21 Fevereiro 2008
16 Fevereiro 2008
PARA ATRAVESSAR CONTIGO O DESERTO DO MUNDO

Para atravessar contigo o deserto do mundo
Para enfrentarmos juntos o terror da morte
Para ver a verdade para perder o medo
Ao lado dos teus passos caminhei
Por ti meu reino meu segredo
Minha rápida noite meu silêncio
Minha pérola redonda e seu oriente
Meu espelho minha vida minha imagem
E abandonei os jardins do paraíso
Cá fora à luz sem véu do dia duro
Sem os espelhos vi que estava nua
E ao descampado se chamava tempo
Por isso com teus gestos me vestiste
E aprendi a viver em pleno vento
SOPHIA DE MELLO BREYNER (1919 - 2004)
09 Fevereiro 2008
A felicidade exige valentia.

Foto de Bigmac in olhares.com
"Posso ter defeitos, viver ansioso e ficar irritado algumas vezes mas, não
esqueço de que minha vida é a maior empresa do mundo, e posso evitar que ela vá à falência.
Ser feliz é reconhecer que vale a pena viver apesar de todos os desafios, incompreensões e períodos de crise. Ser feliz é deixar de ser vítima dos problemas e se tornar um autor da própria história.
É atravessar desertos fora de si, mas ser capaz de encontrar um oásis no recôndito da sua alma.
É agradecer a Deus a cada manhã pelo milagre da vida. Ser feliz é não ter medo dos próprios sentimentos. É saber falar de si mesmo. É ter coragem para ouvir um "não". É ter segurança para receber uma crítica, mesmo que injusta.
Pedras no caminho?
Guardo todas, um dia vou construir um castelo..."
Fernando Pessoa - 70º aniversário da sua morte
07 Fevereiro 2008

Foto de Zélia Paulo Silva in olhares.com
Quando os mundos se cruzam e a subtil fronteira entre eles nos perturba os sentidos... pensando estarmos a seguir o que os olhos nos dizem... descobrimos, e o corpo apercebe-se que a realidade é um pouco diferente... como reagimos a essa Surpresa inesperada? Lutamos com o choque que se depara à nossa presença? Abraçamos o inesperado como uma nova oportunidade de aprendizagem contínua?
O quanto as nossas expectativas nos podem trair...
26 Julho 2007
Saudades

Fotografia de João Henriques in olhares.com
Saudades...
do que vivi...
do que não vivi...
tempo que corre veloz...
e demora tanto a passar!
o sonho?
Esse vai baloiçando... tonto
nas ondas ora da realidade ora da imaginação!
Enebriante...
confusão de sentidos,
que dá ritmo ao bater do mesmo coração...
Saudades... sempre... em mim
16 Julho 2007
Plumeria alba

A subtileza da natureza revela-se nas coisas mais simples, que são em si plenas de beleza... beleza ao olhar, beleza ao sentir, beleza ao conhecer!
Simples e Belo deve ser também o nosso caminho, não só na chegada mas especialmente ao longo do seu percorrer... não nos deixe-mos cegar com pormenores insignificantes que nos tapam a visão do destino para o qual caminhamos...
03 Julho 2007
21 Junho 2007
Casca
Continuamos a tratar da casca
Continuamos a moldar a casca
Continuamos a remar de costas
E a provar águas quase mortas
E a viver ruas já pisadas
E a levar pedras já usadas
Num saco meio roto
Num saco meio morto
Tentamos não manchar a casca
Para fazer brilhar a casca
Tentamos não parar de costas
Tentamos não falhar respostas
Que nunca nos vejam de fora!!
É para nós que o mundo adora
Passos de dança no chão
É para nós que os olhos olham.
Fingimos não pensar na casca
Tentamos perdoar a casca
Separamos bem e mal
Quando se inspira o real
E se queima o que é vida
Mais uma hora despida
Onde águas não escorrem
E mágoas não morrem
Para quê tirar retratos?
Para quê limpar os fatos?
Para caber na moldura
Não ligar a ruptura
Mandar calar o pó
Deixar ficar o nó
Partir mais uma corda
Expulsar mais uma nódoa
Tentamos disfarçar demónios
Por medo desviamos olhos
Por fuga apagamos fogos
Por escudos renascemos novos
Sem rasto esquecemos lábios
Altivos, rastejamos, sábios
Cada vez mais fundo
No buraco do mundo
Com força agarra-se a casca
Que é só o que nos resta
Que o mastro derreteu
Mais tudo encolheu
Quisemos testar barreiras
E construímos teias
Difíceis de romper
E aqui ficamos presos...na casca.
Casca é tempo que dói
É janela fechada que estilhaça
quando se olha para tras..
Vento é o que bate na cara
É só largar a casca!!
Não se olha para trás!
By Toranja
07 Junho 2007
Cada palavra é uma semente...
Fotografia de Tiago Estima in olhares.comVivemos na época das antinomias. Do máximo bem estar e da maior insatisfação, da extrema segurança e dos medos incontroláveis, das sofisticadíssimas comunicações planetárias e da incapacidade total de comunicar entre as pessoas.
O nosso tempo é um tempo ditatorialmente democrático, é o tempo do domínio absoluto do ruído, do alarido, dos gritos, da desarmonia sonora que já atinge e envolve os seres humanos de todos os povos e de todas as condições sociais.
Sim, se tenho de pensar num factor unificador da nossa época, é justamente o alarido.
O silêncio morreu e, ao desaparecer, arrastou consigo tudo o que constitui a base do ser humano. Não há silêncio no ar à nossa volta, não há silêncio nos espíritos, nos corações. A ausência de silêncio é o triunfo daquilo a que todas as tradições orientais chamam «o macaco» - o nosso espírito - que gera ruídos, grita por causa de uma sombra,s e agita, salta, faz alarido para abafar o alarido dos outros.
O macaco gera um turbilhão constante de impressões, opiniões, alarmes, um rio a transbordar que faz gorar qualquer tentativa de criar, no espírito e no coração, uma estabilidade e uma ordem verdadeiras.
O alarido incomoda-nos. Consultando o dicionário, descobrimos que «incomodar» significa: estorvar, impedir, obstar, desviar, distrair.
Sim, há sempre alguém ou alguma coisa que quer desviar-se do silêncio, evitar que contemplemos a nossa realidade mais profunda, impedir que dessa realidade nasça e cresça a nossa evolução como pessoas.
«O que a irrigação é para as plantas, é o silêncio para o aumento do conhecimento» escrevia Isaac de Ninive no século VI d.e. De facto, sem silêncio, não posso conhecer-me, não posso conhecer o outro. Sem silêncio, não posso abeirar-me da fonte do saber.
Mas de onde vem o alarido? Porque é que não há força que consiga contê-lo?
Se quero plantar uma árvore no fim do Inverno, costumo preparar o terreno no início do Outono. Há sempre um factor determinante que contribui para o nascimento e a evolução de um acontecimento novo. Por isso o século xx, com o seu rasto trágico de ideologias, niilismo, guerras e extermínios, semeou no novo milénio a bomba-relógio do relativismo ético.
O bem e o mal já não são valores reconhecíveis colectivamente, são derivas do sentimentalismo individual. Se o bem não existe em si, passa a ser bem o que me agrada, o que me satisfaz, e, por conseguinte, mal é aquilo de que não gosto, o que me inquieta, me faz sentir mal.
Graças ao relativismo ético, a nossa sociedadl; renunciou à sua função educativa. A família não educa, a escola não educa, o contexto civil não educa.
De facto, educar significa conduzir, apontar um caminho, mas, para isso, haveria que saber o rumo a seguir. Como se pode apontar um caminho, se a vida é um vaguear sem destino, se não há limites a respeitar, horizontes a atingir? Portanto, mais vale confiar no acaso, a bondade natural do ser humano fará o seu papel e do resto tratarão os acontecimentos com que iremos deparar que nunca serão bons, nem maus e de que, além do mais, não seremos minimamcnte responsáveis.
A tarefa principal dos pais modernos parece; ser apenas a de não criarem obstáculos (que poderiam provocar traumas incuráveis), não estabelecerem limites (para não correrem o risco de cortar as assas à natural criatividade infantil). Pensa-se que será a sabedoria inata da criança a fazê-la escolher o caminho que a levará a realizar-se da melhor forma.
Há um belíssimo provérbio africano que diz: «Para se educar uma criança, é preciso uma aldeia inteira.»
E é mesmo assim, precisa-se da variedade e da diversidade das relações e, ao mesmo tempo, da coesão de uma comunidade que respeita e faz respeitar as suas leis.
Talvez seja por isso que a acanhada família mononuclear, apesar de todos os seus cuidados e subtilezas pedagógicas, gera, na maior parte dos casos, crianças eternas, capazes de conjugar até ao infinito um único e importuno verbo: «Eu quero». E ninguém reparou - ou melhor, ninguém quis reparar - que, entretanto, o provérbio africano foi assumido a nível planetário. Só que já não é o conjunto dos parentes - ou seja, o contexto social feito de pessoas, rostos, histórias humanamente compreensíveis - que educa, mas a anónima e poderosíssima e subtilmente perversa aldeia global.
Perante a abulia educativa dos pais, perante a apatia da escola e a ausência de um grupo formativo, a comunidade educadora passa automaticamente a ser a que é constituída pelo rosto opaco dos mass media, da grande antena que domina e envolve os nossos dias com o seu constante grasnar.
É ela que nos diz no que devemos acreditar e o que devemos desprezar, o que escandaliza e o que, pelo contrário, deve merecer o nosso aplauso. É ela que nos impõe a certeza de que, sem a posse de alguns objectos determinados, resvalaremos para o grande mar dos zés-ninguéns. Como é natural, tudo acontece de uma forma democrática, desprovida de obrigações. Na verdade, para evitar rebeliões, temos de estar convencidos de que somos sempre nós - e só nós - que escolhemos. Mas será mesmo assim?”
28 Maio 2007
A Vida não Pára!
Mesmo quando o tudo pede um pouco mais de calma
Até quando o corpo pede um pouco mais de alma
A vida não pára
Enquanto o tempo acelera e pede pressa
Eu me recuso faço hora vou na valsa
A vida é tão rara
Enquanto todo mundo espera a cura do mal
E a loucura finge que isso tudo é normal
Eu finjo ter paciência
O mundo vai girando cada vez mais veloz
A gente espera do mundo e o mundo espera de nós
Um pouco mais de paciência
Será que é o tempo que lhe falta pra perceber
Será que temos esse tempo pra perder
E quem quer saber
A vida é tão rara (tão rara)
Mesmo quando tudo pede um pouco mais de calma
Mesmo quando o corpo pede um pouco mais de alma
Eu sei, a vida não para
Paciência By Lenine
... mas podemos aprender a saboreá-la... mas sobretudo valorizá-la:D
para curiosos: http://www.youtube.com/watch?v=HZnvUNVkKfY
27 Maio 2007
Memories
Memories Mayor Mente
In this world you tried
Not leaving me alone behind
There's no other way
I'll pray to the gods let him stay
The memories ease the pain inside,
Now I know why
All of my memories keep you near
In silent moments
Imagine you be'd here.
All of my memories keep you near,
Your silent whispers, silent tears
Made me promise I'd try
To find my way back in this life
I hope there is a way
To give me a sign you're okay
Reminds me again it's worth it all
So I can go home
All of my memories keep you near
In silent moments
Imagine you be'd here
All of my memories keep you near
Your silent whispers, silent tears
Together in all these memories
I see your smile
All the memories I hold dear
Darling, you know I'll love you
till the end of time
All of my memories keep you near
In silent moments,
Imagine you be'd here
All of my memories keep you near,
Your silent whispers, silent tears
All of my memories...
By Within Temptation
16 Maio 2007
Try
25 Abril 2007
23 Abril 2007
de alma plena...
17 Abril 2007
Lugares
30 Março 2007
22 Março 2007
17 Março 2007
25 Fevereiro 2007
Tão perto e tão longe...
10 Fevereiro 2007
O que vêem nesta mão?
Fotografia de Luís M. Gomes in olhares.com
Dedos de uma mão, de uma mão estendida, estendida para cima...
O que vêem nesta mão?
Mão que dá? Mão que recebe? Mão que quer? Mão que espera? Mão que se estende a quem a vier buscar? Mão que pede? Mão vazia? Mão cheia? Cheia de vontade? Cheia de pedidos? Cheia de Medos? Cheia de Dúvidas? Cheia de esperança? Cheia de defesas? Cheia de amor? Cheia de incertezas? Cheia de humildade? Cheia de querer? Cheia de coragem? Uma mão que se estende a todos nós todos os dias.... Mão nossa, Mão alheia, Mão humana que muda a sua história todos os dias... umas vezes é Mão que dá, mão cheia... outras vezes é Mão vazia que recebe...
Que todos nós tenhamos a humildade de saber ser todas estas mãos quando for tempo de as ser!
08 Fevereiro 2007
Coração Polar

Fotografia de L Du Lac in olhares.com
Não sei de que cor são os navios
quando naufragam no meio dos teus braços
sei que há um corpo nunca encontrado algures no mar
e que esse corpo vivo é o teu corpo imaterial
a tua promessa nos mastros de todos os veleiros
a ilha perfumada das tuas pernas
o teu ventre de conchas e corais
a gruta onde me esperas
com teus lábios de espuma e de salsugem
os teus naufrágios
e a grande equação do vento e da viagem
onde o acaso floresce com seus espelhos
seus indícios de rosa e descoberta.
Não sei de que cor é essa linha
onde se cruza a lua e a mastreação,
mas sei que em cada rua há uma esquina
uma abertura entre a rotina e a maravilha.
Há uma hora de fogo para o azul
a hora em que te encontro e não te encontro
há um ângulo ao contrário
uma geometria mágica onde tudo pode ser possível
há um mar imaginário aberto em cada página
não me venham dizer que nunca mais
as rotas nascem do desejo
e eu quero o cruzeiro do sul das tuas mãos
quero o teu nome escrito nas marés
nesta cidade onde no sítio mais absurdo
num sentido proibido ou num semáforo
todos os poentes me dizem quem tu és.
Manuel Alegre (1936) in Poemas de Amor
07 Fevereiro 2007
Piano (Michael Nyman)
06 Fevereiro 2007
Si Conocieras el Don de Dios
Fotografia de Alba Luna in olhares.comSi conocieras como te amo, si conocieras como te amo
dejarias de vivir sin amor,
si conocieras como te amo, si conocieras como te amo
dejarias de mendigar cualquier amor,
si conocieras como te amo, como te amo
Serias mas feliz.
Si conocieras como te busco, si conocieras como te busco
Dejarias que te alcanzara mi voz ,
si conocieras como te busco, si conocieras como te busco
dejarias que te hablara al corazon,
si conocieras como te busco, como te busco
escucharias mas mi voz.
Si conocieras como te sueño, si conocieras como te sueño
Me preguntarias lo que espero de ti,
si conocieras como te sueño, si conocieras como te sueño
buscarias lo que he pensado para ti,
Pensarias mas en mi.
(Si Conocieras el Don de Dios) Música de Hermana Glenda
05 Fevereiro 2007
...
Há dias em que nos sentimos pequeninos, muito pequeninos... em que nos sentimos extremamente vulneráveis e mesmo não querendo tornamo-nos susceptíveis a qualquer "ameaça" exterior... sem forças para encontrar a Força dentro de nós... mesmo sabendo que ela existe algures...
02 Fevereiro 2007
30 Janeiro 2007
29 Janeiro 2007
22 Janeiro 2007
19 Janeiro 2007
18 Janeiro 2007
o l h o s d o s e n t i r
14 Janeiro 2007
Amanhã é sempre um novo dia!
O amanhã está perto, tão perto!... e com ele vem a oportunidade de mais um dia inteirinho para fazer tudo o que podemos fazer, e ainda o que podemos duvidar sermos capazes de fazer...
09 Janeiro 2007
salto... ou... não salto?
02 Janeiro 2007
May it Be
May it be an evening star
Shines down upon you
May it be when darkness falls
Your heart will be true
You walk a lonely road
Oh! How far you are from home
Mornie utúlië (darkness has come)
Believe and you will find your way
Mornie alantië (darkness has fallen)
A promise lives within you now
May it be the shadows call
Will fly away
May it be you journey on
To light the day
When the night is overcome
You may rise to find the sun
ENYA
Loucura
Fotografia de Vitor Hugo Sacadura in www.olhares.com"Há sempre alguma loucura no amor. Mas há sempre um pouco de razão na loucura" Nietzsche
31 Dezembro 2006
novo ano à vista
Chega ao fim mais um ciclo de 365 dias que preenchem o calendário de mais um ano. Este ano, como todos os outros, está replecto de memórias, de crescimento, de progressos, de inovações, de descobertas, mas também de alguns enganos, de erros, de crueldades, de injustiças. No entanto quero acreditar que há um sentido maior que prevalece, que nos diz que vale a pena continuar a sonhar, e ainda mais, que vale a pena arriscar os nossos sonhos, que eles têm uma razão de ser, que é isso que faz o mundo continuar a girar, mesmo que às vezes seja mais devagar do que desejariamos. Claro que todos nós temos um papel importante neste girar do nosso mundo, todos nós temos a responsabilidade em mãos e é este compromisso que devemos respeitar e cumprir para que o próximo ano possa ser um pouco melhor do que o anterior... Nesta época do ano torna-se quase inevitável repensar as nossas atitudes, comportamentos e pensamentos, chega a nostalgia do que passou, do que foi e do que poderia ter sido. Esboçam-se novas estratégias e afinam-se as prioridades... afinal já passou mais um ano e no final já somos um bocadinho diferentes daquilo que éramos no início do ano, muita coisa aconteceu, novas pessoas surgem na nossa vida enquanto que outras saem sorrateiramente, descobrimos novos interesses, novas qualidades e habilidades, percebemos um pouco melhor do que se passa à nossa volta e percebemos qual o nossso contributo para o mundo, para a sociedade, para os que estão mais próximos de nós e para aqueles que não conhecemos... Claro que surgem novas dúvidas, novos desafios que irão continuar a moldarnos ao longo do ano que se aproxima! Assim resta-me desejar a todos um excelente ANO NOVO, que consigam realizar os vossos sonhos e se se realizem pessoalmente!
28 Dezembro 2006
Cinderela
Ela tem cabelos louros,
Numa outra brincadeira
Uns olhares envergonhados
Foram juntos outro dia,
Ela corou um pouquinho
Então
Bate, bate coração
Louco, louco de ilusão
A idade assim não tem valor.
Crescer
Ela, quando lá o viu,
Então ...
E agora, nos recreios,
E, num desses momentos,
27 Dezembro 2006
Como seria a comunicação sem falar?
"Como seria a comunicação sem falar?
Primeiro o olhar, o encontro sedutor e misterioso dos olhos, depois o sorriso, mas não muito aberto, apenas o suficiente para dizer sim.
De seguida o passo em frente, aquele que provoca ansiedade, que nos corta a respiração, o que faz parar o tempo, o que apaga o resto do mundo.
De novo o sorriso, agora largo e franco deixando tudo o que seja dele entrar em mim e, então timidamente, o primeiro toque, o primeiro abraço, o mergulho no conforto, na segurança.
E só aí aparece, pela priveira vez, a sensação de dois num só!"
Teresa Sampaio
24 Dezembro 2006
Espírito de Natal

18 Dezembro 2006
Afinal o que é o Natal?
"O Natal é a festa mais influente, importante e motivadora do mundo. Todo o mundo, de uma maneira ou de outra, a celebra. O Natal é a única festa cristã que toda a gente celebra. Podemos mesmo dizer que uma das poucas coisas de que o nosso tempo gosta na Igreja é o Natal, a maior festa do mundo.Mas, ao mesmo tempo, o Natal é a festa em que os cristãos mais resmungam. Grande parte dos cristãos passa o Natal a criticar o mundo pela forma como ele celebra o Natal. O mundo passa o Natal a comprar presentes, a comer fritos e a enfeitar árvores. Os cristãos passam o Natal a fazer exactamente o mesmo. Mas a achar que os outros, ao fazerem isso, não têm espírito de Natal.
Além disso, muitos cristãos bem intencionados desvalorizam o Natal. Eles acham que "o Natal devia ser sempre", que "Natal é quando um homem quiser" ou que "o Natal não interessa porque está destruído pelas compras e pelos banquetes". Assim, para muitos cristãos, o Natal não é a festa única que realmente é, porque deveria ser outra coisa. Tudo isto mostra que existe, sem dúvida, um mistério no Natal. Por que razão tanta gente gosta do Natal? Por que razão tantos se zangam pela forma como os outros gostam do Natal? Visto por fora, o Natal é composto pelas compras, pelos fritos, presentes e pela festa da família.
Mas, afinal, qual é o mal das compras, dos enfeites e dos fritos? No fundo, os presentes de Natal significam que, durante uma época do ano, nós andamos a procurar dar coisas a quem gostamos e a mostrar-lhes que gostamos deles. As festas, os jantares e os enfeites servem para nos sentirmos felizes com os outros. Tudo isso são coisas boas.
Além disso, por causa do Natal, anda tudo bem disposto, com "espírito natalício". Junta-se a família que não se vê há tempos. Somos simpáticos para os estranhos. Até damos esmolas e presentes a desconhccidos. As empresas celebram o Natal connosco. Enfeita-se as ruas e pensa-se nos pobres. Tudo isto porque é Natal.
É claro que há muita hipocrisia, que há muito consumismo, que há muito oportunismo. Não há dúvida de que se dá brinquedos a mais e a digestão é mais difícil. Têm razão quando dizem que frequentemente falta o verdadeiro espírito e que, além disso, deveria ser todo o ano. Mas esse mal não vem do Natal. O mal já lá estava nas pessoas. E no Natal é disfarçado, diminuído, por vezes vencido. Nós somos maus. O Natal, esse, é muito bom e até nos faz um bocadinho menos maus.
O que se passa connosco quando criticamos o Natal é que nós somos idealistas, e não realistas. Dizer que é pouco e deveria ser mais não é uma atitude cristã. O cristão sabe que sofre da mancha do pecado original e da manha da natureza humana. Se percebermos que a nossa natureza é pecadora, em vez de lamentarmos que só haja Natal um dia por ano, deveríamos era estar agradecidos por haver Natal.
13 Dezembro 2006
Os momentos Partilhados
os momentos de silêncio...
as partidas fora de horas...
o arrepio de um toque...
12 Dezembro 2006
momentos eternizados...
03 Dezembro 2006
O peso da vida...
29 Novembro 2006
Banco do Tempo?
2. Não há troca directa de serviços: o tempo prestado por um membro é-lhe retribuído por qualquer outro membro.
3. Troca-se tempo por tempo: a unidade de valor e de troca é a hora.
4. Todas as horas têm o mesmo valor: não há serviços mais valiosos do que outros, nem escalas de valor de serviços. O serviço prestado não tem de ser igual ao recebido.
5. A circulação de dinheiro só é possível para reembolso, previamente acordado, de despesas específicas e documentadas.
6. Os serviços prestados correspondem a actividades não profissionais que se realizem com gosto: a troca assenta na boa vontade, na lógica das relações de “boa vizinhança”.
2. Construir uma cultura de solidariedade e promover o sentido de comunidade, o encontro de pessoas que convivem nos mesmos espaços, a colaboração entre gerações e a construção de relações sociais mais humanas.
3. Valorizar o tempo e o cuidado dos outros, estimular os talentos e promover o reconhecimento das capacidades de cada um.
4. Promover a cooperação entre várias entidades públicas ou privadas.
24 Novembro 2006
É Urgente!
"É urgente o amor.É urgente um barco no mar.
É urgente destruir certas palavras,
ódio, solidão e crueldade,
alguns lamentos, muitas espadas.
É urgente inventar alegria,
multiplicar os beijos, as searas,
é urgente descobrir rosas
e rios e manhãs claras.
Cai o silêncio nos ombros
e a luz impura, até doer.
É urgente o amor,
é urgente permanecer."
Eugénio de Andrade
22 Novembro 2006
20 Novembro 2006
Ser Realista Sem Perder o Ideal
13 Novembro 2006
Dança da Alma
12 Novembro 2006
Coisas pequenas
Letra de Pedro Ayres Magalhães (Madredeus)
11 Novembro 2006
05 Novembro 2006
Vamos espremer este Limão?
in www.olhares.com

ARLEQUIM - Pois quem me dera querer tanto só a uma como tu para então servi-la como a nenhuma!
PIERROT - Palavras e mais palavras! Se quisesses só a uma, como eu, deixavas logo de ser Arlequim e já não podias nada por Ela!
ARLEQUIM - Isso é o que havemos de ver! Deixa-me cá encontrar A que eu procuro. e então saberás quem é o Arlequim!
PIERROT - Procurar é fácil; pior é depois de encontrar o que se procura: torna-se impossível realizá-lo!
ARLEQUIM - Queres dizer com as tuas palavras que já encontraste o que procuravas?
PIERROT - Encontrei e não procurei: apareceu-me!
ARLEQUIM - Isso é que foi sorte, hem? Vir ter às mãos sem trabalho nenhum!
PIERROT - Foi a sorte que o quis assim.
ARLEQUIM - Mas, pelo que vejo, a sorte não te serviu de nada!
PIERROT - Ninguém te diz que a minha sorte é boa.
ARLEQUIM - Nem era necessário dizê-lo,
PIERROT - Nem boa nem má: é a sorte!
ARLEQUIM - Não digas asneiras! A sorte não existe; o que existe é a coragem!
PIERROT - Eu tenho a coragem da minha sorte!
ARLEQUIM - Tu deves ter aprendido muitas coisas aí nesse canto onde estás sempre metido.
PIERROT - Eu sei o que sei e nada mais.
ARLEQUIM - Não há dúvida; mas o que não sabes é viver! Anda daí um dia comigo e verás como sou conhecido em toda a parte por causa da minha alegria!
PIERROT - Se eles te vissem quando voltas para casa depois de teres estado por toda a parte!
ARLEQUIM- O que acontecia?
PIERROT - Veriam que tinhas deixado a alegria por toda a parte, pois que voltas para casa sem nenhuma.
ARLEQUIM - Ora, ora! Durante a noite vem sempre mais alegria para o dia seguinte.
PIERROT - E no dia seguinte voltas outra vez para casa, sem nenhuma!
ARLEQUIM - Porque a gastei! mas nessa noite torna a vir mais alegria pró dia seguinte, Vê-se mesmo que não percebes nada de alegria: se a não gastasse toda, no dia seguinte não havia alegria nova, era ainda a atrasada.
PIERROT - E é sempre assim de dia e de noite?
ARLEQUIM - Isto até fazia perder a graça toda se soubesse o dia certo em que hei-de encontrar o que procuro! E ainda te digo mais: às vezes até chego a ter pena de vir a encontrar o que procuro, tão agradável é andar a procurar! Mas diz-me lá: o que é que tu percebes de alegria?
PIERROT - Alegria é não sentir necessidade de a procurar.
ARLEQUIM - Como tu, não é verdade? Que linda alegria que tu arranjaste, não haja dúvida!
PIERROT - Eu necessito da minha tristeza para saber onde estou, e se ando triste porque a não tenho, contudo sou feliz porque a encontrei e só a Ela quero!
ARLEQUIM - Pois a alegria, cá para mim, é andar, a procurá-la! E nada de tristezas, que fazem a gente velha. A chorar ou a rir o tempo passa da mesma maneira; portanto mais vale a rir. Olha! faze como eu: vai dizendo a verdade a rir, porque ela não fica melhor se for a chorar; portanto, mais vale a rir.
PIERROT - A rir.
ARLEQUIM – A rir!... #&%@”§
ARLEQUIM - Pois se eu agarro as coisas com estas minhas mãos, e sirvo-me delas, e uso-as, e gozo-as, e gasto-as até ao fim, sem deixar perder um único pedaço, e depois não fica nada, as mãos ficam-me vazias! Vazias! Exactamente como se nunca tivessem pegado em nada deste mundo, como se não tivessem nunca feito nada, como se eu nunca tivesse tido nada nestas minhas mãos!... Quanto mais tu, que não pegas em nada, que nem sequer mãos tens, que nada experimentas, que nunca te arriscaste a entrar na realidade, que não és capaz de dar um passo para nada deste mundo!... Farto de fantasias ando eu até aos olhos! e até a minha cara se enchia de vergonha se houvesse alguma coisa que eu tivesse de aprender contigo, espantalho de trapo que não espantas nada, nem as moscas, e bem pelo contrário!
PIERROT - «Não posso compreender que Ela não seja minha se só a Ela amo e com tamanha perfeição!» Werther, de Goethe.
ARLEQUIM - Ouve lá: Ela sabe ao menos que tu existes?
PIERROT - Ouviste o que eu pensei?
ARLEQUIM - Pudera que ouvi! Parece-me que não sou surdo.
PIERROT - Só Ela não ouvirá nunca!
ARLEQUIM - Dissesses-lho tu alguma vez que Ela o ouviria!
PIERROT - Não, não o ouviria.
ARLEQUIM - Então é surda!
PIERROT - Não, não é surda.
ARLEQUIM - Então é estúpida!
PIERROT - Não, não é estúpida.
ARLEQUIM - Então é... E não querem ver esta agora? Então eu não estava a dar-te trela?! Olha: sabes o que mais? Em vez de andares a sonhar aí pelos cantos e sem fazeres nada, era bem melhor que visses a vida como ela é e te sujeitasses como toda a gente a um ofício que te desse de comer e de vestir e onde ficasses durante a noite à tua custa!
PIERROT - Sujeitar-me a um ofício, dizes tu? Eu não posso sujeitar-me senão a Ela! E que outro ofício posso ter senão amá-La?
ARLEQUIM - Nesse caso queres um conselho ? Aparece diante d'Ela nessa linda figura e então ouvirás a verdade da sua própria boca: Então já viram? Olha o lindo presente que me davam para marido!
PIERROT - Não, não irei vê-La.
ARLEQUIM - Também acho melhor .
PIERROT - Eu vou fugir para muito longe.
ARLEQUIM - Não é necessário, descansa: fica aí mesmo a sonhar. E eu vou aproveitando o melhor possível os bocados desta vida, que é só uma - ouviste bem? Que é só uma, infelizmente, mas eu hei-de espremê-la muito bem espremidinha até ao fim, e espero que não há-de ter ficado nada por fazer! Tu nunca ouviste dizer:
Quem é lobo faz como lobo, e isso conhece-se logo?
01 Novembro 2006
"Um jovem foi visitar um sábio questionando-o sobre os sentimentos que tinha pela sua esposa. O sábio escutou-o e disse-lhe apenas uma coisa:31 Outubro 2006
Esperando
Tu que esperas?
Diz-me que esperas tu?
Estarás só à espera?
Ou pensas que sou eu que espero?
Por mais que não queira pensar... é inevitável...
Esse pensamento invade constantemente a minha mente...
E o que hei-de fazer?
Trata-se de alguma escolha?
Sabes que te escolho a ti...
Eu sei que terei de esperar... mas E eu terei o direito de te fazer esperar?
Eu acredito q é possível, apesar da espera...
Mas será que este acreditar é suficiente, só por si?
Espero que sim... espero em ti.... só por ti...
30 Outubro 2006
Procura-se um Amigo
25 Outubro 2006
Sonha com as estrelas

“Sonha com as estrelas, apenas sonha, elas só podem brilhar no céu.
Não tentes deter o vento, ele precisa correr por toda a parte, ele tem pressa de chegar sabe-se lá onde.
As lágrimas? Não as seques, elas precisam correr na minha, na tua, em todas as faces.
O sorriso! Esse deves segurar, não o deixes ir embora, agarra-o!
Persegue um sonho, mas não o deixes viver sozinho.
Alimenta a tua alma com amor, cura as tuas feridas com carinho.
Descobre-te todos os dias, deixa-te levar pelas vontades, mas não enlouqueças por elas.
Abasteçe o teu coração de fé, não a percas nunca.
Alaga o teu coração de esperanças, mas não deixes que ele se afogue nelas.
Se achares que precisas voltar, volta! Se perceberes que precisas seguir, segue!
Se estiver tudo errado começa novamente. Se sentires saudades mata-as.
Se perderes um amor, não te percas! Se o achares, segura-o!
Circunda-te de rosas, ama, bebe e cala. O mais é nada.”
Fernando Pessoa
23 Outubro 2006
Pessoas Simples

20 Outubro 2006
A ti!
A ti... que fizeste parte da minha vida, e continuas a fazer... hoje e para sempre!
Obrigada pelo teu exemplo...
Obrigada pelo teu Amor demonstrado cada dia da tua vida...
que mesmo sofrida, conseguiste amar, um amor sincero, verdadeiro, autêntico...
mesmo quando rejeitado, negligenciado, ingrato...
mesmo assim estiveste para dar o teu apoio, o teu auxílo, o teu sorriso, a tua força e determinação...
estejas ondes estiveres, continuas viva no meu coração!
17 Outubro 2006
Guardado ou prometido?
Lembro-me em criança de ficar a imaginar como seria um dia quando fosse “crescida”, e por vezes ainda me transporto para essas lembranças... e dou-me conta de que nesses tempos a imaginação era mais livre, mais saborosa, mais verdadeira... tudo era tão simples... comentava para mim e para as minhas amigas: “quando for adulta não quero ser como os adultos que eu vejo, quero continuar a pensar como criança!”
Para a minha realidade não quero regras, não quero comentários, não quero preconceitos que só nos paralizam a alma, quero viver o que nos é dado a viver e amar com todas as minhas células, ser feliz e levar alegria e amor aos outros!
Já tenho o bilhete nas mãos! E tu, vens neste comboio? Ou ainda estás a contar os trocos?
Mas... não precisas!... eu tenho um bilhete para ti... especialmente para ti... com o teu nome... desenhado por mim!
15 Outubro 2006
os olhos da alma...

"O olhar é algo que caracteriza uma pessoa, como se de uma impressão digital se tratasse... algo inconfundivel... uma marca de nós próprios que quem nos conhece jamais confunde!
12 Outubro 2006
Assim é
10 Outubro 2006
O anjo da guarda...
"É um anjo lindíssimo, mais lindo sem comparação nenhuma do que qualquer outro, e tal qual o sonho doirado de cada um. Tem umas grandes asas doiradas para acompanhar a voar o sonho doirado de cada um. E volta outra vez para o pé daquele a quem guarda por ordem de Nosso Senhor, para lhe contar até onde vai o seu sonho a voar. Mais ai daquele que desconheça a tal ponto o seu próprio sonho que não saiba sequer fazer as perguntas, pois o Anjo da Guarda só responde ao que for realmente bem perguntado.
E quando a nossa pergunta estiver bem feita, o Anjo da Guarda responde imediatamente: «Amigo! a tua pergunta está tão bem perguntada que se pensares mais um bocadinho tens já a resposta a seguir.»
Com efeito, pensa-se mais um bocadinho e pronto, é logo a resposta a seguir!
Quer o Anjo da Guarda dizer com as suas palavras que muito mais difícil do que responder é perguntar."
Almada Negreiros
09 Outubro 2006
Não tenhas medo
Ancorada no fundo do teu coração.
A esperança que é Cristo eleva o teu ser,
E na dor, e na dúvida, segue junto a ti.
Acolhe a vida, deixa Deus entrar:
Ele é o caminho, deixa-te guiar!
Não tenhas medo, a Vida só quer que tu sejas feliz!
Não tenhas medo, a Vida só quer que tu sejas feliz!
Há um caminho a percorrer,
E só Cristo pode pegar na mão.
Procura em ti a fonte do Amor,
Podes saciar a sede de alguém.
Mais uma bela música, aqui fica apenas o registo da letra...
mas se tiverem oportunidade... deixem-se levar pela sua melodia...
.... simplesmente lindo!
O Amor InPorta à Missão
Amar é servir os outros dentro do espírito de caridade e de partilha.
Disso é exemplo a vida de Jesus Cristo que veio ao mundo e deu a sua vida para nos salvar.
Tal como Jesus foi enviado a anunciar a Boa-Nova do reino de Deus, também nós somos convidados permanentemente a fazer missão, tanto dentro de “Portas” como fora delas.
É dentro desse espírito que o nosso grupo se enquadra, pois o nosso compromisso está em colocar o nosso Amor ao serviço da missão na construção de um mundo melhor, procurando alargar os nossos corações às dimensões do mundo.
Somos JSF porque acreditamos que ser cristão é saber dar, saber amar, saber ser para o outro e com o outro. Queremos ser sempre porta aberta para quem nos chama, dispostos a sair de nós e ir ao encontro.
Não (in)porta onde… não (in)porta quando… só (in)porta que estejamos dispostos a ser porta aberta para os que nos chamam."
08 Outubro 2006
olho lá fora...
olho lá fora, e perco-me nos pormenores,deixo-me divagar por entre os elementos,
saborear os pequenos instantes que me são oferecidos,
dou por mim a sorrir, ou às vezes a deixar encher os olhos...
dou por mim a recordar um tempo que não é meu,
que não me pertençe e que não sei se algum dia o será...
tenho saudades dessa realidade que não vivi,
mas na qual me perco em pensamentos!
serei só eu que viajo assim? sem regras e sem limites?
Porque me entrego assim?
Porque ainda acredito que sim...
olho lá fora... e volto para dentro...
esqueço esse tempo... e volto ao meu...
talvez me cruze com ele... sem me dar conta!
talvez...
Fotografia de Hugo Amador in www.olhares.com
06 Outubro 2006
Aquarela

Numa folha qualquer eu desenho um sol amarelo
e com cinco ou seis rectas é facil fazer um castelo
com um lápis em torno da mão eu me dou uma luva
e se faço chover com dois riscos tenho um guarda-chuva
Se um pinguinho de tinta cai num pedacinho azul do papel
num instante imagino uma linda gaivota voar no céu
Vai voando contornando a imensa curva norte e sul
vou com ela viajando Havaí Pequim ou Istambul
pinto um barco a vela branco navegando é tanto céu e mar num beijo azul
entre as nuvens vem surgindo um lindo avião rosa e grená
tudo em volta colorindo com suas luzes a piscar
basta imaginar e ele está partindo sereno lindo e se a gente quiser
ele vai pousar...
Numa folha qualquer eu desenho um navio de partida
com alguns bons amigos bebendo de bem com a vida
de uma América a outra eu consigo passar num segundo
de uma América a outra eu consigo passar num segundo
um menino caminha e caminhando chega num muro
e ali logo em frente a esperar pela gente o futuro está
E o futuro é uma astronave que tentamos pilotar
não tem tempo, nem piedade nem tem hora de chegar
sem pedir licença muda nossa vida depois convida a rir ou chorar
nessa estrada não nos cabe conhecer ou ver o que virá
o fim dela ninguém sabe bem ao certo onde vai dar
vamos todos numa linda passarela de uma aquarela que um dia enfim
descolirirà
Numa folha qualquer eu desenho um sol amarelo que descolorirá
e com cinco ou seis retas é fácil fazer um castelo que descolorirá
de uma América a outra eu consigo passar num segundo que descolorirà
giro um simples compasso e num círculo eu faço o mundo
música de Toquinho e Vinícius
Clica aqui para ver o clip do "Aquarela": http://www.laboratoriodedesenhos.com.br/aquarela.htm
05 Outubro 2006
Haja o que houver!
eu estou aqui
haja o que houver
espero por ti
Volta no vento
Ó meu amor
Volta depressa por favor
Há quanto tempo já esqueci
Porque fiquei
longe de ti
Cada momento é pior
Volta no vento
por favor
Eu sei, eu sei
Quem és para mim
Haja o que houver
volta para mim"
Letra e música: Pedro Ayres Magalhães
In Madredeus "O Paraíso", 1997
03 Outubro 2006
Luz e sombra...

Em contra-luz pode não ser visível a verdade...
mas a sua sombra projectada é a prova da própria existência...
que apenas é perceptível/compreensível à Luz da verdade!
02 Outubro 2006
Respirando...

Fotografia de Umbria in www.olhares.com
É assim tão subitamente que te aproximas de mim...
e da mesma forma a nossa despedida tão fugaz...
a sensação de estar próxima a ti tão pertubadora...
que cada toque teu me faz despertar...
e me transporta para um outro lugar...
difícil de descrever... impossível de explicar...
tanto que te quero dizer... e ao mesmo tempo simplesmente estar...
deixo o tempo actuar... apesar do desejo ser maior...
confias-me as tuas dúvidas e eu... saberei ajudar?
Às vezes ainda me pergunto, se estou acordada ou só a sonhar...
Sei que não quero fugir... nem me quero esconder...
quero ser quem sou... e a ti me entregar.........
30 Setembro 2006
"É necessário ter o caos na almapara dar à luz uma estrela dançante",
disse Nietzsche.
Bebe as palavras.
Saboreia o significado.
Sente o seu poder.
Vamos fazê-lo!
Transformar-nos em estrelas!
Usar a nossa força interior oculta e superar todos os elementos temidos.
Tomar o mundo como um palco.
Um enorme palco onde representar o papel da nossa vida, onde perseguir a obrigação da existência, onde encontrar a felicidade.
in Le cool magazine Lisboa
25 Setembro 2006
(in)definição!?!?!

Fotografia de Getulio Bessoni
in www.olhares.com
É... algo inevitável...
É... uma entrega total...
É... uma partilha da alma...
É... estar preso por magia...
É... uma força invisível...
É... um estado de graça...
É... uma felicidade inesgotável...
É... um auge de paixão...
É... uma loucura insaciável...
É... uma incerteza constante...
É... derramar lágrimas...
É... sofrer por alguém...
É... uma dor conformada...
É... uma triste melancolia...
É... um desespero de saudade...
É... uma confissão sincera...
É... um salto no infinito...
É... um acto expontâneo...
É... uma atração serena...
É... um arroma irresistível...
É... contemplar as estrelas...
É... fonte de vida...
É... a palavra exacta...
Amor...o Amor foge a dicionários...
24 Setembro 2006
Um prefácio para um livro...
“Pelas ruas de Cecília, cidade ilustre, encontrei uma vez um cabreiro que conduzia (...) um rebanho badalante.
– Homem (...) –deteve-se para me perguntar, – sabes dizer-me o nome da cidade onde nos encontramos?
–(...) Como podes não reconhecer a mui ilustre cidade de Cecília?
–(...) sou um pastor em transumância. Calha-me às vezes a mim e às cabras atravessar cidades, mas não conseguimos distingui-las. Pergunta-me o nome dos pastos: conheço-os todos (...). As cidades para mim não têm nome: são lugares sem folhas que separam um pasto do outro (...).
– Ao contrário de ti, eu só reconheço as cidades e não distingo o que está fora delas. (...)
Desde então passaram muitos anos, conheci muitas mais cidades e percorri continentes. Um dia caminhava por entre esquinas de casas todas iguais: tinha-me perdido.
Perguntei a um transeunte: – (...) sabes dizer-me onde nos encontramos?
– Em Cecília, não podia deixar de ser! Caminhamos há tanto tempo pelas suas ruas, eu e as cabras, e nunca mais se consegue sair ...
Reconheci-o (...): era o pastor da outra vez. Seguiam-no poucas cabras peladas (...).
– Não pode ser! Eu também, não sei há quanto tempo, entrei numa cidade e desde então continuei a penetrar cada vez mais pelas suas ruas. Mas como pude chegar aonde dizes tu, se me encontrava noutra cidade, afastadíssima de Cecília, e nunca mais saí dela?
– Os lugares misturam-se – disse o cabreiro, – Cecília está em toda a parte, aqui dantes devia ser o Prado da Salva Baixa. As minhas cabras reconhecem as ervas do separador das faixas da rua.”
Italo Calvino in As cidades Invisíveis
Estas cidades contínuas de que nos fala o pastor são, sem dúvida, cada vez mais, as cidades dos nossos tempos, cidades que se expandem indefinidamente até à periferia das cidades vizinhas, cidades capazes de surpreender até o citadino, tão habituado ao cenário artificial deste espaço, sentindo, no entanto, a necessidade de distinguir as cidades, de as isolar umas das outras, de as manter separadas através do dito campo, de as identificar e diferenciar de alguma forma, uma vez que o seu semblante se apresenta progressivamente cada vez mais uniformizado e homogéneo.
Além da importância dos conceitos de identidade e orientação, explícitos no texto, revela-se ser, cada vez mais necessário e urgente controlar esta expansão urbana sobre a paisagem rural, assegurando o adequado funcionamento dos ecossistemas naturais e áreas mais sensíveis do território, através de uma Estrutura Ecológica capaz de preservar, de manter e promover o carácter das cidades, que apesar da sua imposição sobre a paisagem, não podem desprezar as suas origens, dependências e limitações relativamente ao meio, devendo também elas assumir o seu papel num desenvolvimento sustentável.
22 Setembro 2006
o despertar dos sentidos...
alguém já se pôs a pensar... o que será que significa "despertar os sentidos"?
estarão eles adormecidos?
alguém já sentiu com todos os seus sentidos?
que sentido isso terá?
será aí que se desperta um sentimento?
e não sentir nenhum dos sentidos?
será isso possível?
quais os sentidos possíveis de se sentir?
existem apenas cinco sentidos?
ou existe ainda mais um...
um sentido que não se sente...
mas que nos faz querer sentir...
que nos faz despertar os sentidos?
que nos faz perceber o verdadeiro sentido de todos os outros sentidos...
que acorda o sentimento adormecido entre os sentidos...
será que isto tudo faz algum sentido?
ou será este sentir...
que me invadiu...
de sentimentos...
em que tudo faz sentido?
existe algum sentido...
que faça sentido...
a não ser que seja...
simplesmente sentido por alguém?

Fotografia de Alexandre Costa
in www.olhares.com
só sinto que tudo faz sentido quando estás perto... e te sinto... mergulhada em ti
19 Setembro 2006
Secretamente...
in www.olhares.com

"... Secretamente, à espera de um gesto...de um sinal ..."
18 Setembro 2006
Reconhecimento à Loucura!
in www.olhares.com

Já alguém sentiu a loucura vestir de repente o nosso corpo?
E tomar a forma dos objectos?
E acender relâmpagos no pensamento?
E às vezes parecer ser o fim?
Como o cavalo do soneto de Ângelo de Lima?
E depois mostrar-nos o que há-de vir
muito melhor do que está?
E dar-nos a cheirar uma cor
que nos faz seguir viagem
sem paragem
nem resignação?
E sentirmo-nos empurrados pelos rins
na aula de descer abismos
e fazer dos abismos descidas de recreio
e covas de encher novidade?
E de uns fazer gigantes
e de outros alienados?
E fazer frente ao impossível
atrevidamente
e ganhar-lhe, e ganhar-lhe
a ponto do impossível ficar possível?
E quando tudo parece perfeito
poder-se ir ainda mais além?
E isto de desencantar vidas
aos que julgam que a vida é só uma?
E isto de haver sempre ainda mais uma maneira pra tudo?
Tu só, loucura, és capaz de transformar
o mundo tantas vezes quantas sejam as necessárias para olhos individuais.
Só tu és capaz de fazer que tenham razão
tantas razões que hão-de viver juntas.
Tudo, excepto tu, é rotina peganhenta.
Só tu tens asas para dar
a quem tas vier buscar.
José de Almada Negreiros (Poemas)
17 Setembro 2006
Conhecem a "História de uma gotinha de água"? ...
Um dia, o Sol brilhante aqueceu a água do lago. As Salpico separaram-se, subiram e formaram o vapor de água. Já não se viam as Salpico.
No céu, a gotinha juntou-se a muitas outras e formaram as nuvens. O vento empurrou as nuvens e a Gotinha viajou por muitas terras.
Quando a nuvem ficou mais pesada e encontrou ar mais frio, algumas Salpico caíram em forma de chuva.
Ao passar pela montanha, o ar era muito, muito frio e a gotinha juntou-se a outras e formaram água sólida. Caíram na terra em forma de neve
O calor do sol derreteu a neve e as Salpico voltaram a ser água líquida.
Parte da água introduziu-se na terra e alimentou as plantas. Outra parte infiltrou-se no solo. Quando encontrou rochas impermeáveis formou um lençol de água
A gotinha, com outras companheiras, correu debaixo da terra e formou uma nascente
A gotinha de água foi ter ao rio onde conheceu os peixes.
O curso da água levou a gotinha até ao mar.
Agora a gotinha faz parte do mar. Vive numa onda à espera que o Sol a aqueça para de novo poder subir e começar uma nova viagem.
16 Setembro 2006
Palácio dos Sonhos...
15 Setembro 2006
Em sonho lembrei-me...

Sonhei ter sonhado
Que havia sonhado.
Em sonho lembrei-me
De um sonho passado:
O de ter sonhado
Que estava sonhando.
Sonhei ter sonhado...
Ter sonhado o quê?
Que havia sonhado
Estar com você?
Estar? Ter estado,
Que é tempo passado
Um sonho presente
Um dia sonhei
Chorei de repente,
Pois vi, despertando,
Que tinha sonhado.
Anónimo
14 Setembro 2006
Em comunidade!
Foto de Mariana Topa in www.olhares.com
Irmão Roger
12 Setembro 2006
139...

Se eu voar sem saber onde vou
Se eu andar sem conhecer quem sou
Se eu falar e a voz soar como a manhã
Eu sei
Se eu beber dessa Luz que apaga a noite em mim
E se um dia eu disser que já não quero estar aqui
Só Deus sabe o que virá
Só Deus sabe o que será
Não há outro que conhece tudo o que acontece em mim
Se a tristeza é mais profunda que a dor
Se este dia já não tem sabor
E no pensar que tudo isto já pensei
Se eu beber dessa Luz que apaga a noite em mim
E se um dia eu disser que já não quero estar aqui
Na incerteza de saber o que fazer o que querer
Mesmo sem nunca pensar
Que um dia vais passar
Não há outro que conhece tudo o que acontece em mim
Eu Sei (Sara Tavares)
11 Setembro 2006
TEMPO para dar e tempo para receber...
"Todas as coisas têm o seu tempo,e tudo o que existe debaixo dos céus tem a sua hora.
Há tempo para nascer e tempo para morrer;
tempo para plantar e tempo para arrancar o que se plantou;
tempo para matar e tempo para dar a vida;
tempo para destruir e tempo para edificar;
tempo para chorar e tempo para rir;
tempo para afligir e tempo para dançar;
tempo para espalhar pedras e tempo para as ajuntar;
tempo para dar abraços e tempo para se afastar deles;
tempo para adquirir e tempo para perder;
tempo para guardar e tempo para atirar fora;
tempo para rasgar e tempo para coser;
tempo para calar e tempo para falar;
tempo para amar e tempo para odiar;
tempo para a guerra e tempo para a paz!"
Ecle 3, 1-8
Fotografia de Germano Schüür in www.olhares.com
08 Setembro 2006
07 Setembro 2006
ALMAS GÉMEAS ...
«(...)As almas gémeas quase nunca se encontram, mas, quando se encontram, abraçam-se. Naqueles momentos em que alguém diz uma coisa, que nunca ouvimos, mas reconhecemos não sei de onde. E em que mergulhamos sem querer, como se estivéssemos a visitar uma verdade que desconfiávamos existir, de onde desconfiamos ter vindo, mas aonde não tínhamos conseguido voltar. O coração sente-se. A alma pressente-se. O coração anda aos saltos dentro do peito, a soluçar como um doido, tão óbvio que chega a chatear. Mas a alma é uma rocha branca onde estão riscados os sinais indeléveis da nossa existência. (...) Gémea não é igual. É parecida. Não é um espelho. É uma janela. Não é um reflexo. É uma refracção. (...) O desejo de encontrar uma alma gémea não é o desejo de reafirmarmos a unicidade da nossa existência através de outro que é igual a nós. É precisamente o contrário. É pdoer descansar dessa demanda. No fundo, todos nós duvidamos que tenhamos uma alma. Senão não falávamos tanto dela. Uma alma gémea é a prova que não estamos sozinhos. (...) O estado normal de duas almas gémeas é o silêncio. Não é o "não ser preciso falar" - é outra foma de falar, que consiste numa alma descansar na outra. Não é a paz dos amantes nem a cumplicidade muda dos amigos. Não precisa de amor nem de amizade para se entender. As almas acharam-se. Não têm passado. Não se esforçaram. Estão. É essa a maior paz do mundo. Como é que um ninho pode ser ninho doutro ninho? Duas almas gémeas podem ser. Como é que se reconhece a alma gémea? No abraço. (...) Quando duas almas gémeas se abraçam, sente-se o alívio imenso de não ter de viver. Não há necessidade, nem desejo, nem pensamento. A sensação é de sermos uma alma no ar que reencontrou a sua casa, que voltou finalmente ao seu lugar, como se o outro corpo fosse o nosso que perdêramos desde a nascença. (...) As almas gémeas revelam-se uma à outra. Não são iguais. Mas revelam-se de forma igual. Como se tivesse surgido, de repente, uma língua que só os dois conseguissem falar. (...) Toda a angústia do ‘Eu’ se dissipa. É-se inteira e naturalmente aceite. Sem perguntas. Sem condições. Sem promessas. E mergulha-se no outro como se já não fosse preciso existirmos.»Miguel Esteves Cardoso
05 Setembro 2006
Elogio ao Amor Puro
"Há coisas que não são para se perceberem. Esta é uma delas. Tenho uma coisa para dizer e não sei como hei-de dizê-la. Muito do que se segue pode ser, por isso, incompreensível. A culpa é minha. O que for incompreensível não é mesmo para se perceber. Não é por falta de clareza. Serei muito claro. Eu próprio percebo pouco do que tenho para dizer. Mas tenho de dizê-lo.O que quero é fazer o elogio do amor puro. Parece-me que já ninguém se apaixona de verdade. Já ninguém quer viver um amor impossível. Já ninguém aceita amar sem uma razão. Hoje as pessoas apaixonam-se por uma questão de prática. Porque dá jeito. Porque são colegas e estão ali mesmo ao lado. Porque se dão bem e não se chateiam muito. Porque faz sentido. Porque é mais barato, por causa da casa. Por causa da cama. Por causa das cuecas e das calças e das contas da lavandaria.Hoje em dia as pessoas fazem contratos pré-nupciais, discutem tudo de antemão, fazem planos e à mínima merdinha entram logo em "diálogo". O amor passou a ser passível de ser combinado. Os amantes tornaram-se sócios. Reúnem-se, discutem problemas, tomam decisões. O amor transformou-se numa variante psico-sócio-bio-ecológica de camaradagem.A paixão, que devia ser desmedida, é na medida do possível. O amor tornou-se uma questão prática. O resultado é que as pessoas, em vez de se apaixonarem de verdade, ficam "praticamente" apaixonadas.Eu quero fazer o elogio do amor puro, do amor cego, do amor estúpido, do amor doente, do único amor verdadeiro que há, estou farto de conversas, farto de compreensões, farto de conveniências de serviço.Nunca vi namorados tão embrutecidos, tão cobardes e tão comodistas como os de hoje. Incapazes de um gesto largo, de correr um risco, de um rasgo de ousadia, são uma raça de telefoneiros e capangas de cantina, malta do "tá bem, tudo bem", tomadores de bicas, alcançadores de compromissos, bananóides, borra-botas, matadores do romance, romanticidas.Já ninguém se apaixona? Já ninguém aceita a paixão pura, a saudade sem fim, a tristeza, o desequilíbrio, o medo, o custo, o amor, a doença que é como um cancro a comer-nos o coração e que nos canta no peito ao mesmo tempo?O amor é uma coisa, a vida é outra. O amor não é para ser uma ajudinha. Não é para ser o alívio, o repouso, o intervalo, a pancadinha nas costas, a pausa que refresca, o pronto-socorro da tortuosa estrada da vida, o nosso "dá lá um jeitinho sentimental".Odeio esta mania contemporânea por sopas e descanso. Odeio os novos casalinhos. Para onde quer que se olhe, já não se vê romance, gritaria, maluquice, facada, abraços, flores. O amor fechou a loja. Foi trespassada ao pessoal da pantufa e da serenidade.Amor é amor. É essa beleza. É esse perigo. O nosso amor não é para nos compreender, não é para nos ajudar, não é para nos fazer felizes. Tanto pode como não pode. Tanto faz. É uma questão de azar. O nosso amor não é para nos amar, para nos levar de repente ao céu, a tempo ainda de apanhar um bocadinho de inferno aberto.O amor é uma coisa, a vida é outra. A vida às vezes mata o amor. A "vidinha" é uma convivência assassina. O amor puro não é um meio, não é um fim, não é um princípio, não é um destino. O amor puro é uma condição. Tem tanto a ver com a vida de cada um como o clima. O amor não se percebe. Não é para perceber.O amor é um estado de quem se sente. O amor é a nossa alma. É a nossa alma a desatar. A desatar a correr atrás do que não sabe, não apanha, não larga, não compreende.O amor é uma verdade. É por isso que a ilusão é necessária. A ilusão é bonita, não faz mal. Que se invente e minta e sonhe o que quiser. O amor é uma coisa, a vida é outra. A realidade pode matar, o amor é mais bonito que a vida. A vida que se lixe. Num momento, num olhar, o coração apanha-se para sempre. Ama-se alguém. Por muito longe, por muito difícil, por muito desesperadamente. O coração guarda o que se nos escapa das mãos. E durante o dia e durante a vida, quando não esta lá quem se ama, não é ela que nos acompanha - é o nosso amor, o amor que se lhe tem.Não é para perceber. É sinal de amor puro não se perceber, amar e não se ter, querer e não guardar a esperança, doer sem ficar magoado, viver sozinho, triste, mas mais acompanhado de quem vive feliz. Não se pode ceder. Não se pode resistir. A vida é uma coisa, o amor é outra. A vida dura a vida inteira, o amor não. Só um mundo de amor pode durar a vida inteira. E valê-la também."Miguel Esteves Cardoso in Expresso
04 Setembro 2006
Fundo do Mar
Fotografia de Pedro Benevides in www.olhares.com
Onde as plantas são animais
E os animais são flores.
Mundo silencioso que não atinge
A agitação das ondas.
Abrem-se rindo conchas redondas,
Baloiça o cavalo-marinho.
Um polvo avança
No desalinho
Dos seus mil braços,
Uma flor dança,
Sem ruído vibram os espaços.
Sobre a areia o tempo poisa
Leve como um lenço.
Mas por mais bela que seja cada coisa
Tem um monstro em si suspenso.
02 Setembro 2006
Em silêncio...

Susanna Tamaro in Vai onde te Leva o Coração
31 Agosto 2006
A Felicidade de ser Criança...
Fotografia de Reuben Bezoza in www.olhares.com"Oh! A idade venturosa da infância! Onde há outra mais feliz e mais tranquila, mais sorridente - isto é, mais egoísta?... Em volta de nós podem suceder as piores catástrofes. Se elas nos não arrancam nem os brinquedos nem os bolos, não nos atingem de forma alguma... não as compreendemos sequer... Quando muito, correm-nos lágrimas vendo chorar as nossas mães. No entanto, é só ainda vagamente que percebemos a dor humana. Por isso as nossas lágrimas secam depressa diante dos brinquedos. E se o quadro em que nos agitamos é risonho, a infância tansforma-se-nos então num jardim maravilhoso. Para as crianças felizes, só para elas, existe realmente um céu - o ceú dos seus primeiros anos."
Mário de Sá-Carneiro, in 'O Incesto'
29 Agosto 2006
Nunca é tarde ...
18 Agosto 2006
A caminho de uma aldeia chamada Taizé
17 Agosto 2006
Quando eu brincava ao "faz de conta"...
Pierrot - O que há ainda?
A - Ouve: tive uma ideia!
P - Mais uma ideia?
A - Sim, sim! Chegou agora mesmo!
P - Não achas qua chegou tarde?
A - É porque tu não sabes a ideia que é!
P - Tinha-te escapado essa!
A - É verdade. E é a melhor d todas! Até estou admirado como não a tive há mais tempo! Queres ouvi-la?
P - Escuta, Arlequim!
A - O que foi?
P - Tive uma ideia!
A - Não, espera um pouco: Deixa-me contar-te primeiro a minha.
P - Não, não pode ser! Primeiro conto eu.
A - Quem teve a primeiro a ideia fui eu!
P - Ah, vê-se mesmo que não sabes qual é a ideia que eu tive agora mesmo!
A - Oh, e se tu ouvisses a minha!
P - Não pode haver comparação!
A - Isso mesmo digo eu!
P - Eu nem tenho forças para escutar a tua sem te ter dito a minha!
A - É o que acontece comigo
P - Tanto pior pra ti!
A - É impossível haver uma ideia mais genial q a minha!
P - Oh, e a minha!
A - Somos capazes de ter tido a mesmo ideia!
P - Oh, não, é impossível! Vais ver: Eu conto-te a minha,E a tua fica logo a perder de vista.
A - Não digas fantasias! Tu sabes lá o q ueme veio à cabeça? Digo-te mais: é o suficiente para voltar o mundo inteiro de pernas ao ar!
P - Ora aí esta! Afinal sou eu q tenho razão: Tu precisas de ouvir primeiro que tudo a minha ideia:
A - Mas porquê?
P - Pois tu acabas de dizer que a tua ideia faz voltar o mundo de pernas ao ar:
Tens por força que ouvir primeiro a minha ideia.
A - Bom: Conta-a lá, Mas depressa!
P - A minha ideia é esta: Pedir-te que não digas a tua ideia.
A - Ora essa! Porquê?
P - Pensa porque será
A - Não sei porquê!
P - Então eu digo-te: Porque tu e eu, Nós os dois, já não existimos! Ambos nós morremos e estamos aqui enterrados os dois, cada um na sua cova. E tão sós como o estivemos na vida. Ouviste bem? A morte já veio ter conosco, E ela é como tu dizias da vida: é só uma. Agora já não há ideias que nos valham! Acabou-se tudo: O q foi feito e o que não foi feito!
A - O que não foi feito?
P – Sim! O pior não é o que fizemos; É o que não fizemos!... E agora já é tarde, Muito tarde! Estás a ouvir?
A - É verdade! Acabou-se tudo!... E ia tudo tão bem desta vez! Tu não imaginas que genial que era a minha ideia!
P - Escapou-te essa! Tu n dizias q a vida era só uma; E q havias de espremê-la mto bem espremidinha até ao fim?
A - Escapou-me logo a melhor de todas!
P - Tem graça, não tem? Ter escapado logo a melhor de todas!
A - Dou-te a minha palavra de honra que era a melhor de todas!
P - Escusas de dar a palavra de honra, Porque sei que dizes a verdade. Também a mim me escapou a melhor de todas!
A - Tem graça: A ti também?!
P - É verdade: A mim também
A - Não há dúvida: agora já é tarde.
16 Agosto 2006
Nós e Deus
"Uma vez pediram a um peixe para falar do mar.- Fala-nos do mar - disseram-lhe.
- Dizem que é muito grande o mar, respondeu o peixe. Dizem que sem ele morreríamos. Não sou o peixe mais indicado para vos falar do mar. Eu, do mar, o que conheço bem são só estes dez metros à superfície. É só deles que vos posso falar. É aqui que passo o meu tempo, quase sempre distraído. Ando de um lado para o outro, à procura de comida ou simplesmente às voltas com o meu cardume. No meu cardume não se fala do mar. Fala-se das algas, das rochas, das marés, dos peixes grandes e perigosos, dos peixes pequenos e saborosos e de que temperatura fará amanhã. O meu cardume é assim: eles vão e eu vou atrás deles.
- Mas tu, que és peixe, nunca sentiste o mar?
- Creio que o sinto, às vezes, ao passar-me nas guelras. Umas vezes sinto-o, outras não. Às vezes sinto-o, quando não me distraio com outras coisas. Fecho os olhos e fico a sentir o mar. Isto tudo de noite, claro, para que os outros não vejam. Diriam que sou louco por dar tempo ao mar.
- Conheces o mar, portanto. Podes falar-nos do mar?
- Sei que é grande e profundo, mas não vos quero enganar. Sei de peixes que já desceram ao fundo do mar. Quando os ouvi falar percebi que não conheço o mar. Perguntem-lhes a eles, que vos saberão falar do mar. Eu nunca desci muito fundo. Bem, talvez uma ou duas vezes ... Um dia as ondas eram tão fortes que eu tive de me deixar levar muito fundo, para não morrer. Nunca lá tinha estado e nunca esquecerei que lá estive. Apenas vos sei falar bem da superfície do mar ...
- Foi mau, quando desceste? Por que voltaste à superfície?
- Não foi mau. Foi muito bom. Havia muita paz, muito silêncio. Era como se fosse lá a minha casa, como se ali eu estivesse inteiro.
- Por que não voltaste lá ao fundo? Por preguiça?
- Às vezes acho que é preguiça, outras vezes acho que é medo.
- Medo? Mas tu não disseste que era bom? Medo de quê?
- Medo do desconhecido, medo de me perder. Aqui à superfície já estou habituado. Adquiri um certo estatuto para mim mesmo. Controlo as coisas ou, pelo menos, tenho a sensação de as controlar. Lá em baixo não sei bem o que me pode acontecer. Estou todo nas mãos do mar.
- Tiveste medo, quando chegaste ao fundo do mar?
- Não tive medo algum. Era tudo muito simples ... E no entanto agora tenho medo ... Mas eu não cheguei ao fundo do mar! Apenas estive menos à superfície.
- E que dizem os outros, os que lá estiveram?
- Dizem coisas que eu não entendo. Dizem que é preciso ir para perceber. E dizem que nada há de mais importante na vida de um peixe.
- E explicam como se vai?
- Aí é que está. Explicam que não se chega lá por esforço, que só podemos fazer esforço em deixar-nos ir. Que é só o mar que nos leva ao mar.
Então veio uma corrente mais forte que o fazia descer. O peixe tentou lutar contra ela com quantas forças tinha, à medida que via distanciarem-se as coisas da superfície. Talvez para sempre ... Mas depois fechou os olhos, confiou e já sem medo deixou-se ir."
15 Agosto 2006
Lua de Sonho
Vida para construir ou plantar?
12 Agosto 2006
A r r i s c a r . . .

"Rir é arriscar parecer parvo
Chorar é arriscar parecer sentimental
Procurar alguém é arriscar-se a ser rejeitado
Mostrar os teus sonhos perante a multidão é arriscar-se a fazer ridículo
Amar é arriscar-se não ser correspondido...
Mas é preciso correr riscos para evitar o maior risco de todos.... não arriscar nada! "
Miguel Torga
10 Agosto 2006
Lição de vida...

Descobres que se leva anos para se construir confiança e apenas segundos para destrui-Ia, e que podes fazer coisas num instante, das quais te arrependerás pelo resto da vida. Aprendes que verdadeiras amizades continuam a crescer mesmo a longas distâncias. E o que importa não é o que tu tens na vida, mas quem tens na vida (...) Descobres que as pessoas com quem mais te importas na vida, são tiradas de ti muito depressa; por isso, devemos deixar sempre as pessoas que amamos com palavras amorosas; pode ser a última vez que as vemos (...) Aprendes que paciência requer muita prática (...)
Aprendes que quando estás com raiva tens o direito de estar com raiva, mas isso não te dá o direito de seres cruel. Aprendes que nem sempre é suficiente seres perdoado por alguém. Algumas vezes, tens de aprender a perdoar-te a ti mesmo. Aprendes que com a mesma severidade com que julgas, tu serás em algum momento condenado. Aprendes que não importa em quantos pedaços o teu coração foi partido, o mundo não pára para que o consertes. E, finalmente, aprendes que o tempo não é algo que possa voltar para trás. Portanto planta o teu jardim e decora a tua alma, ao invés de esperar que alguém lhe traga flores.
E percebes que realmente podes suportar... Que realmente és forte, e que podes ir muito mais longe depois de pensar que não se pode mais. E que realmente a vida tem valor, e que tu tens valor diante da vida! (...) E só nos faz perder o bem que poderiamos conquistar, o medo de tentar!”
William Shakespeare
Se tu queres um amigo, cativa-me! ...
Antoine de Saint Exuperry in "O Principezinho"
08 Agosto 2006
S i m p l e s ?

A simplicidade bela de um malmequer!
Assim deveria ser a vida...
assim podemos torná-la...
com a mesma simplicidade...
com que a desejamos...
Será tão simples???
07 Agosto 2006
A Arte de Viver, pela Fantasia
"A fantasia é a mãe da satisfação, do humor, da arte de viver.Apenas floresce alicerçada num íntimo entendimento entre o ser humano e aquilo que objectivamente o rodeia.
Esse ambiente envolvente não tem de ser belo, singular ou sequer encantador.
Basta que tenhamos tempo para a ele nos habituarmos, e é sobretudo isso que hoje em dia nos falta. "
Hermann Hesse, in 'Ainda da Felicidade'
Fotografia de Diogenes Freitas in www.olhares.com
05 Agosto 2006
Pedra a Pedra
“Marco Polo descreve uma ponte, pedra a pedra. - Mas qual é a pedra que sustém a ponte? – pergunta Kublai Kan.
- A ponte não é sustida por esta ou por aquela pedra – responde Marco, - mas sim pela linha do arco que elas formam.
Kublai Kan permanece silencioso, refletindo. Depois acrescenta:- Porque me falas das pedras? É só o arco que me importa.
Polo responde:- Sem pedras não há arco.”
Italo Calvino in "As Cidades Invisíveis"
Assim cada um de nós, em particular e sem excepção é peça fundamental e essencial na sua existência, pensamentos e atitudes. Esta "dica" é antes de mais para mim, que também, por vezes relativiza a própria existência! Nunca se esqueçam que o dom da vida é uma dádiva que não deve, nem pode ser desperdiçada...Que a vossa vida, assim como as pedras que formam o arco, sustenham a ponte de amor entre os Homens!
Surpresa!!!

Fiodor Dostoievski, in 'Bobok'


























































