ainda de apanhar um bocadinho de inferno aberto.O amor é uma coisa, a vida é outra. A vida às vezes mata o amor. A "vidinha" é uma convivência assassina. O amor puro não é um meio, não é um fim, não é um princípio, não é um destino. O amor puro é uma condição. Tem tanto a ver com a vida de cada um como o clima. O amor não se percebe. Não é para perceber.O amor é um estado de quem se sente. O amor é a nossa alma. É a nossa alma a desatar. A desatar a correr atrás do que não sabe, não apanha, não larga, não compreende.O amor é uma verdade. É por isso que a ilusão é necessária. A ilusão é bonita, não faz mal. Que se invente e minta e sonhe o que quiser. O amor é uma coisa, a vida é outra. A realidade pode matar, o amor é mais bonito que a vida. A vida que se lixe. Num momento, num olhar, o coração apanha-se para sempre. Ama-se alguém. Por muito longe, por muito difícil, por muito desesperadamente. O coração guarda o que se nos escapa das mãos. E durante o dia e durante a vida, quando não esta lá quem se ama, não é ela que nos acompanha - é o nosso amor, o amor que se lhe tem.Não é para perceber. É sinal de amor puro não se perceber, amar e não se ter, querer e não guardar a esperança, doer sem ficar magoado, viver sozinho, triste, mas mais acompanhado de quem vive feliz. Não se pode ceder. Não se pode resistir. A vida é uma coisa, o amor é outra. A vida dura a vida inteira, o amor não. Só um mundo de amor pode durar a vida inteira. E valê-la também."

Miguel Esteves Cardoso in Expresso

04 Setembro 2006

Fundo do Mar

Fotografia de Pedro Benevides in www.olhares.com

No fundo do mar há brancos pavores,
Onde as plantas são animais
E os animais são flores.

Mundo silencioso que não atinge
A agitação das ondas.
Abrem-se rindo conchas redondas,
Baloiça o cavalo-marinho.
Um polvo avança
No desalinho
Dos seus mil braços,
Uma flor dança,
Sem ruído vibram os espaços.

Sobre a areia o tempo poisa
Leve como um lenço.

Mas por mais bela que seja cada coisa
Tem um monstro em si suspenso.
Sophia de Mello Breyner Andresen in O Mar

02 Setembro 2006

Em silêncio...

Fotografia de Paulo Custódio in www.olhares.com

"Quando te sentires perdida, confusa, pensa nas árvores, lembra-te da forma como crescem. Lembra-te de que uma árvore com muita ramagem e poucas raízes é derrubada à primeira rajada de vento, e de que a linfa custa a correr numa árvore com muitas raízes e pouca ramagem. as raízes e os ramos devem ser de igual modo, deves estar nas coisas e sobre as coisas, só assim poderás dar sombra e abrigo, só assim, na estação apropriada, poderás cobrir-te de flores e de frutos.
E quando à tua frente se abrirem muitas estradas e não souberes a que hás-de escolher, não metas por uma ao acaso, senta-te e espera. Respira com a mesma profundidade confiante com que respiraste no dia em que vieste ao mundo, e sem deixares que nada te distraia, espera e volta a esperar. Fica quieta, em silêncio, e ouve o teu coração. Quando ele te falar, levanta-te, e vai para onde ele te levar."

Susanna Tamaro in Vai onde te Leva o Coração

31 Agosto 2006

A Felicidade de ser Criança...

Fotografia de Reuben Bezoza in www.olhares.com

"Oh! A idade venturosa da infância! Onde há outra mais feliz e mais tranquila, mais sorridente - isto é, mais egoísta?... Em volta de nós podem suceder as piores catástrofes. Se elas nos não arrancam nem os brinquedos nem os bolos, não nos atingem de forma alguma... não as compreendemos sequer... Quando muito, correm-nos lágrimas vendo chorar as nossas mães. No entanto, é só ainda vagamente que percebemos a dor humana. Por isso as nossas lágrimas secam depressa diante dos brinquedos. E se o quadro em que nos agitamos é risonho, a infância tansforma-se-nos então num jardim maravilhoso. Para as crianças felizes, só para elas, existe realmente um céu - o ceú dos seus primeiros anos."

Mário de Sá-Carneiro, in 'O Incesto'

29 Agosto 2006

Nunca é tarde ...

Fotografia de Joana da Costa Silva
Nunca é tarde ... para recomeçar...
Nunca é tarde ... para sorrir...
Nunca é tarde ...para olhar para trás...
Nunca é tarde ... para perdoar...
Nunca é tarde ... para sentir...
Nunca é tarde ... para dar...
Nunca é tarde ... para receber...
Nunca é tarde ... para abraçar...
Nunca é tarde ... para aceitar...
Nunca é tarde ... para lembrar...
Nunca é tarde ... para Amar!

18 Agosto 2006

A caminho de uma aldeia chamada Taizé

A caminho de mais uma peregrinação rumo às fontes da fé...
muitas dúvidas, alguns medos, uma única certeza!
Esperando poder entregar-me de novo a esta certeza,
assim vou eu com um destino bem marcado,
mas sem nada em definido para descobrir...
pois sei que será sempre uma surpresa!
No regresso serei certamente diferente...
na esperança da confiança em Ti!

17 Agosto 2006

Quando eu brincava ao "faz de conta"...

Arlequim - Ouve, ouve Pierrot!
Pierrot - O que há ainda?
A - Ouve: tive uma ideia!
P - Mais uma ideia?
A - Sim, sim! Chegou agora mesmo!
P - Não achas qua chegou tarde?
A - É porque tu não sabes a ideia que é!
P - Tinha-te escapado essa!
A - É verdade. E é a melhor d todas! Até estou admirado como não a tive há mais tempo! Queres ouvi-la?
P - Escuta, Arlequim!
A - O que foi?
P - Tive uma ideia!
A - Não, espera um pouco: Deixa-me contar-te primeiro a minha.
P - Não, não pode ser! Primeiro conto eu.
A - Quem teve a primeiro a ideia fui eu!
P - Ah, vê-se mesmo que não sabes qual é a ideia que eu tive agora mesmo!
A - Oh, e se tu ouvisses a minha!
P - Não pode haver comparação!
A - Isso mesmo digo eu!
P - Eu nem tenho forças para escutar a tua sem te ter dito a minha!
A - É o que acontece comigo
P - Tanto pior pra ti!
A - É impossível haver uma ideia mais genial q a minha!
P - Oh, e a minha!
A - Somos capazes de ter tido a mesmo ideia!
P - Oh, não, é impossível! Vais ver: Eu conto-te a minha,E a tua fica logo a perder de vista.
A - Não digas fantasias! Tu sabes lá o q ueme veio à cabeça? Digo-te mais: é o suficiente para voltar o mundo inteiro de pernas ao ar!
P - Ora aí esta! Afinal sou eu q tenho razão: Tu precisas de ouvir primeiro que tudo a minha ideia:
A - Mas porquê?
P - Pois tu acabas de dizer que a tua ideia faz voltar o mundo de pernas ao ar:
Tens por força que ouvir primeiro a minha ideia.
A - Bom: Conta-a lá, Mas depressa!
P - A minha ideia é esta: Pedir-te que não digas a tua ideia.
A - Ora essa! Porquê?
P - Pensa porque será
A - Não sei porquê!
P - Então eu digo-te: Porque tu e eu, Nós os dois, já não existimos! Ambos nós morremos e estamos aqui enterrados os dois, cada um na sua cova. E tão sós como o estivemos na vida. Ouviste bem? A morte já veio ter conosco, E ela é como tu dizias da vida: é só uma. Agora já não há ideias que nos valham! Acabou-se tudo: O q foi feito e o que não foi feito!
A - O que não foi feito?
P – Sim! O pior não é o que fizemos; É o que não fizemos!... E agora já é tarde, Muito tarde! Estás a ouvir?
A - É verdade! Acabou-se tudo!... E ia tudo tão bem desta vez! Tu não imaginas que genial que era a minha ideia!
P - Escapou-te essa! Tu n dizias q a vida era só uma; E q havias de espremê-la mto bem espremidinha até ao fim?
A - Escapou-me logo a melhor de todas!
P - Tem graça, não tem? Ter escapado logo a melhor de todas!
A - Dou-te a minha palavra de honra que era a melhor de todas!
P - Escusas de dar a palavra de honra, Porque sei que dizes a verdade. Também a mim me escapou a melhor de todas!
A - Tem graça: A ti também?!
P - É verdade: A mim também
A - Não há dúvida: agora já é tarde.

Almada Negreiros

16 Agosto 2006

Nós e Deus

"Uma vez pediram a um peixe para falar do mar.
- Fala-nos do mar - disseram-lhe.
- Dizem que é muito grande o mar, respondeu o peixe. Dizem que sem ele morreríamos. Não sou o peixe mais indi­cado para vos falar do mar. Eu, do mar, o que conheço bem são só estes dez metros à superfície. É só deles que vos posso falar. É aqui que passo o meu tempo, quase sempre distraí­do. Ando de um lado para o outro, à procura de comida ou simplesmente às voltas com o meu cardume. No meu car­dume não se fala do mar. Fala-se das algas, das rochas, das marés, dos peixes grandes e perigosos, dos peixes pequenos e saborosos e de que temperatura fará amanhã. O meu car­dume é assim: eles vão e eu vou atrás deles.
- Mas tu, que és peixe, nunca sentiste o mar?
- Creio que o sinto, às vezes, ao passar-me nas guelras. Umas vezes sinto-o, outras não. Às vezes sinto-o, quando não me distraio com outras coisas. Fecho os olhos e fico a sentir o mar. Isto tudo de noite, claro, para que os outros não vejam. Diriam que sou louco por dar tempo ao mar.
- Conheces o mar, portanto. Podes falar-nos do mar?
- Sei que é grande e profundo, mas não vos quero enganar. Sei de peixes que já desceram ao fundo do mar. Quando os ouvi falar percebi que não conheço o mar. Perguntem-lhes a eles, que vos saberão falar do mar. Eu nunca desci muito fundo. Bem, talvez uma ou duas vezes ... Um dia as ondas eram tão fortes que eu tive de me deixar levar muito fundo, para não morrer. Nunca lá tinha estado e nunca esquecerei que lá estive. Apenas vos sei falar bem da superfície do mar ...
- Foi mau, quando desceste? Por que voltaste à superfí­cie?
- Não foi mau. Foi muito bom. Havia muita paz, muito silêncio. Era como se fosse lá a minha casa, como se ali eu estivesse inteiro.
- Por que não voltaste lá ao fundo? Por preguiça?
- Às vezes acho que é preguiça, outras vezes acho que é medo.
- Medo? Mas tu não disseste que era bom? Medo de quê?
- Medo do desconhecido, medo de me perder. Aqui à superfície já estou habituado. Adquiri um certo estatuto para mim mesmo. Controlo as coisas ou, pelo menos, tenho a sensação de as controlar. Lá em baixo não sei bem o que me pode acontecer. Estou todo nas mãos do mar.
- Tiveste medo, quando chegaste ao fundo do mar?
- Não tive medo algum. Era tudo muito simples ... E no entanto agora tenho medo ... Mas eu não cheguei ao fundo do mar! Apenas estive menos à superfície.
- E que dizem os outros, os que lá estiveram?
- Dizem coisas que eu não entendo. Dizem que é preciso ir para perceber. E dizem que nada há de mais importante na vida de um peixe.
- E explicam como se vai?
- Aí é que está. Explicam que não se chega lá por esforço, que só podemos fazer esforço em deixar-nos ir. Que é só o mar que nos leva ao mar.

Então veio uma corrente mais forte que o fazia descer. O peixe tentou lutar contra ela com quantas forças tinha, à medida que via distanciarem-se as coisas da superfície. Talvez para sempre ... Mas depois fechou os olhos, confiou e já sem medo deixou-se ir."
Nuno Tovar de Lemos, s.j. in O Príncipe e a Lavadeira
Fotografia de Paulo César in www.olhares.com

15 Agosto 2006

Lua de Sonho

Fotografia de Miguel Ângelo Perreira in www.olhares.com
"O Sonho é o alimento da Alma, como a comida é o alimento do corpo.
O prazer da busca e da aventura alimentam os sonhos."
Paulo Coelho in DIÁRIO DE UM MAGO

Vida para construir ou plantar?

Fotografia de Pedro Lima in www.olhares.com
"Cada pessoa, durante a sua existência, pode ter duas atitudes: Construir ou Plantar.
Os construtores podem demorar anos nas suas tarefas, mas um dia terminam aquilo que andaram a fazer. Então param e ficam limitados pelas suas próprias paredes. A vida perde o sentido quando a construção acaba.
Os que plantam sofrem com as tempestades, as estações, e raramente descansam. Mas, ao contrário de um edifício, o jardim nunca pára de crescer. E, ao mesmo tempo que exige a atenção do jardineiro, também permite que, para ele, a vida seja uma grande aventura."

Paulo Coelho in BRIDA

12 Agosto 2006

A r r i s c a r . . .

Fotografia de Gilberto Júnior in www.olhares.com


"Rir é arriscar parecer parvo
Chorar é arriscar parecer sentimental
Procurar alguém é arriscar-se a ser rejeitado
Mostrar os teus sonhos perante a multidão é arriscar-se a fazer ridículo
Amar é arriscar-se não ser correspondido...
Mas é preciso correr riscos para evitar o maior risco de todos.... não arriscar nada! "

Miguel Torga

10 Agosto 2006

Lição de vida...

Fotografia de Marcelo+Guedes in www.olhares.com


“Depois de algum tempo aprendes a diferença, a subtil diferença, entre dar a mão e acorrentar uma alma. E aprendes que amar não significa apoiar-se, e que companhia nem sempre significa segurança. E começas a aprender que beijos não são contratos, e presentes não são promessas. (...) E não importa o quão boa seja uma pessoa, ela vai magoar-te de vez em quando, e precisas perdoá-la por isso. Aprendes que falar pode aliviar dores emocionais.
Descobres que se leva anos para se construir confiança e apenas segundos para destrui-Ia, e que podes fazer coisas num instante, das quais te arrependerás pelo resto da vida. Aprendes que verdadeiras amizades continuam a crescer mesmo a longas distâncias. E o que importa não é o que tu tens na vida, mas quem tens na vida (...) Descobres que as pessoas com quem mais te importas na vida, são tiradas de ti muito depressa; por isso, devemos deixar sempre as pessoas que amamos com palavras amorosas; pode ser a última vez que as vemos (...) Aprendes que paciência requer muita prática (...)
Aprendes que quando estás com raiva tens o direito de estar com raiva, mas isso não te dá o direito de seres cruel. Aprendes que nem sempre é suficiente seres perdoado por alguém. Algumas vezes, tens de aprender a perdoar-te a ti mesmo. Aprendes que com a mesma severidade com que julgas, tu serás em algum momento condenado. Aprendes que não importa em quantos pedaços o teu coração foi partido, o mundo não pára para que o consertes. E, finalmente, aprendes que o tempo não é algo que possa voltar para trás. Portanto planta o teu jardim e decora a tua alma, ao invés de esperar que alguém lhe traga flores.
E percebes que realmente podes suportar... Que realmente és forte, e que podes ir muito mais longe depois de pensar que não se pode mais. E que realmente a vida tem valor, e que tu tens valor diante da vida! (...) E só nos faz perder o bem que poderiamos conquistar, o medo de tentar!”

William Shakespeare

Se tu queres um amigo, cativa-me! ...

"- Bom dia, disse a raposa.
- Quem és tu? perguntou o principezinho. Tu és bem bonita...
- Sou uma raposa.
- Vem brincar comigo, propôs o principezinho. Estou tão triste...
- Eu não posso brincar contigo, disse a raposa. Não me cativaram ainda.
- Ah! desculpa, disse o principezinho. - Que quer dizer "cativar"?
- É uma coisa muito esquecida, disse a raposa. Significa "criar laços..."
- Criar laços?
- Exactamente, disse a raposa. Tu não és ainda para mim senão um garoto inteiramente igual a cem mil outros garotos. E eu não tenho necessidade de ti. E tu não tens também necessidade de mim. Não passo a teus olhos de uma raposa igual a cem mil outras raposas. Mas, se tu me cativas, nós teremos necessidade um do outro. Serás para mim único no mundo. E eu serei para ti única no mundo... Se tu me cativas, a minha vida será como que cheia de sol. Conhecerei um barulho de passos que será diferente dos outros. Os outros passos me fazem entrar debaixo da terra. O teu me chamará para fora da toca, como se fosse música.
A raposa calou-se e considerou por muito tempo o príncipe:
- Por favor... cativa-me! disse ela.
- Bem quisera, disse o principezinho, mas eu não tenho muito tempo. Tenho amigos a descobrir e muitas coisas a conhecer.
- A gente só conhece bem as coisas que cativou, disse a raposa. Os homens não têm mais tempo de conhecer alguma coisa. Compram tudo prontinho nas lojas. Mas como não existem lojas de amigos, os homens não têm mais amigos. Se tu queres um amigo, cativa-me! ... "

Antoine de Saint Exuperry in "O Principezinho"

08 Agosto 2006

S i m p l e s ?

Fotografia de Alba Luna in www.olhares.com

A simplicidade bela de um malmequer!

Assim deveria ser a vida...

assim podemos torná-la...

com a mesma simplicidade...

com que a desejamos...

Será tão simples???

07 Agosto 2006

A Arte de Viver, pela Fantasia

"A fantasia é a mãe da satisfação, do humor, da arte de viver.
Apenas floresce alicerçada num íntimo entendimento entre o ser humano e aquilo que objectivamente o rodeia.
Esse ambiente envolvente não tem de ser belo, singular ou sequer encantador.
Basta que tenhamos tempo para a ele nos habituarmos, e é sobretudo isso que hoje em dia nos falta. "

Hermann Hesse, in 'Ainda da Felicidade'

Fotografia de Diogenes Freitas in www.olhares.com

05 Agosto 2006

Pedra a Pedra

“Marco Polo descreve uma ponte, pedra a pedra.

- Mas qual é a pedra que sustém a ponte? – pergunta Kublai Kan.

- A ponte não é sustida por esta ou por aquela pedra – responde Marco, - mas sim pela linha do arco que elas formam.

Kublai Kan permanece silencioso, refletindo. Depois acrescenta:- Porque me falas das pedras? É só o arco que me importa.

Polo responde:- Sem pedras não há arco.”

Italo Calvino in "As Cidades Invisíveis"


Assim cada um de nós, em particular e sem excepção é peça fundamental e essencial na sua existência, pensamentos e atitudes. Esta "dica" é antes de mais para mim, que também, por vezes relativiza a própria existência! Nunca se esqueçam que o dom da vida é uma dádiva que não deve, nem pode ser desperdiçada...Que a vossa vida, assim como as pedras que formam o arco, sustenham a ponte de amor entre os Homens!

Surpresa!!!

Fotografia de Altair Castro, in www.olhares.com
"Ser surpreendido por tudo é claro que é estupido, e não ser supreendido por nada é ainda mais estúpido do que ser surpreendido por tudo.
Pois não ser surpreendido por nada é quase igual a não se sentir respeito por nada.
E é realmente estúpido aquele que é incapaz de sentir respeito."


Fiodor Dostoievski, in 'Bobok'